Com um total de 13 milhões de utilizadores registados e com uma faturação que em 2013 deverá rondar os 350 milhões de euros, assume-se como "um modelo de "empreendimento" rentável e sustentado.

Quem o diz é Thierry Petit, fundador e atual CEO da empresa, a quem o TeK colocou algumas perguntas, na altura em que o projeto de ecommerce está a comemorar um ano de existência em Portugal, com a previsão de 12 milhões de euros de receita.

[caption]Thierry Petit[/caption]

TeK: O Showroomprive em Portugal funciona como nos outros países?


Thierry Petit:
Sim, o modelo de negócio é exatamente o mesmo: somos um site de vendas privadas online, especializado em moda. Fazemos a gestão de acordos com marcas exclusivas para que vendam o stock que sobrou das suas coleções, através da nossa plataforma, com descontos entre os 30% a 70%.

Só se pode comprar no Showroomprive quando se é um utilizador registado. Atualmente em Portugal temos 500.000 utilizadores registados - 81% dos quais mulheres, valor que contrasta com os 70% em outros países. Um número excelente se tivermos em conta que lançámos o Showroomprive.pt apenas há um ano.

O registo é gratuito. As marcas que estão à venda em Showroomprive.pt atualizam-se todos os dias, com campanhas que duram cerca de cinco dias. Isto significa que os utilizadores recebem diariamente uma newsletter com diferentes propostas de marcas.

TeK: Que balanço faz deste primeiro ano de existência em Portugal?

T.P.:
Como tudo, houve um período de adaptação em que uns perfis se mostraram mais ativos que outros, fazendo compras e começando a criar tendência em seu redor.

Em Portugal, as pessoas de Lisboa e do Porto são aquelas que realizam compras com maior frequência, mas as cidades mais pequenas têm vindo a crescer no ecommerce nos últimos 10 meses. A verdade é que Portugal acabou por ser uma surpresa para nós, no sentido em que não esperávamos um êxito tão repentino e desta dimensão.

TeK: Que vantagens pode oferecer um mercado como o português? Por outro lado, quais os seus maiores handicaps?

T.P.:
Portugal tem menos empresas de comércio eletrónico a operar no país, o que supõe uma vantagem e uma desvantagem. Uma vantagem porque há menos concorrência, mas ao mesmo tempo uma desvantagem porque quantas mais empresas de ecommerce existirem num mercado, mais "evangelização" se faz das virtudes do comércio eletrónico.

A título de exemplo, quando a Index lançou a Zara em Espanha, muitas pessoas que nunca tinham comprado antes decidiram experimentar e comprar online. A Zara vende moda, sim, mas graças ao seu lançamento muitas pessoas começaram a fazer compras na Internet.

Além disso, é um mercado em que, como na maioria dos países mediterrâneos, as compras por catálogo não estavam muito disseminadas.

A outros níveis o mercado Português é muito idêntico aos restantes. No retail tem a tal maior percentagem de mulheres que compram, em comparação com os homens, mas em termos de evolução do mercado e no resto dos fatores chave analisados por qualquer empresa de ecommerce mostra resultado similares aos observados noutros mercados mediterrânicos.

As maiores diferenças estão na comparação com os países do Norte da Europa. Encontrar trabalho ali é mais fácil, os jovens emancipam-se e têm acesso a cartões bancários mais cedo, a par da maior taxa de penetração da Internet. Logo a compra de produtos online também começa mais cedo.

Em Portugal, e igualmente em Espanha, Itália e França, a faixa etária da nossa compradora tipo situa-se entre os 29 e os 49 anos, enquanto em países como a Holanda e a Bélgica é mais baixa.

TeK: Que marcas têm neste momento disponíveis para Portugal?


T.P.:
As marcas variam, dependendo do país e dos gostos dos nossos utilizadores. Em Showroomprive. pt podemos encontrar mais de 1.650 grandes marcas de moda, sapatos, acessórios e acessórios para mulher, homem e criança, cosméticos, decoração, produtos para casa, tecnologia, desporto, saúde, gastronomia.

Para nomear algumas: Moschino, Balenciaga, Kenzo, Cacharel, Diesel, Calvin Klein, Dim, Dolce &Gabbana, Miss Sixty, Adidas, Timberland, Le Coq Sportif, Etam, Crocs, Triumph, Nike, IRO, Elite, Wonderbra, Blackberry, Pierre Cardin, Rochas, entre muitas outras.

TeK: E o que é que os internautas portugueses compram mais?

T.P.:
Moda e acessórios (malas, lenços,etc) são as categorias que melhor funcionam no mercado português. Também são muito populares em Portugal as categorias de beleza e cosmética e decoração e artigos para casa.

TeK: O mobile é importante na vossa estratégia?


T.P.:
O mobile é muito importante. Fundamental. Ainda agora, a nível geral, obtivemos cerca de 30% das vendas e 40% de visitas através de telemóveis e tablets. Em Portugal estes números giram em torno dos 10%, mas em um ano estarão ao mesmo nível dos outros mercados em que operamos.
Estamos certos de que em alguns meses as visitas e as vendas geradas a partir de dispositivos móveis irão superar as obtidas através de computador portátil ou fixo.

TeK: E as redes sociais são uma aposta com futuro? Para que serve ter um perfil no Facebook?

T.P.:
As redes sociais são o canal perfeito para comunicarmos diretamente e rapidamente com os nossos utilizadores e para que eles façam o mesmo connosco. O segredo das redes sociais reside no seu poder de "prescrição"; não utilizamos o Facebook como uma ferramenta de venda, mas sim como um canal de interação para ouvir as propostas e ideias dos nossos utilizadores e potenciais utilizadores.

TeK: Que objetivos têm para Portugal para os próximos meses?

T.P.:
O nosso objetivo é ser líder em "vendas privadas" online em Portugal e os nossos investimentos vão nesse sentido. Só em setembro último o site português teve 1,4 milhões de visitas. Contamos atualmente com 500.000 utilizadores registados, número que vai com certeza aumentar com as campanhas de Natal de 2013.
Portugal é um mercado chave para a Showroomprive. Em outubro de 2012, pouco tempo depois de termos lançado o site, faturámos em Portugal o que não havíamos conseguido faturar em mercados idênticos. Foi uma surpresa que nos mostrou que o país tem um grande potencial no comércio eletrónico, quando a oferta de marcas e a procura das mesmas estão realmente coordenadas.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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