A EDP admitiu hoje que pretende levar a cabo uma experiência comercial com power line durante este ano. Desde o final de 2002 a eléctrica, através da sua participada ONI Telecom, tem em curso experiências piloto utilizando a tecnologia a um grupo restrito de utilizadores para fornecer Internet de banda larga e voz sobre IP.



Os bons resultados da iniciativa levam a operadora a avançar para uma experiência mais séria que terá como potenciais clientes 2,8 milhões de utilizadores, distribuídos por 300 mil prédios e cobertos por 14.700 postos transformação, avançou Netto Aguiar da EDP, num seminário promovido pelo regulador eléctrico, a ERSE. Este mercado potencial corresponde à rede de baixa tensão da EDP, excluindo zonas rurais com menos de 5 mil habitantes.



Netto Aguiar não avançou uma data concreta para o arranque da experiência comercial, mas garantiu que a empresa está interessada em descentralizar a sua oferta, face às localizações geográficas do piloto que visou 300 utilizadores em Telheiras e na Parque Expo, com o objectivo de testar a reacção do mercado à nova oferta.



Para que EDP e ONI possam colocar no mercado uma oferta comercial deste tipo é necessário que algumas questões regulatórias sejam clarificadas, reconheceu Netto Aguiar, quer do lado da electricidade, quer principalmente na área das telecomunicações, onde existem lacunas relativamente a este tipo de situação. O responsável lembrou que uma oferta com estas características "constitui uma ameaça aos operadores incumbentes pelo que a todo o momento surgem falsas questões".



O power line (PLC) está a ser testado pela generalidade dos operadores de electricidade europeus existindo já um número considerável destas entidades com ofertas comerciais disponíveis no mercado. A tecnologia, que utiliza a rede eléctrica para fornecer serviços de Internet e voz através de ondas electromagnéticas, existe há cerca de 20 anos, mas os elevados custos e questões de compatibilidade acabaram por não permitir o seu desenvolvimento.



Nos últimos anos as empresas têm realizado várias experiências (a primeira delas no Reino Unido) numa tentativa de minimizar questões técnicas como a compatibilidade entre a tecnologia e outros equipamentos eléctricos sem interferências.



A própria Comissão Europeia está a apoiar a investigação nesta área, através do 6º Programa Quadro. O que se pretende é perceber se a tecnologia é tão fiável e viável como o cabo ou o DSL.



Estudos realizados pela EDP, junto dos utilizadores do piloto, revelaram uma taxa de satisfação dos clientes de Internet a rondar os 75 por cento. Na voz os resultados obtidos foram menos satisfatórios mas permitiram à empresa "detectar e resolver um conjunto de problemas", garantiu o responsável.



A EDP garante, por outro lado, que este é um negócio de risco escalável, já que o investimento é feito à medida que aumenta a penetração. Ainda assim, a operadora não deu pormenores sobre os preços que pretende praticar limitando-se a insinuar que o PLC pode ser tão competitivo como o ADSL.



A nível internacional a EDP integra uma aliança composta por nove empresas de electricidade europeias, a PUA - Power Line Utilities Association, que juntas pretendem acelerar o desenvolvimento de standards para a tecnologia.



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