O investimento das empresas portuguesas em Tecnologias da Informação tem vindo a crescer continuamente mas a tendência aponta para uma reorientação das compras e da utilização das ferramentas tecnológicas ao serviço do negócio, e não como factor de competitividade, defenderam hoje os oradores da conferência IDC Directions, que decorre na Culturgest, em Lisboa.

"As Tecnologias da Informação tornaram-se necessárias mas não são suficientes para manter a vantagem competitiva", afirmou Jonas Ridderstrale, considerado um guru de gestão da nova geração na Europa, na sessão de abertura. O autor dos livros Karaoke Capitalism e Funky Business defende que as empresas têm de conseguir um equilíbrio entre o capital intelectual e a motivação para se diferenciarem, criando novos modelos e produtos que sejam atractivos para o mercado.

Numa época de grande concorrência a nível global, onde as empresas compram todas as mesmas soluções de software e hardware, Jonas Ridderstrale acredita que o desafio está em saber usar as tecnologias ao serviço das pessoas e das empresas, adaptando-a às necessidades criativas. "As TI garantiram um aumento de produtividade a muitas empresas", admite o guru, mas "o potencial das ferramentas tem de ser agora usado de forma criativa", um passo que Jonas Ridderstrale afiança que acontecerá certamente com as novas gerações, criadas na utilização das ferramentas de TI, que estão habituadas a usá-las para serem mais criativos.

José Carlos Pina, Partner da Deloitte, mantém a confiança de que as tecnologias são um valor estratégico para o desenvolvimento das empresas, afastando a ideia de que serão apenas uma commodity, como a electricidade. "As TI não são como a electricidade porque todos os dias sofrem novas evoluções e continuam a suportar novos modelos de negócio que só podem existir através das tecnologias", sublinhou José Carlos Pina, citando o exemplo das companhias aéreas Low Cost, que vendem a grande maioria dos bilhetes através da Internet.

Igualmente defensor da importância das TI, Carlos Janicas, Director Geral da HP Portugal, frisa porém a necessidade de adaptação à mudança. O papel das TI continua a ser capital na relação entre a informação e o conhecimento, na optimização de processos e na flexibilização do acesso à informação, mas é preciso dirigir mais recursos para a inovação com base nas tecnologias e não para a manutenção, que absorve ainda a grande maioria dos investimentos das empresas.

"O papel dos CIOs também está a mudar e tem uma nova dimensão, que é garantir um ambiente ágil para dar resposta às necessidades do negócio", defende Carlos Janicas. Cada vez mais os responsáveis de Tecnologias são chamados a preocupações de gestão, reduzindo os custos fixos e permitindo que as infra-estruturas estejam preparadas para a inovação, um desafio a que os departamentos de TI têm de responder.

Carlos Janicas garante que esta é uma missão possível e dá como exemplo a própria HP, que nos últimos anos foi sujeita a diversos processos de reestruturação, devido a aquisições e fusões mas também a reengenharia de processos e racionalização de custos, e que, mesmo assim, mantém a capacidade de inovar com o lançamento regular de centenas de produtos.

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