E se o iPad fosse mesmo revolucionário?

Por João Tiago Calviño (*)

Dizia-se por aí que o tablet lançado pela Apple revolucionaria, mais uma vez, a forma como interagiríamos com um “computador”.

Talvez esperasse mais...

Talvez o primeiro impacto tenha sido “oh não, um iPhone gigante!”.

A minha ambição era a de não ter de andar sempre com o meu Macbook Pro atrás, por exemplo nas viagens que faço, ou nos tempos mortos que tenho nos meus trabalhos.

Até hoje, o iPhone servia como podia mais do que com distinção! Quer dizer que, de todos, o iPhone é, provavelmente, o mais transportável e prático free-time killer!

Mas, o ecrã não deixa de ser pequeno para ver filmes, para navegar mais intensamente na net ou para … ler!

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Optei por me questionar porque é que o Steve Jobs achou que poderia revolucionar a forma como ouvimos e compramos música, que poderia revolucionar a maneira como usamos um telefone de forma inteligente, que o iPad seria mais uma revolução, desta vez na área da imprensa escrita, da literatura e do entretenimento portátil?

Lembrei-me de uma notícia que li há pouco tempo: uma escola no Reino Unido optou por oferecer aos seus alunos iPhones 3G como complemento educacional, ferramenta pedagógica e de comunicação.

Complementemos isto com o facto de em Portugal o governo ter optado, na sua política de choque tecnológico, por disponibilizar o 'Magalhães' e outros portáteis “maiorzinhos” aos alunos mais velhos e universitários, de borla ou a preços/condições mais acessíveis.

Mas apesar da iniciativa governamental, hoje, potenciada pela plataforma, pouco segura, dos computadores disponibilizados aos alunos, vulgo Windows, os nossos professores do ensino básico passam provavelmente mais tempo a limpar as viroses do 'Magalhães', a reinstalar software ou a tentar descobrir porque raio não funciona o computador, do que a aproveitar todas as capacidades pedagógicas que uma peça de tecnologia poderia oferecer ao ensino.

E se se usasse um sistema operativo semi-fechado, protegido, rápido, intuitivo que, ao contrário de qualquer PC com Windows, não tem problemas de vírus, de programas incompatíveis, Trojans, Malicious code, ou outras dores de cabeça para pais e professores? Que não têm as complicações do Linux ou a facilidade em fazer asneira que o win permite? Que acima de tudo descomplica e possibilita concentrarem-me naquilo que interessa? Apenas desfrutar.

E não será um pouco absurdo que nesta era de preocupações ambientais, económicas e de saúde se continue a obrigar as crianças a passear com toneladas de livros às costas durante toda a sua fase escolar?

Livros esses que pouco interagem com o utilizador, que, muitas vezes, acabam por ser fotocopiados, pirateados e que dão cabo das costas?

E se as editoras, como a Porto Editora, lançassem os seus manuais escolares em formato ebook ou como uma aplicação, quiçá, interactiva que enviasse, por exemplo, os resultados via uma rede WiFi para o PC do professor, numa sala de aula? Ou, simplesmente, um aparelho que permitisse ter todos os manuais escolares necessários para um ano em apenas… 680 grama? Que permitisse ter os livros de leitura obrigatória acessíveis a um click ou, neste caso, a um toque? Acabando com as faltas de material?

E se, de repente, acabasse o negócio quase milionário das fotocópias dos livros usados nas nossas universidades, que prolifera em cada papelaria, num raio de 2km de cada Escola? E se, de repente, os nossos alunos com dois toques conseguissem enviar por email as passagens dos textos que estão a estudar e os discutissem online? E se, de repente, um iPad substituísse a tão famosa ti83? E se, de repente, de um momento para o outro, partilhar vídeos nas salas de aula, entre professores e alunos, fosse ainda mais simples e sem confusões?

Para já não estou a falar do que este iPad poderá fazer nos meus tempos mortos na régie à espera que um qualquer jogo da Liga Sagres comece a ser transmitido, ou nas viagens entre os estádios portugueses!

O mais curioso é que falei na Educação mas, podia ter falado na Saúde ou no Comércio, uma vez que, facilmente vejo restaurantes de luxo, ou mais sofisticados usarem estes iPad como ementas interactivas.

Talvez no meio disto tudo o preço continue a ser o mais impeditivo. Talvez... Mas quantos restaurantes equipam os seus funcionários com sistemas POS portáteis baseados em Windows mobile? Quantos alunos é que já compraram as famosas calculadores científicas, que só servem para 2 ou 3 anos?

É certo, o iPad foi anunciado hoje. Não está sequer à venda, nem tão pouco lhe pus as mãos em cima. Mas, de repente, vi o futuro mudar com algo que dentro de 60 dias estará nas prateleiras de lojas espalhadas por todo o mundo, com possibilidade real de ser muito mais eficaz que qualquer 'Magalhães' que por aí ande!

O potencial está todo lá.! Caberá agora aos produtores de conteúdo, aos decisores e aos mais inovadores, criar ferramentas que transformem este gadget em algo que possa revolucionar a forma como interagimos com as TIC no nosso dia-a-dia.

Uma coisa é certa... o potencial está todo ali - no iPad e no iBooks.

Simples…?

(*) Utilizador de Macintosh desde 2005, licenciado em Audiovisual e Multimédia e Operador de Câmara e EVS e fervoroso adepto da simplicidade, usabilidade e design... um Apple User portanto!

Nota da Redacção: Este texto foi publicado no blog de João Tiago Calviño cerca de três horas depois da apresentação do iPad e difundido na Mailling List de Pedro Aniceto. Face à visão apresentada a redacção desafiou o autor a publicá-lo como opinião no TeK.

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