"Pensamos que um acordo muito melhor será se a Microsoft oferecer os mil milhões de dólares (1,12 mil milhões de euros ou 224,85 milhões de contos) que propôs - em dinheiro - a uma fundação independente, que irá disponibilizar às nossas escolas mais carenciadas a tecnologia informática da sua preferência", afirmou ontem Steve Jobs numa declaração entregue ao juiz distrital dos Estados Unidos J. Frederick Motz, noticiou a C|NET.



O co-fundador e director executivo da Apple referia-se, assim, à proposta de acordo da Microsoft apresentada a esse magistrado com vista a resolver os 100 processos instaurados por consumidores norte-americanos. A empresa concordou em ceder a referida quantia em material informático e software para ajudar as escolas mais carenciadas.



Esta declaração de Jobs surgiu um dia antes - hoje - de a Apple apresentar um documento legal adicional em que contesta ainda mais a legitimidade do acordo propostos para os processos, em comparação com o primeiro texto. Este foi apresentado no dia 26 de Novembro, seis dias após a Microsoft ter apresentado a sua proposta ao Tribunal Federal de Maryland, e centrava-se sobretudo nos aspectos concorrenciais e impacto educacional dessa proposta.



Segundo as declarações da empresa, é provável que o documento legal suplementar que será apresentado hoje critique o montante do acordo. "O aspecto central do acordo proposto de mil milhões de dólares da Microsoft para terminar os processos civis de antitrust é a doação de software da Microsoft - que eles avaliam em 830 milhões de dólares (931 milhões de dólares ou 186,6 milhões de contos) - às nossas escolas", argumentou ontem Jobs, citado pela publicação online. "Pensamos que as pessoas deviam saber que é provável que os verdadeiros custos para a Microsoft por este software doado se situem abaixo de um milhão de dólares (1,12 milhões de euros ou 224,85 mil contos."



Os analistas estimam que a margem bruta de lucros da Microsoft no Office, por exemplo, seja de 90 por cento. Jim Desler, porta-voz da empresa, contestou, porém, os cálculos de Jobs. "A sua estimativa baseia-se apenas na doação do software e no valor do software", afirmou.



A Apple tem sido um dos principais opositores do acordo proposto, no qual a Microsoft se compromete a financiar uma fundação educacional privada para ajudar as escolas mais desfavorecidas do país e doar mil milhões de dólares em software, serviços, formação e dinheiro durante os próximos cinco anos.



No total, a empresa iria doar 500 milhões de dólares (607 milhões de euros ou 112,4 milhões de contos) a fundações de caridade para estas escolas e a mesma quantia em software gratuito. A Microsoft também vai oferecer licenças do Windows para um milhão de computadores actualizados doados às escolas. Os críticos da gigante de software e analistas salientam que a grande quota da Apple no mercado educacional pode ser ameaçada pelo facto de a Microsoft disponibilizar milhões de dólares em software.



Esta poderá beneficiar em muito com o acordo proposto, ao atrair as escolas a gastarem mais dinheiro em equipamento e serviços da empresa. Em cartas enviadas para o tribunal, alguns educadores exprimiram a sua preocupação em relação ao valor do acordo proposto e, destes, alguns fizeram recomendações semelhantes à de Steve Jobs.



Cerca de 12.500 escolas mais pobres dos Estados Unidos - poderão qualificar-se a receber software da Microsoft, de acordo com os termos da proposta. Mas alguns advogados dos queixosos questionam o valor do software para todas as escolas. Os advogados da Microsoft e dos queixosos deverão regressar ao tribunal na segunda-feira para uma audiência perante o juiz Frederick Motz.


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