Com o verão de vento em popa, são muitas as atividades disponíveis, sejam elas nas férias da praia, campo ou simplesmente na piscina ou a praticar desporto. A necessidade de registar e partilhar os melhores momentos obriga a carregar o smartphone para tirar selfies ou gravar vídeos, mas estes dispositivos nem sempre são ideais, pelo risco de se danificarem e pela maioria não ser à prova de água. É nesse sentido que entram as câmaras de ação, cada vez mais populares para serem carregadas no bolso e estarem sempre prontas para registar momentos. Sim, estas câmaras estão associadas a atividades radicais, ou pelo menos era isso que a GoPro tentava associar à sua gama Hero, mas ao longo dos anos, viajantes e vloggers deram ao segmento um tom mais multifacetado.

A DJI é conhecida sobretudo pela sua vasta gama de drones, como a linha Mavic e os sistemas de gimbals, que servem de estabilizadores para câmaras fotográficas e smartphones. Através da sua reconhecida linha de drones, os estabilizadores e a tecnologia concebida para as câmaras de filmar, levaram mesmo a empresa a ser premiada em 2017 com um Emmy na área de tecnologia e engenharia, pelas oportunidades criativas oferecidas aos produtores cinematográficos, usando imagens aéreas em coberturas de eventos e programas de televisão.

A fabricante chinesa decidiu este ano entrar no segmento das câmaras de ação, e entrou de pés juntos no espaço dominado pela GoPro com a Osmo Action. O dispositivo compacto e resistente que o SAPO TEK andou a testar nos últimos dias, promete ombrear diretamente na sua estreia com o experiente rival, que este ano vai entrar na sua oitava geração. Com um design muito semelhante e com preços próximos, a rondar os 350/400 euros (de notar como a GoPro finalmente compreendeu a sombra da concorrência e começou a baixar o preço das suas câmaras), a DJI Osmo Action tem funcionalidades equivalentes à GoPro Hero 7 Black. Nomeadamente a capacidade de gravação até 4K a 60 FPS, assim como registar imagens em slow motion 1080p a 8X, capaz de oferecer um detalhe inesquecível nas suas frames.

Pode gravar os ficheiros de vídeo em formato Mov ou MP4 diretamente da câmara. Apesar de ter redução de ruído para vento, continua a ser um pesadelo para as fabricantes gravar voz na rua, e esta Osmo não é exceção. Pelo menos o microfone é potente e consegue sobrepor as vozes acima dos ruídos em redor (como pode testemunhar no vídeo mais à frente no artigo). Nesse caso, é aconselhável obter equipamento de áudio externo, ou terá pela frente uma maratona de edição, para tentar equilibrar o ruído e a voz.

Em termos de qualidade de imagem, não há dúvida que os exteriores ficam registados de forma maravilhosa. As imagens são vívidas, coloridas, com excelentes contrastes, notando-se os pormenores e texturas dos elementos. Nos interiores perde um pouco dessa qualidade, sobretudo em ambientes com menor luminosidade, mas isso até se entende, visto que este tipo de equipamento não foi concebido para estes cenários.

Mas se há algo onde a Osmo se destaca é a tecnologia RockSteady, que funciona como uma espécie de coelho da cartola, mas que no fundo seria inevitável. Depois de anos a afinar o sistema de estabilização eletrónica de imagem (EIS) nas câmaras dos seus drones, o novo equipamento herda da tecnologia os algoritmos “complexos” para manter a imagem estável, mesmo em ambientes mais agressivos. Para o teste não pratiquei nenhuma modalidade radical, mas quando se tem uma cadela de raça labrador, é fácil “simular” os tremeliques próprios dos empedrados e instabilidade. No vídeo capturado, a imagem do animal está praticamente estabilizada, utilizando a mesma mão que segurava a trela para filmar. Os constantes puxões, visíveis pela trela a agitar-se, não afetou a estabilidade de imagem da câmara, comprovando assim a eficácia do sistema da DJI.

No que diz respeito às fotos, a câmara pretende oferecer algo mais aos profissionais, ao permitir capturar fotografias, não só no habitual formato jpg, como em RAW, para os fotógrafos que querem total controlo sobre as imagens. Tem ainda regulação de ISO até 3.200, controlo de exposição e balanceamento dos brancos. Tal como os vídeos, as imagens parecem detalhadas nos exteriores, com especial realce dos detalhes.

Pequeno “tijolo” blindado

Fisicamente a câmara é leve e muito compacta, oferecendo três botões físicos, com um tamanho generoso, facilmente acedidos mesmo utilizando luvas. Há um botão de alimentação, um para gravar e o terceiro é o chamado QS (Quick Switch) que serve de comutador entre os diferentes perfis pré-definidos, para que troque facilmente entre resoluções, sem a necessidade de aceder às definições. O sistema SnapShot serve para que o utilizador nunca perca um momento de urgência, já que do estado de repouso é possível em dois segundos estar a gravar com as configurações pré-definidas.

Nas definições pode atribuir outras funcionalidades a este comutador, como o diferente tipo de registo de fotografias. Uma luz no topo da câmara, junto ao botão de gravar e outro na frente, perto da lente ajudam a observar o estado do equipamento, se está a gravar ou simplesmente ligada. Tem dois orifícios de microfone, um no topo outro na lateral direita, superfície que tem também o altifalante para ouvir os vídeos em playback.

