O surto mundial de COVID-19 está a transformar muitos aspetos da vida diária e um deles foi a intensificação da utilização da internet, quer para consumidores como para empresas. De acordo com a ANACOM, nos últimos meses o tráfego de dados aumentou mais de 40% em comparação com o período pré-pandemia, com o tráfego de dados fixos a representar mais de 95% do total do tráfego em análise.

Migrar para o online passou a ser a resposta para muitas das necessidades pessoais e profissionais, suscitadas pela limitação das deslocações e pela imposição de um maior “resguardo” social.

A aquisição de novos hábitos, como consequência do surto pandémico, trouxe novos desafios às empresas de diferentes setores de atividade, contribuindo para que muitas tivessem que reinventar os seus negócios, adaptando as operações, antes muitas vezes apenas físicas, ao online. Num primeiro momento esteve essencialmente em causa garantir a continuidade do negócio, mas os benefícios da digitalização podem ir muito além de serem apenas uma “resposta provisória”.

Há quem considere que a aposta na digitalização veio para ficar e será, cada vez mais, um fator de competitividade. A utilização mais abrangente dos canais online, assim como a banalização do trabalho remoto, são realidades a que tanto as pessoas como as empresas se habituaram pelas vantagens que lhes estão adjacentes.

Mesmo os setores mais tradicionais, que não tinham a integração de ferramentas tecnológicas e a transformação dos seus processos de negócio como prioridade, neste momento têm tudo a ganhar com a aposta no digital, por forma a combaterem a diminuição drástica da sua atividade, naquilo que poderá representar a continuidade do negócio e uma maior competitividade do mesmo.

As vendas online têm vindo a crescer entre 10% a 20% todos os anos. Nos últimos meses aumentaram em alguns países e sectores mais do que 100% face ao período homólogo, indicam os dados da Capgemini

Em julho do ano passado, dados da ACEPI - Associação da Economia Digital revelaram que 60% das empresas portuguesas não tinham nem site, nem presença nas redes sociais ou sequer apareciam no Google Maps, mostrando o nível de necessidade de digitalização do negócio, principalmente entre as PME.

Se até fevereiro de 2020 é provável que as estatísticas tenham permanecido idênticas, nos últimos meses, em resultado das consequências da COVID-19, a dinâmica parece ter mudado, mostrando a urgência da aposta no digital, como atestam os dados do .PT, que dão conta de uma subida acentuada do registo de sites em Portugal.

Em abril último, o crescimento terá rondado os 65%, comparativamente com o mesmo período do ano anterior. Atualmente, contabilizam-se mais de 1.300.000 registos em .pt.

Ajudas à transformação

Para apoiar a transição digital e relançar a economia nacional durante a fase pós-COVID, mitigando os efeitos do choque económico causado pela pandemia, o Governo apresentou recentemente um conjunto de medidas, ao abrigo do novo Programa de Estabilização Económica e Social (PEES).

O PEES, que vai servir de base ao Orçamento do Estado Suplementar, define um novo conjunto de políticas e incentivos que versam diferentes áreas, da saúde à educação e da cultura à requalificação profissional, que podem ser aproveitados para iniciativas de modernização tecnológica e digitalização.

Com um horizonte temporal que decorre até ao fim de 2020, o PEES assenta em quatro eixos: temas de cariz social e apoios ao rendimento das pessoas, sobretudo aquelas que foram mais afetadas pelas consequências económicas da pandemia; manutenção do emprego e retoma progressiva da atividade económica; apoio às empresas; e matriz institucional.

No que diz respeito às empresas, o PEES institui diversos mecanismos de apoio quer à liquidez, quer à capitalização do tecido empresarial, como a extensão da moratória ao crédito bancário, o lançamento de novas linhas de crédito com garantia pública ou a criação de um banco de fomento, associado à constituição de um fundo de capitalização de empresas.

Estão ainda previstas medidas relacionadas com a insolvência e recuperação de empresas, nomeadamente a criação de um novo processo extraordinário de viabilização de empresas (PEVE), que pode ser utilizado por qualquer empresa que esteja em situação económica difícil ou em situação de insolvência iminente, devido à crise económica provocada pela pandemia de COVID-19, desde que a empresa demonstre que ainda é suscetível de viabilização.

Tendo em conta o Plano de Ação para a Transição Digital anteriormente aprovado, que assume a adoção do digital como prioridade estratégica e vetor essencial ao crescimento económico de Portugal, o PEES define igualmente medidas de incentivo à manutenção e competitividade das empresas, nomeadamente na área do comércio.

O ADAPTAR 2.0, um programa de adaptação e modernização de estabelecimentos comerciais que tem como destinatários microempresas dos setores secundário e terciário, de fundos comunitários, é um dos exemplos.

Faz igualmente parte do conjunto de medidas de incentivo descritas o Programa Comércio Digital, estabelecido em parceria com a ACEPI e já em curso, mas que, ao abrigo do PES, entra numa nova fase, centrada no novo contexto criado pela pandemia e na necessidade de responder de forma mais abrangente e dinâmica às necessidades dos comerciantes que querem ter presença online ou mesmo evoluir para a componente de negócio.

Com o novo conjunto de iniciativas, o objetivo é apoiar o comércio a enfrentar os desafios colocados pela pandemia, disponibilizando aos pequenos empresários locais do setor do comércio e serviços ferramentas digitais, de acesso gratuito, que lhes permitam iniciar os seus processos de transformação digital, relançando os seus negócios em contexto online.

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