Nos últimos anos a transformação digital tem estado no centro do IDC Directions, o principal evento do ano da IDC, e 2019 não é exceção. Mas o cenário mudou, a digitalização já é o "novo normal" nas empresas e uma condição obrigatória para concorrer num mercado cada vez mais global. Por isso Gabriel Coimbra, diretor da IDC Portugal, explica que a conferência, marcada para 17 de outubro no Centro de Congressos do Estoril, está focada na inovação e na forma como a transformação tem de ser feita em escala.

"Quando se fala de transformação está-se a falar de transformação digital, porque 95% da inovação tem como base o digital, que é o principal enabler, mas o desafio é inovar e transformar em escala. O mundo está cada vez mais conetado e global, e numa altura em que se fala da guerra comercial entre Estados Unidos e China, é impossível concorrer contra uma Uber, AirBnB sem escala [...] . Hoje quem está a ganhar terreno são os incumbentes que estão a fazer a transformação a uma velocidade muito rápida, ganhando escala, e o digital traz essa facilidade", explica em entrevista ao SAPO TEK.

Um inquérito realizado pela IDC no primeiro semestre de 2019, que abrange um conjunto alargado de grandes organizações nacionais, mostra que a transformação digital está na ordem do dia para 73% dos decisores nacionais, que irão aumentar o investimento na área, com o foco na inovação de produtos e serviços, e atração e fidelização de clientes.

"Em Portugal, como a nível global, há dois tipos de organizações: as 'digital determined' que já estão a fazer a transformação digital há vários anos, com estratégia e a ganhar escala; e as que têm o tema na agenda mas ainda não em escala", explica Gabriel Coimbra, lembrando ainda que nestas contas não entram as que estão fora da economia digital, e que nem sequer têm uma presença online, e que ainda representam uma fatia muito importante da economia.

Gabriel Coimbra

A nível global a IDC estima que até 2020 cerca de 55% das organizações já serão 'digital determined', mas em Portugal essa percentagem cai para 40%, só considerando as grandes empresas.  "É preciso fazer mais", defende Gabriel Coimbra, admitindo que há muito bons exemplos entre empresas portuguesas mas que são poucas. "Temos os dois extremos, as que estão a acompanhar e as nem sequer têm presença digital", afirma.

Escala para competir a nível global

Considerando que o tecido económico português é sobretudo composto por pequenas e médias empresas, como é que as organizações portuguesas podem ganhar escala neste mundo digital? Para o diretor da IDC Portugal, ganhar escala não significa ter uma presença física alargada, mas ter clientes, um ecossistema digital e volume de dados que podem ser monetizados. "É mais na perspetiva da dimensão do negócio", justifica.

As áreas da banca e telecomunicações continuam a ser as que mais investem em tecnologias da informação e comunicação, mas nota-se a entrada de novas áreas, com o retalho, a saúde, os seguros e as utilities.

Entre os bloqueadores identificados Gabriel Coimbra considera que não é a disponibilidade de capital para investimento que está a limitar a modernização das empresas mas põe o dedo sobretudo nas competências, a nível da gestão e da capacidade técnica para fazer a transformação.

"Nas grande organizações há a visão mas faltam muitas vezes as competências a nível  intermédio e da operação", enquanto que nas PME falta sobretudo competências na liderança e a visão da forma como o digital vai trazer valor ao negócio, avisa.

Reinventar o IDC Directions

Esta é a 22ª edição do IDC Directions e o evento continua a crescer e a ser um marco na agenda das TI em Portugal, contando com mais de 30 oradores, 50 parceiros e 1.400 participantes. "Estamos a criar à volta do Directions um ecossistema, com a conferência e uma área de exposição que este ano é a maior de sempre". explica Gabriel Coimbra, afirmando que também a audiência está a mudar.

Há ainda outras ações a decorrer em paralelo, como os almoços verticais, uma hackathon e a integração com o curso desenhado em paralelo com a Nova SBE.

Este continua a ser o principal momento do ano para a IDC, que está a reduzir o número de eventos anuais, com maior foco na diferenciação, uma alteração que já aconteceu este ano mas que se vai intensificar em 2020.

A comparação com a Web Summit é inevitável, também pela proximidade da data, mas Gabriel Coimbra acredita que há espaço para os dois eventos, reconhecendo que a conferência de tecnologia que teve origem na Irlanda trouxe uma nova perspetiva para a indústria de TI e awareness para os temas do digital.

Na edição de 2019 do IDC Directions a agenda está centrada em cinco grande temas, com o Futuro da Cultura, o Futuro do Cliente, o Futuro das operações, o Futuro do trabalho e o Futuro da inteligência, com a utilização dos dados e a forma de gerar valor com esta informação.

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