O princípio do fim do protocolo IPv4 já começou com a atribuição dos últimos pacotes de endereços por parte da IANA, como o TeK escreveu no início deste mês, mas como este protocolo ainda vai coexistir durante muitos anos com o novo IPv6 os preparativos da indústria fazem-se com calma, sobretudo do lado dos equipamentos e das redes de comunicações.

Em Portugal os operadores de redes fixas e móveis já estão a trabalhar na compatibilidade das redes para o IPv6 e têm definidos calendários de implementação, sobretudo a nível do core das redes, a infra-estrutura. As redes de acesso ficam para uma segunda fase, assim como a actualização dos equipamentos instalados nos clientes, de routers a telemóveis e placas de banda larga.

A falta de uma pressão do mercado justifica este faseamento, até porque existe ainda muito pouca sensibilidade face à necessidade de actualizar equipamentos e redes de acesso, quer da parte dos consumidores quer das empresas.

A Portugal Telecom é uma das operadoras que está mais avançada no processo de migração da rede core, num processo iniciado em 2008, tendo já começado a colocar capacidade de encaminhamento dual stack (às duas versões do protocolo IP) nas infra-estruturas de backbone, da rede fixa e da rede móvel, bem como no acesso internacional, adiantou ao TeK fonte da empresa. O roll out total deverá estar terminado em 2012.

Do ponto de vista estratégico a empresa optou por dotar as redes de capacidade de suporte dual stack, "garantindo uma evolução progressiva e com impacto mínimo do lado dos clientes", mas a implementação exige "uma actuação interna muito coordenada", refere a mesma fonte.

O passo seguinte é estender a estratégia implementada no backbone da rede fixa às redes de acesso, cobrindo os diferentes segmentos de negócio. De fora fica a rede óptica, já que "esta é agnóstica à versão do protocolo IP e transporta qualquer das duas versões", havendo apenas que "assegurar a compatibilidade ao nível dos sistemas de gestão".

Quanto à rede móvel da TMN, a PT afirma que esta já suporta parcialmente o IPv6, mas que no âmbito do upgrade do novo core, que está em curso e será concluído ainda este ano, "será assegurado que todas as funcionalidades actualmente suportadas para IPv4, estarão igualmente disponíveis em IPv6".

Também a Vodafone está já adiantada na preparação da sua rede de ADSL e fibra, onde "existem protótipos a funcionar em ambiente de laboratório", como explicou ao TeK José Rivera, responsável pela área de engenharia de core e transporte da Vodafone Portugal.

"A Vodafone Portugal encontra-se activamente empenhada, em conjunto com os seus fornecedores, em resolver as questões de interoperabilidade que ainda subsistem em alguns casos", adianta. Por isso mesmo a empresa admite que o upgrade para a nova versão do protocolo IP ocorrerá "logo que as versões de software e hardware apresentem a estabilidade mínima, de acordo com os standards definidos pela Vodafone, de modo a que possam ser colocadas em produção".

Para os operadores de redes de cabo a tarefa está um pouco mais simplificada, até porque o DOCSIS 3.0 já suporta nativamente o protocolo IPv6, o que facilita o processo.

A Zon não tem ainda datas para uma migração a 100% da rede, que de qualquer forma não se apresenta como uma necessidade por não existir nenhum desenvolvimento relevante, já que o número de sites e serviços que suporta este protocolo ser ainda muito reduzido, adianta fonte oficial da operadora.

A empresa está a fazer um levantamento do impacto do novo protocolo a nível das várias plataformas, desde o core (Routers, CMTS, OLT, etc), até aos equipamentos terminais.

"Durante os próximos trimestres serão realizados vários pilotos e testes de IPv6 numa perspectiva end-to-end, permitindo assim efectuar uma migração suave para o novo protocolo", refere a mesma fonte.

A Cabovisão já iniciou, há cerca de 1 ano, as actividades relacionadas com a análise e definição de um plano de migração para IPv6, na rede core e nos dispositivos instalados nos clientes, confirma o Director de Grupo Tecnologia e Sistemas de Informaçäo da operadora, Alexandre Fonseca.

"Até ao momento apenas foram realizados testes em ambiente de Laboratório, explorando e testando equipamentos e metodologias de abordagem ao endereçamento IPv6", pelo que, não sendo ainda uma rede IPv6, está "estruturalmente preparada para suportar esse endereçamento e os desafios que o novo protocolo IP irá trazer", sublinha.

O plano de roll out teve início em 2010 e decorre a bom ritmo, devendo o upgrade total da rede e dos diversos componentes estar concluído em 2012/2013. Este ano está previsto que alguns componentes da infra-estrutura sejam suportados em IPv6, devendo ser realizados também pilotos ao nível da rede core.

Com infra-estruturas assentes em tecnologia diferente, a Zapp e a Ar Telecom estão também atentas a estas mudanças e a preparar as suas redes. Jorge Domingos, Technical infrastructures manager da Zapp adiantou ao TeK que "a rede da Zapp está preparada para correr IPv6 na parte de Core", admitindo porém que poderá ser necessário um upgrade de software aos sistemas da Zapp, para garantir a compatibilidade total de alguns sistemas mais antigos, mas que não terá impacto para os clientes.

A nível das configurações a migração ainda não começou, mas o road-map definido calendariza a execução "a médio prazo", explica Jorge Domingos, sem precisar datas.

A percepção de que a flexibilidade tecnológica é determinante para a competitividade fez com que a Ar Telecom já tenha preparado a sua rede para IPv6, incluindo blocos de endereçamento IPv6 alocados pelo RIPE. "Já foram realizados testes com clientes amigáveis e estamos prontos para disponibilizar serviços em IPv6", garante Tiago Oliveira Santos, Director de Marketing e Projectos Especiais.

Focada no mercado empresarial, a Colt começou o seu programa de disponibilização de IPv6 em toda a rede pan-europeia no ano passado. Um conjunto de ensaios beta com um grupo maior de clientes deverá começar no final do segundo trimestre deste ano e Pedro Diniz, Marketing Specialist da Colt Portugal, adianta ao TeK que o "lançamento formal está previsto ainda este ano, em simultâneo em todos os países Colt", com data marcada para o terceiro trimestre.

Ninguém avança valores de custos de upgrade nas redes core nem nas redes de acesso, adiantando a maioria dos operadores contactados pelo TeK que está a ser feito no âmbito das actualizações planeadas da rede, o que não permite perceber os impactos reais desta mudança. Mas a garantia é que quando se passar para a segunda fase, de alteração dos equipamentos dos clientes, as contas vão mudar.

Como já tínhamos referido, a disponibilização de equipamentos do lado dos clientes é lenta, sobretudo por atrasos do lado dos fabricantes de telemóveis e routers, assim como placas de acesso à Internet em banda larga móvel, e em alguns casos não bastará actualizar as versões do software, sendo necessária a mudança do hardware. Mas este é um tema que abordaremos num próximo artigo.

Fátima Caçador

Nota da Redacção: Foi acrescentado um parágrafo que por lapso tinha sido omitido na primeira versão do texto.

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