Dois anos depois, projecto estratégico continua praticamente parado

O que se passa com os Pólos de Competitividade?

Por Francisco Jaime Quesado (*)

O Programa "Pólos de Competitividade", estratégico para o desenvolvimento do país, constitui uma aposta central na aplicação de um novo Modelo Estratégico para a Economia Nacional. Em tempo de profunda crise internacional, com a maior parte dos sectores de actividade confrontados com falta de perspectivas de recuperação, a dinamização deste Projecto é essencial. Os "Pólos de Competitividade", como projectos integrados de base regional, acabam por ser um importante teste à capacidade de encontrar novas soluções associadas à Inovação e Conhecimento, criando condições para uma nova aposta para o futuro. Por isso não se percebe porque é que dois anos depois o Projecto continua quase parado e sem perspectivas de aceleração de execução.

Os actores nacionais (Municípios, Universidades, Associações Empresariais, entre outros) na apresentação de soluções estratégicas para os Pólos de Competitividade acabaram por ser uma surpresa positiva. Desde o "Health Cluster" ao Automóvel e às TIC, entre outros, todos os protagonistas do conhecimento vieram a jogo. Trata-se dum movimento de "aglomeração de base" da sociedade civil, numa lógica de "eficiência colectiva" em que a capacidade regional de afirmar capacidades numa lógica mais global vem ao de cima. Os objectivos estratégicos dos Pólos são claramente um exemplo de exame à capacidade efectiva dos territórios de "agarrarem" o desafio da Competitividade duma forma estruturada e coerente.

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O sucesso dos Pólos de Competitividade é fundamental para o futuro de Portugal. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas "Novas Plataformas de Competitividade" a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assunção por parte do país dum verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento económico.

Apostar em Projectos Integrados como estes significa assim assumir de forma séria o compromisso dum novo modelo de desenvolvimento. Neste contexto, a questão surge então - como deverão ser operacionalizados os Pólos de Competitividade ao longo do território? São conhecidos nesta matéria várias experiências internacionais, que vão da Finlândia ao conhecido modelo francês, passando pelo modelo de organização consolidado nos últimos anos em Espanha, através das Regiões Autónomas. Não há soluções universais e deve ser atenta nesta matéria a particular especificidade do nosso país e as competências centrais de que dispõe de forma a conseguir apostar numa solução adequada para o futuro.

O papel do Investimento Directo Estrangeiro de Inovação, articulado com Universidades e outros Centros de Competência, vai ser decisivo nesta área e ao Estado caberá a inelutável missão de regular com rigor e sentido estratégico. Mas a chave do segredo estará na capacidade local de fazer a diferença. Os Actores Nacionais (Municípios, Universidades, Associações Empresariais) terão que saber desenvolver um verdadeiro "pacto estratégico" para o futuro do seu território. Por isso a aposta nos Pólos de Competitividade não pode parar. Sob pena de se adiar o futuro.

(*) Especialista em Estratégia, Inovação e Competitividade

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