Por Idalina Sousa* 

Do acompanhamento que venho fazendo, direta e indiretamente, de startups portuguesas, e da própria experiência da Primavera que nasceu apenas com uma ideia disruptiva e muitas horas de desenvolvimento numa garagem, cada vez mais acredito que qualquer uma delas, para ter um arranque consolidado, precisa de quatro pilares base: a ideia, o plano de negócios, o investimento e a estrutura.

A ideia, no meu entender, é o mais fácil por ser a génese, a verdadeira âncora que mantém firme a convicção de investir todas as energias na concretização de um negócio. Poderá ser difícil descobrir uma que seja original e é importante ter algumas certezas sobre a viabilidade do negócio, mas a oportunidade pode estar tanto num produto ou serviço original como numa forma inovadora de ver uma oferta já existente. O plano de negócio, pela maturidade das nossas aceleradoras e ninhos de startups, como a Beta-i, Startup Lisboa, a Vodafone Labs ou a Startup Braga, tornou-se hoje muito mais fácil de compor. O próprio Instituto de Emprego e Formação Profissional já tem essa valência disponível.

O investimento, esse, também está mais sofisticado e acessível em Portugal. Mesmo perante um contexto económico ainda adverso, é possível encontrar business angels, bancos e uma ajuda das aceleradoras e ninhos muito relevante para arrancar com uma boa ideia. Diria até que uma boa ideia, se não consegue obter financiamento em Portugal, conseguirá em muitos outros países do mundo.

Já a estrutura é aquele pilar menos visível e que, regra geral, arranca com uma ou poucas pessoas, na sua maioria com competências técnicas na área em questão do seu negócio, mas poucas ou nenhumas naquelas áreas aparentemente pouco relevantes como a financeira, comunicação ou gestão da supply chain. Um arranque em casa com meios próprios ou num pequeno espaço num ninho de startups com recursos partilhados.

É neste pilar que muitas vezes tenho visto os negócios a falhar, sobretudo porque os conhecimentos de gestão são parcos, a informação de apoio ao negócio não está estruturada, o crescimento é rápido e é necessário que a estrutura se adapte a uma nova realidade todos os dias, sem que se perca o controlo. É neste ponto que entra, a meu ver, uma grande solução de apoio: o software!

O software hoje, com a realidade da cloud e de uma competição cada vez mais global, chega-nos a preços baixos ou pagos à medida da utilização, com o acréscimo de ser necessário cada vez menos investimento em hardware. Algum de nós acreditaria há 20 anos que o Microsoft Office seria pago em regime de mensalidade e descarregável via cloud? Ou que hoje era possível comprar online e colocar sozinho em operação um software de faturação em menos de uma hora, preparado para operar em vários mercados?

O software, para além das questões óbvias associadas à resposta às obrigações fiscais, permite facilmente organizar os processos, uniformizá-los, criar rigor na gestão das operações, acrescentar ridor à tomada de decisão e manter o controlo. A sua evolução diária no sentido da democratização do acesso a soluções sólidas e da mobilidade permite começar a estruturar o negócio sem grandes conhecimentos informáticos e com um investimento nulo numa primeira fase ou custeado à medida da utilização já em plena expansão.

A resposta está já hoje muito simplificada com um sem número de software houses, muitas delas nacionais, com uma oferta gratuita ou a custo reduzido, muito robusta, simples, móvel e escalável à dimensão do globo. Se já temos Lisboa como uma das nove melhores cidades para startups do mundo, podemos ter esta e outras cidades a dar ainda mais cartas no panorama global.

*Marketing Head Manager da Primavera BSS

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