Por: Miguel Mascarenhas (*)

Lembro-me de ser miúdo e folhear na casa dos meus pais e avós a lista telefónica das páginas amarelas. Por piada, volta e meia procurava o apelido da família e confirmava se os dados estavam todos certos. Nesses tempos, se uma pessoa precisava de contratar um serviço, consultava-se nas páginas amarelas o que por lá aparecia, e quais seriam as empresas ou prestadores de serviços que poderiam servir.

Faziam-se uns quantos telefonemas, e aos que funcionavam ou atendiam, explicava-se qual o serviço pretendido. Esperava-se pelo orçamento, pelos tempos de produção e, sem qualquer referência, acreditava-se que o serviço iria ser realizado dentro dos parâmetros e tempo definido. Não me lembro bem, mas penso que era assim que funcionava, numa realidade que já me parece tão distante e obsoleta.

Nos dias de hoje, com o acesso à internet a qualquer momento e em qualquer lugar, desde que tenhamos connosco um dispositivo móvel e dados móveis ou wireless, a realidade das páginas amarelas acaba por me parecer um pouco (ou na verdade bastante) inaceitável.

Fazer dez telefonemas para procurar um serviço, a alguém que não conhecemos e não sabemos se é credível ou não, e se está disponível para ir até à nossa casa traduz-se em horas muitas vezes perdidas. E hoje em dia não há necessidade de se perder esse tempo em vão. A internet veio revolucionar todos estes serviços e forma de os procurar e contratar.

Um estudo recente da Marktest mostra que 41% dos portugueses já utiliza com regularidade serviços de comércio online. Portugal ainda está longe de muitos vizinhos da Europa, é certo, o que não invalida o facto de esta ser uma tendência crescente, à qual aderem dia após dia mais utilizadores que preferem o conforto das suas casas para comprar os mais variados bens e serviços.

E, neste sentido, os prestadores de serviços locais têm de saber também adaptar-se a esta tendência online e usufruir das mais-valias que a internet tem para os seus negócios. Os prestadores de serviços, microempresas e freelancers têm de estar onde estão as pessoas, na internet. Têm de saber corresponder às atuais necessidades de clientes e potencias clientes se não quiserem ficar para trás.

A verdade é que a internet traduz-se num enorme mundo de possibilidades, para os utilizadores finais, os clientes, mas também para os prestadores de serviços que têm aqui uma oportunidade para se modernizarem. Procurar um canalizador para uma obra na cozinha ou um pintor para dar uma nova cor à sala de estar é uma tarefa muita mais fácil nos dias de hoje.

O acesso às plataformas que funcionam como marketplace de serviços locais ajudam a facilitar ainda mais esta tarefa, com a segmentação por raio geográfico, data, entre outras características. Esta triagem, fundamental, mas impensável na era das páginas amarelas, ajuda a determinar automaticamente quais os prestadores que estão disponíveis para aceitar um serviço. A possibilidade de classificar um serviço e dar um elogio são também características fundamentais, que ajudam os clientes a selecionar o prestador que lhes parece mais adequado, com base na experiência real de outras pessoas.

A aquisição de bens e serviços através das plataformas online, que outrora eram vistas com muita desconfiança pelos portugueses, é hoje um caminho comum que só tem trazido benefícios: modernização dos tradicionais serviços e angariação de novos clientes por valores muito reduzidos; e os clientes, por sua vez, otimizam o seu tempo pois em vez dos muitos telefonemas, aguardam confortavelmente pelo envio da informação por parte dos prestadores que correspondem às suas necessidades. É a inversão das páginas amarelas esta realidade em que vivemos.

(*) fundador da Fixando

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