O Clix garantiu hoje estar a trabalhar em novas formas de estar no mercado ADSL, sem recurso à infra-estrutura da Portugal Telecom. Em conferência de imprensa, o director-geral do ISP da Sonaecom anunciou o cancelamento da oferta ADSL actualmente disponível no mercado, alegando a falta de rentabilidade do serviço e sublinhou que a Sonaecom dispõe de duas redes que pretende explorar, enquanto alternativa à rede do incumbente.



"Tornou-se insustentável manter uma oferta concorrente à PT, recorrendo simultaneamente à sua infra-estrutura para fornecer acesso e serviços de banda larga", explicou Pedro Pina. Sem entrar em muitos pormenores o responsável revelou que o Clix está a canalizar os seus investimentos em banda larga para a desagregação de lacete local.



Neste sentido, o ISP e a Novis - operador fixo do grupo Sonae dirigido ao mercado empresarial - estão a trabalhar em novas ofertas que vão sendo construídas à medida que as centrais vão sendo desagregadas.



Pedro Pina lembrou igualmente que a SonaeCom também detém uma rede móvel e que está a trabalhar no sentido de desenvolver ofertas de banda larga, apoiadas na rede da Optimus.



O director-geral do Clix fez um ponto situação das queixas apresentadas em nome do ISP e da Sonaecom, contra o que chama "práticas predatórias e anti-concorrenciais" da PT.



No que toca à queixa apresentada no ano passado junto da recém criada Autoridade da Concorrência o responsável elogiou a forma célere como todo o processo tem avançado e mostrou-se confiante nos resultados que daqui poderão advir.



Paralelamente a SonaeCom está a avançar com uma queixa em Bruxelas que Daniela Antão, responsável pela área jurídica da SonaeCom, considera estrutural e na qual o Clix e as condições concorrenciais na banda larga são apenas um dos pontos abordados. A acção toca um conjunto de aspectos que vão desde a concertação de ofertas, práticas anti-concorrenciais ao pedido de abertura da rede de cabo.



Não há previsões quanto à duração do processo, admite Daniela Antão que revela já ter sido escolhido o escritório de advogados que em Bruxelas representará a Sonae e que já tiveram lugar as primeiras conversas com funcionários da Comissão Europeia sobre esta matéria.



Para já, o Clix vê como únicas alternativas para estar no mercado da banda larga o reforço do investimento no lacete local e deixa o aviso ao regulador que considera um agente passivo do sector. Pedro Pina defendeu que caso a postura do regulador não se altere, a banda larga será apenas o primeiro dos negócios que os novos operadores entregam de volta à PT.



Para levantar a suspensão do Clix Turbo, o ISP considera essencial que sejam definidos mecanismos de protecção estrutural de margens (qualquer oferta lançada pela PT tem de estar vinculada a este mecanismo); que a regra de retail minus, definida pelo regulador no Verão passado, seja aplicada de forma integral e não apenas a uma parte dos custos; que a taxa de activação paga pelos ISPs à PT seja revista para um novo valor orientado para os custos e, por último, que seja criada uma oferta de referência para a banda larga: orientada aos custos e que preveja vários pontos de agregação de tráfego.



As exigências do Clix são semelhantes às apresentadas pelo IOL na passada semana, quando anunciou a suspensão temporária do seu produto de banda larga. A ONI é assim o único dos três ISPs principais que se mantém no mercado. Num comunicado recente a empresa explicou que está solidária com os argumentos dos seus concorrentes mas o facto de parte da sua oferta se apoiar em infra-estrutura própria leva-a a não optar por uma decisão semelhante. Entre os ISP exclusivamente vocacionados para o mercado empresarial a Via Networks também já anunciou que pretende manter a sua oferta disponível.



À semelhança do IOL também o Clix enviou cartas a todos os seus clientes explicando a sua decisão e garantindo a manutenção do serviço junto dos cerca de 8 mil clientes já angariados.



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