Esteve algum tempo afastada do mercado português, mas decidiu regressar e desta vez por "conta própria". A AEG Telecomunicações é agora dona do seu portfólio de produtos, que nos últimos meses tem vindo a ser reforçado e que hoje, inclusive, conheceu uma nova adição, com a disponibilização no mercado do AEG Glamour X580.

António Ary Damião, administrador da AEG, falou ao TeK sobre as expectativas da empresa relativamente ao mercado português e do que está programado para o curto prazo em termos estratégicos, tanto a nível nacional como internacional.

Tek: Depois de algumas parcerias, regressaram ao mercado português sozinhos. Porquê? Quais os benefícios retirados de uma estratégia do género e quais os riscos inerentes?

António Ary Damião:
Para entender esta decisão é preciso recuar um pouco no tempo. Em 1997/98 tínhamos a produção a ser feita na fábrica da Alemanha e uma das decisões que tomámos foi fazer o phase-out dessa fábrica. Isto deixou-nos algum tempo sem produto…

Entretanto já tínhamos consolidado a nossa presença no mercado e não queríamos deixar de ter esta posição. Foi por isso que fizemos parcerias com várias entidades, que começaram sempre bastante bem, mas infelizmente a maior parte delas não acabou da melhor forma.

Houve alguns problemas que nos levaram a terminar com essas parcerias. Assim, tomámos a decisão de que não queríamos estar mais no mercado dependentes de parceiros, daí a nossa escolha de dar um passo atrás, sair do mercado, acabar com as parcerias todas e ter tempo para delinear uma estratégia que nos permitisse estar no mercado com força e com marca própria.

Os benefícios são claramente sermos os donos do nosso produto e sermos nós a delinear a estratégia que queremos ter para os vários segmentos de mercado. Mas depois há o reverso da medalha: temos de fazer um grande esforço para investir em desenvolvimento.

TeK: Como é gerido o negócio da AEG em Portugal? Que autonomia têm?

António Ary Damião:
Temos autonomia total. A sede em Lisboa com uma delegação no Porto e escritórios em Madrid e em Hong-Kong. Em breve teremos também escritórios na Cidade do México e temos também centros assistência técnica, quer em Portugal, e em Nicarágua, El Salvador, Guatemala e México.

A grande vantagem que a AEG Telecomunicações tem é a capacidade de gerir o seu negócio de forma totalmente autónoma. A direcção está toda em Portugal e é aqui que se decide toda a estratégia de produto, segmento, preços para estes mercados onde trabalhamos. Questões administrativas e financiamento também estão connosco. Lançamentos de produto e design das caixas, por exemplo, também são tudo decisões nossas. O único tema ao qual nos temos de cingir são as regras de utilização da marca AEG.

O brand imagem tem de obedecer a certos requisitos e esta é a única área onde, de facto, não temos total autonomia para fazer o que bem nos apetece. Mas também isso não nos interessava, porque a AEG é uma marca bem estabelecida, com um forte reconhecimento, não nos interessa mudar isso.

TeK: Como avaliam o mercado nacional das telecomunicações neste momento?

António Ary Damião:
É um mercado altamente competitivo, o que beneficia o consumidor. Mas isto também resultou no facto de ser um mercado muitíssimo evoluído e muito inovador. Isso vê-se: não foi por acaso que foi em Portugal que se inventou o conceito do cartão pré-pago, o Mimo da TMN. Toda a competitividade que existe no mercado leva a que haja soluções para os clientes cada vez mais inovadoras e que vão ao encontro das necessidades dos clientes.

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É um mercado que tem servido de exemplo tecnológico para os mercados internacionais. Aqui realço o papel da PT no mercado brasileiro, onde aplicaram todo o know-how em termos de rede na Vivo. Isto é o resultado do fortíssimo investimento que todos os operadores têm feito nas suas redes, seja na fibra óptica, no aumento da largura de banda, no 4G que está previsto para o final do ano. Deste modo ficamos com um mercado bastante maduro, muito competitivo e muito inovador.

TeK: A vossa aposta em modelos destinados à população sénior e nos dual SIM tem dado fruto?

António Ary Damião:
Sem dúvida. Foi claramente uma aposta ganha e que vamos continuar a fazer. Posso realçar que o mercado sénior está a crescer, uma vez que na Europa a população está cada vez mais envelhecida. Assim, consideramos que é um mercado bastante atractivo para nós trabalharmos.

Chegámos também à conclusão de que os mercados da América Latina mostram grande apetência para este tipo de terminais. Estes dois segmentos têm sido a nossa grande aposta em Portugal nos últimos dois anos. Para este ano temos também prevista a entrada em outros segmentos que ainda não podem ser revelados.

TeK: Que expectativas de negócio têm para este ano 2011? Que papel terão os telemóveis?

António Ary Damião:
Basta olhar para os jornais e vemos crise em todo o lado. Obviamente que não somos alheios a isso e olhamos para o mercado português com alguma cautela. Não esperamos que seja um mercado tão forte como tem sido nos últimos anos, uma vez que as indicações do próprio Governo indicam uma contracção do investimento privado e público.

Felizmente, a AEG consegue contrabalançar eventuais percalços no mercado nacional com o crescimento que temos no mercado internacional. O facto de estarmos em mercados com um crescimento bastante significativo, quer seja em África, quer seja na América Latina permitem-nos olhar para 2011 com expectativas bastante elevadas, antevendo que seja um ano muito favorável e positivo para o desenvolvimento do nosso negócio.

Os telemóveis são, claramente, a "fatia de leão". Eu diria que os telefones, fixos ou móveis, serão a médio prazo o grande negócio da AEG Telecomunicações.

TeK: Que balanço faz destes anos de actividade? Que momentos destacaria?

António Ary Damião:
O balanço é claramente positivo, apesar da pausa que mencionei na primeira pergunta. Ter saído do mercado permitiu-nos delinear uma nova estratégia de como queríamos estar neste negócio. Fez-nos bastante bem e permitiu-nos que estes últimos dois anos tivessem corrido muito bem para nós. Como momento, destacaria a reentrada no mercado como participantes no final de 2008, no segmento sénior e no dual SIM.

Também não posso deixar de destacar a assinatura do contrato que permitiu a nossa internacionalização.

Finalmente, sublinho ainda mais três pontos: a entrada na América Central através da Telefonica, a entrada no mercado Sul-Africano através de um grande distribuidor e, por último, a entrada no mercado mexicano, a segunda maior economia na América Latina, que tem um enorme potencial.

TeK: O que está planeado, em termos estratégicos, para o curto prazo?

António Ary Damião:
Temos a entrada em novos segmentos ao longo de 2011 e a renovação do nosso portfólio existente, quer em Portugal, quer nos mercados internacionais. Vamos ter um investimento contínuo em produtos inovadores a preços acessível.

Estamos neste momento a acertar os últimos detalhes para a abertura do escritório no México, o que nos vai permitir trabalhar toda aquela região da América central de forma mais contínua e presencial.

Por último vamos ter também um forte investimento no desenvolvimento do negócio em África, que é um continente com enorme potencial.

Patrícia Calé

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