Inovação "Low-Cost"

Por Nuno Batista *

Hoje em dia é muito comum que para combater as descidas drásticas nas vendas e taxas de ocupação se adopte o conceito de "Low-Cost" - inicialmente utilizado nas companhias aéreas, é agora também empregue na restauração, seguros, cabeleireiros e ultimamente em todas as empresas desesperadas por mais vendas. Mas existem perigos.



Foi pela mão das companhias aéreas que se introduziu o conceito de "Low-Cost", onde se diminuíam ao mínimo os serviços prestados, o staff e os balcões nos aeroportos. Era só entrar no site, comprar, imprimir e embarcar, mas com o passar do tempo outras áreas de negócio adaptaram este conceito que lhes pode ser bastante prejudicial até porque não nasceram apoiadas neste modelo e uma descida das margens terá necessariamente de implicar uma redução na qualidade, quantidade ou então o encerramento. Quantas vezes já me perguntaram: "Não há uma versão Low-Cost disso?".



Reduzidas margens têm normalmente uma implicação positiva imediata no comprador: preços mais baixos. Mas por outro lado se as empresas retirarem menos lucros, terão de cortar em aspectos importantes do seu produto e vejo dois pelo menos: qualidade e inovação.

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Se para vendermos mais barato reduzimos na qualidade ou na quantidade - como é o caso das companhias aéreas - é da inovação que ficamos órfãos, pois sem capital para investir as empresas estagnarão e não irão conseguir produzir nem novos produtos nem investir em pesquisa e desenvolvimento, um campo onde Portugal é o 32º classificado, atrás de países como o Brasil ou África do Sul. Contrariamente, não é de todo estranho que a nossa indústria de calçado seja hoje a segunda mais valiosa do mundo, isto porque não vende barato e consegue assim manter-se no topo da sua categoria pois tem capital próprio para continuar a investir e crescer.



Com o corte abrupto do crédito às empresas, muitas ideias são deixadas na gaveta e a verdade é que apesar de existirem alguns focos universitários de concretização de novas ideias de qualidade já comprovada, se esse crédito não for concedido e se as empresas continuarem a cortar nas margens, a verdade é que continuaremos a ser invadidos por grandes multinacionais estrangeiras que utilizaram os seus recursos de pesquisa e desenvolvimento nas suas sedes e vêm ao nosso país vender "Low-Cost", queimando todas as margens das empresas nacionais, o que para eles é óptimo.



Um conhecido investidor europeu chamado Robin Wauters esteve em Lisboa no passado mês de Junho e descreve Portugal como um "país pequeno, com problemas financeiros e onde o empreendedorismo não é activamente encorajado e muito menos decentemente suportado". Ora isto para nós não é grande novidade, mas custa-me ouvir que apesar da manifesta falta de liquidez financeira para apoiar as empresas, também muitas associações empresariais não estão em sintonia com as empresas, pois podem-se criar produtos e eventos interessantes recorrendo apenas ao associativismo.



Se as empresas não têm liquidez para investir em departamentos de pesquisa e desenvolvimento, apoiem as associações empresariais locais, apoiem a aplicação de novas tecnologias, apoiem pequenas ideias que podem vir a crescer nem que seja emprestando uma sala de reuniões, pois o investimento por vezes também consegue ser "Low-Cost".



* Webmaster & IT Manager na Medinfotec, SA

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