A liberdade que Maria de Lurdes Rodrigues defende implica uma mudança no paradigma da Educação

Uma Nova Ambição para a Escola

Por Francisco Jaime Quesado (*)

Maria de Lurdes Rodrigues defendeu num recente artigo que estudar é uma condição essencial para garantir a liberdade do exercício da cidadania. De facto, só com o domínio do conhecimento o indivíduo pode assegurar a sua intervenção cívica numa sociedade colectiva complexa e global cada vez mais exigente. A questão é que a liberdade que Maria de Lurdes Rodrigues defende implica uma mudança no paradigma da Educação. De facto, num tempo de crise e de falta de soluções, a Escola tem que encontrar novas respostas. A Nova Ambição para a Escola é também a Nova Ambição que queremos para uma sociedade bloqueada e que precisa de se reencontrar com o futuro.

Na "Escola Nova" de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar as "novas gerações" com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma "linha comportamental de justiça social e ética moral" como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford. Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de "reacção empreendedora" perante os desafios de mudança suscitados pela "sociedade em rede". Precisamos de um Portugal voltado para o futuro e apostado no papel das Novas Gerações.

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A "Cooperação" estratégica entre a Escola, o Meio social, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces da "vantagem competitiva" passam por este caminho. Sob pena de se alienar o "capital intelectual" de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os "actores do conhecimento" têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante.

Por isso, a oportunidade e a importância da "Escola Nova". Que para além dos efeitos ao nível da revolução na utilização das TIC como um instrumento de qualificação pedagógica tem que ter a capacidade de elevar na escala produtiva as empresas portuguesas, aumentando as exportações, consolidando dinâmicas de inovação e reforçando o emprego. É isso que conta nos tempos difíceis que vivemos. Assumir rupturas estratégicas e implantar uma Agenda de Modernidade para construir um país realmente diferente. A Educação assume-se desta forma como o "driver" efectivo da mudança e da construção duma identidade cultural mais forte.

O papel das Novas Gerações é decisivo. São cada vez mais necessários "actores do conhecimento" capazes de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa um pouco por todo o país. Capazes de conciliar uma necessária boa coordenação das opções centrais com as capacidades de criatividade local. Capazes de dar sentido à "vantagem competitiva" do país, numa sociedade que se pretende em rede. É assim que se garante a liberdade que Maria de Lurdes Rodrigues defende e que todos nós queremos cada vez mais para Portugal.

(*) Especialista em Estratégia, Inovação e Competitividade

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