Aposta Estratégica na "Escola Nova" tem que ser reforçada no futuro

Uma nova rota para o Magalhães

Por Francisco Jaime Quesado (*)

Numa altura em que se procede ao lançamento da terceira fase do Computador Magalhães e em que depois da Venezuela a Argentina e outros países manifestam interesse no Projecto, importa fazer algumas reflexões sobre o seu impacto na "Nova Escola" que se pretende construir. O Magalhães constituiu um passo marcante na afirmação por parte do Governo Português duma Aposta Estratégica na Educação como o grande "driver" de mudança colectiva da Sociedade e recentragem no Valor e Competitividade como Factores de Distinção na Economia Global. A aposta tem que continuar mas está na altura de o Magalhães sofrer uma nova rota.

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A Educação tem que ser a grande "ideia" para Portugal. Na "Escola Nova" de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar as "novas gerações" com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma "linha comportamental de justiça social e ética moral" como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford. Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de "reacção empreendedora" perante os desafios de mudança suscitados pela "sociedade em rede". Precisamos de um Portugal voltado para o futuro e apostado no papel das Novas Gerações.

A "Cooperação" estratégica entre a Escola, o Meio social, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces da "vantagem competitiva" passam por este caminho. Sob pena de se alienar o "capital intelectual" de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os "actores do conhecimento" têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante.

Por isso, a oportunidade e a importância do Magalhães. Que para além dos efeitos ao nível da revolução na utilização das TIC como um instrumento de qualificação pedagógica teve também o mérito de elevar na escala produtiva empresas portuguesas do sector, aumentando as exportações, consolidando dinâmicas de inovação e reforçando o emprego. É isso que conta nos tempos difíceis que vivemos. Assumir rupturas estratégicas e implantar uma Agenda de Modernidade para construir um país realmente diferente. A Educação assume-se desta forma como o "driver" efectivo da mudança e da construção duma identidade cultural mais forte.

O papel das Novas Gerações é decisivo. São cada vez mais necessários "actores do conhecimento" capazes de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa nos territórios. Capazes de conciliar uma necessária boa coordenação das opções centrais com as capacidades de criatividade local. Capazes de dar sentido à "vantagem competitiva" do país, numa sociedade que se pretende em rede. Por isso, têm que entrar nesta Viagem do Magalhães, em que a Rota do Futuro não pode passar ao lado.

(*) Especialista em Estratégia, Inovação e Competitividade

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