É globalmente positiva a análise que o Grupo de Alto Nível (GAN) da APDSI - Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação - faz dos últimos dois anos de medidas governamentais dirigidas à Sociedade da Informação, mas a falta de visão estratégica e a necessidade de criar uma Arquitectura Global de Informação são cruciais e a sua inexistência põe em risco as próximas conquistas.

António de Dias Figueiredo, a quem coube apresentar o resultado da análise do GAN, admite que as medidas tomadas pelo Governo estão a conseguir resultados pontuais na mudança da máquina da Administração Pública, com a estratégia de atacar alguns pontos mais importantes, e que foram tomados um largo conjunto de medidas que tiveram um impacto muito favorável na opinião pública. Mas refere que é preciso definir percursos mais estratégicos e estruturantes, indicando que falta uma visão para o desenvolvimento do país.

A análise do GAN aponta três exemplos concretos de acções do Governo na área da Sociedade da Informação, como as agregadas no Plano Tecnológico e no SIMPLEX, que foram consideradas muito positivas. António de Dias Figueiredo afirmou mesmo que "duas equipas de excelência, pequenas e fortemente mobilizadas conseguiram realizar tanto”.

São porém apontados como casos negativos o Plano Tecnológico da Educação, onde apesar de ser reconhecido um estimulo positivo para o uso de ferramentas TIC o modelo de gestão do Ministério e algumas falhas, como a não ligação à I&D, fazem com que "a semente tenha sido lançada num terreno onde não vai crescer", explica António de Dias Figueiredo.

É também considerado globalmente negativo o caso da integração orgânica e transversal da Administração Pública, onde não há sinais visíveis de desenvolvimento. O GAN sublinha a inexistência da plataforma de serviços comuns, a não preocupação com a interoperabilidade e a abordagem fragmentada sem articulação intraministerial.

Entre as recomendações deixadas ao Governo fica a necessidade de uma visão de projecto do país, de ultrapassar a concentração quase exclusiva na Administração Pública e dedicar especial atenção aos sectores mais críticos para o desenvolvimento nacional, como a Educação.

A estas ideias Rui Magalhães Baião, um dos coordenadores deste trabalho, acrescenta que “o Governo é o gestor de uma grande empresa que é Portugal e tem que ter atenção às best practices. Uma delas é ter um CIO. [...] A falta de um CIO que se sete na administração do Governo prejudica o desenvolvimento de Portugal".

Presente na divulgação pública desta análise, Carlos Zorrinho, coordenador da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológica, agradeceu as recomendações feitas mas quis contrariar a ideia que não há uma visão estratégica para Portugal. "Se não sentisse que há uma visão estratégica não seria capaz de trabalhar e já me tinha demitido", afirmou, realçando que o objectivo é passar de um país que competia nos baixos níveis de valor para um país inovador, que tira partido de ser um neashore e da operacionalidade da sua plataforma logística.

Admitindo que é necessário agora "meter outra velocidade" e apostar numa Arquitectura Global da Administração Pública, Carlos Zorrinho afirma porém que não há razão para abandonar a estratégia que já deu resultados no passado, de desenhar medidas da periferia para o centro.

O Grupo de Alto Nível da APDSI integra a associação com o objectivo de avaliar quantitativa e qualitativamente a acção dos órgãos de soberania e tem vindo a produzir análises sobre algumas medidas, como o Plano Tecnológico, o Cartão de Cidadão e o PRACE

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