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Um dos patrocinadores do evento World Health IT, a Cisco Systems demonstrou esta semana em Genebra uma aplicação de monitorização de doentes cardíacos que usa o telemóvel para mostrar às enfermeiras registos de imagens dos parâmetros do doente, sempre que o sistema faça disparar um alarme. A solução - já noticiada pelo TeK - é uma das respostas da empresa às necessidades de mobilidade e integração da informação que as unidades de cuidados de saúde vão identificando no seu quotidiano.




A área da saúde é endereçada pela empresa americana há vários anos, sobretudo na sua componente mais tradicional, como explicou ao TeK Kevin Dean, managing director do Internet Business Solutions Group da Cisco para os cuidados de saúde no sector público.




"A empresa entrou primeiro neste mercado para servir as necessidades mais básicas de comunicação fornecendo as ferramentas necessárias para receber e enviar emails, ter acesso à Internet e pouco mais, serviços prestados sobretudo através de parceiros", refere Kevin Dean para explicar a necessidade do mercado mais tradicional das Ti na saúde.




Com a evolução da tecnologia e da complexidade da informação a empresa dá novos passos e procura sensibilizar as unidades de saúde para a necessidade de transformar a sua informação - sobre os doentes, informação técnica produzida nos hospitais, etc - em conhecimento que possa ser "usado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes ou mesmo prolongá-la", detalha.




O objectivo é garantir um acesso mais fácil à história clínica do doente através de sistemas integrados, que também garantem informação mais organizada sobre equipamentos, medicamentos e outras componentes do hospital.




Saltar para esta fase implica "infra-estruturas muito seguras e aplicações mais complexas com níveis de integração elevados. Implica investimento", explica o responsável.




Sensibilizar as unidades de cuidados de saúde para estas necessidades foi uma das principais motivações para a realização na Europa pela primeira vez do evento internacional, que costuma ter os Estados Unidos como país anfitrião.




Kevin Dean reconhece no entanto que esta mudança significa também que a Europa está a fazer progressos nesta área e começa agora a despertar para a necessidade de fazer um uso mais estratégico da tecnologia. A opinião do responsável foi formada através das muitas viagens que vem fazendo a vários países para partilhar a visão da Cisco sobre eHealth Connected.




TeK: A Europa tem feito muitos progressos na forma como olha para a necessidade de ligar os seus sistemas de informação na área da saúde?

Kevin Dean:
Temos feito progressos mas há uma grande fragmentação que é difícil ultrapassar e para que isso aconteça não basta que os países tenham dinheiro para investir, mas é preciso que tenham também capacidade para reinventar.
Esta tem sido uma preocupação clara da Comissão Europeia: o facto de cada país fazer uma coisa mas não inventar novas formas de resolver problemas antigos. É uma questão realmente importante porque o sistema de cuidados de saúde está tão fragmentado que perceber o que está a acontecer nos vários países é por si uma tarefa difícil, especialmente nos hospitais que são tantos. Esta é uma tarefa que também nos ocupa. O meu trabalho na Cisco é precisamente tentar promover contactos e facilitar essa troca de experiências tão necessária para abrir novos caminhos.
De qualquer forma acho que há progressos embora seja claro que uns países têm mais recursos que outros, uns também mais problemas que outros e alguns têm mais ferramentas já à sua disposição que outros.
Muitas vezes percebemos, por exemplo, que já existem sistemas TI nos hospitais para tarefas mais complexas mas estão velhos e obsoletos. Aí é tão ou mais difícil mostrar que é preciso mudar porque os médicos trabalham com eles há anos e estão habituados ao seu funcionamento, mesmo que trabalhem com ma tecnologia que não comunica com nenhuma outra.




TeK: A realidade europeia terá sempre diferentes ritmos?

K.D.:
Sim. A Europa engloba 27 nações e centenas de regiões onde se incluem os que têm mais recursos, os que têm menos recursos, os que dão mais e os que dão menos prioridades às TIs na saúde e por isso iremos sempre avançar a ritmos diferentes. É por isso que a partilha de experiências e de boas práticas é essencial. É um terreno difícil onde muitas vezes se torna mais fácil avançar quando as organizações estão numa fase mais inicial da sua experiência com Tis.




TeK: Quais são os passos mais lógicos num caso desse tipo?

K.D.:
Numa situação deste tipo podemos começar por montar uma infra-estrutura que permite a todos utilizarem o computador, terem os seus telefones com sistemas que lhes permitam estar contactáveis em todo o lado. O que vai querer fazer a seguir será certamente apostar na partilha de imagens, saber quem são os doentes, que problemas têm, que questões os levam a procurar os serviços de saúde para que seja possível começar a fazer uma fotografia da instituição.




TeK: Há muitas diferenças em relação à forma como evoluem estas preocupações na Europa e nos Estados Unidos?

K.D.:
Sim e não. Há diferenças porque sendo o sistema privado a ditar as regras nos Estados Unidos os aspectos económicos são prioritários e o resto constrói-se em torno disso. Na Europa os sistemas de saúde públicos colocam a questão do pagamento em segundo plano. Boa parte das diferenças resultam deste factor. Existem por outro lado diferenças estruturais ao nível de quem presta que cuidados de saúde e provavelmente nos Estados Unidos há um maior conhecimento sobre o doente. Mas no resto são idênticos.




TeK: Já visitou muitos países para mostrar a visão da Cisco nesta área da saúde. Já esteve em Portugal?

K.D.:
Ainda não fui convidado. Quando for irei concerteza.




TeK: A Cisco vem investindo em investigação e desenvolvimento nesta área?

K.D.:
É difícil precisar isso porque na Cisco aplicamos os nossos esforços às comunicações que na verdade são muito idênticas, independentemente da indústria em questão. O que fazemos, especificamente para esta área, é trabalhar com parceiros que nos permitem complementar a tecnologia Cisco com aplicações direccionadas. Fazemos isso com várias empresas que potenciam a tecnologia Cisco. Por isso diria que estamos a investir mas num sentido mais lato.




Tek: Já têm muitos clientes na Europa, nesta área?

K.D.:
Absolutamente. As coisas estão de facto a mover-se muito rapidamente nesta área e há muitos hospitais tradicionais a procurar soluções tradicionais. Mas, até que nesta fase das infra-estruturas todos os passos sejam dados é impossível passar para o próximo. Por outro lado, uma vez chegadas aqui as instituições começam a sentir outras necessidades que passam por usar novas funções no telefone, adicionar imagem, multiplicar os meios de comunicação entre actores do hospital. Estamos muito numa fase em que as organizações começam a perceber que precisam de algo mais.

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