Sendo uma câmara à prova de água, até 11 metros, sem qualquer invólucro adicional, os compartimentos tanto de acesso à bateria, como do cartão de memória estão protegidos por uma tampa selada, com dupla proteção. E a bateria tem dois pequenos fechos de segurança. A ligação ao computador é feita através de entrada USB-C, junto à ranhura de cartões. De destacar ainda o material emborrachado em redor da moldura, que repele partículas e humidade, tornando-se confortável de a manter nas mãos.

Por fim, o melhor da câmara, e talvez seja um dos principais trunfos (além da tecnologia RockSteady) é a presença de dois ecrãs. Sim, a câmara é muito pequena, mas para além de um funcional ecrã tátil a cores, na parte traseira, que ocupa praticamente a superfície do equipamento, há ainda um mini visor frontal em formato quadrado. Este ecrã tem uma excelente definição, ainda que de tamanho reduzido, servindo obviamente para gravar vlogs ou atividades em que é necessário enquadrar o utilizador na imagem. E para alternar entre os ecrãs pode premir a fundo o botão QS, ou simplesmente fazer duplo toque com dois dedos no ecrã tátil. Ao utilizar o ecrã frontal perde-se as funcionalidades touch, ou seja, as diversas opções via ecrã tátil deixam de ser acessíveis. Pode optar por manter a imagem esticada na sua dimensão, ou enquadrar em 16:9, utilizando barras horizontais negras no topo e baixo do ecrã.

O ecrã tátil principal, na traseira do dispositivo, é estupidamente funcional, com as opções e definições agrupadas nas suas quatro margens do display. Basta deslizar o dedo da extremidade esquerda para aceder ao leitor de vídeos e fotos; na direita as definições de ISO e exposição; em baixo a resolução e FPS; e em cima as definições gerais da câmara. O ecrã tem rotação, pelo que pode o equipamento tanto na vertical como horizontal.

Pode falar, mas por vezes é surdo como um “tijolo”

Uma funcionalidade interessante desta Osmo são os comandos de voz disponíveis, mas apenas disponíveis em idiomas inglês ou chinês. São apenas meia dúzia de comandos, e são no fundo um gimmick engraçado, mas nem sempre funcional. Durante os testes nem sempre respondem à primeira, em locais calmos, quanto mais ao ar livre, com a interferência do vento. Ou será o nosso sotaque? Quando dá por isso está a gritar os comandos para o equipamento, que nem tem culpa… As ações de voz disponíveis passam por ordenar o dispositivo gravar e parar, tirar uma fotografia, mudar de ecrã e desligar a câmara. A voz funciona, mas como disse, nem sempre quando queremos.

Relativamente a acessórios, esta será uma das principais desvantagens face à concorrência, nesta fase de lançamento. Ao longo dos anos a GoPro amealhou um leque impressionante de periféricos e suportes, que graças ao sucesso das câmaras de ação estimulou fabricantes “third party” a desenvolverem apêndices para as mais variadas utilizações, que a DJI ainda não tem. Em todo o caso, a câmara traz na caixa uma moldura com um encaixe de base, preparado para acoplar em qualquer outro acessório que se venha a desenvolver, como por exemplo um self stick ou gimbals. Tem ainda autocolantes para fixar a base em superfícies como capacetes ou pranchas de surf.

A DJI estudou bem o seu rival GoPro, e um dos problemas apontados a algumas das suas gerações é que a utilização prolongada sobreaquece a câmara, fazendo-a desligar-se (sobretudo na quarta geração). A empresa chinesa refere que introduziu um sistema de arrefecimento, através da transferência do calor, dissipando-o mais rapidamente, para que trabalhe durante mais tempo.

A câmara apresenta uma bateria de 1.300 mAh, que segundo a empresa chinesa, consegue gravar perto de duas horas a 1080p a 30 FPS se desligar o sistema de estabilização Rocksteady. Ou perto de hora e meia a 4K e a 60 FPS com o Rocksteady ligado. E apesar de não termos levado ao extremo a utilização da bateria, nunca ficámos “pendurados” durante as sessões de teste. Obviamente que deverá, como com qualquer outra câmara, ter baterias adicionais prontas a trocar, ou ter um power bank sempre por perto para uma emergência.

De referir ainda que a câmara é compatível com o DJI Mimo, a aplicação da fabricante para controlar os seus dispositivos através do smartphone ou tablet via Wi-Fi. Neste caso, é possível aceder a maioria das funcionalidades de gravação e obter a visualização da imagem no display do smartphone. Embora a imagem não seja tão natural e fluída como a que mostrada na câmara, apenas há latência quando se grava em resoluções muito elevadas.

De um modo geral, a Osmo Action é uma grande entrada da DJI no mercado das câmaras de ação, mostrando que estudou muito bem a referência no segmento, a GoPro Hero. O resultado foi igualar praticamente a oferta tecnológica da rival, mas introduzir os seus próprios trunfos. O ecrã duplo, a qualidade de gravação dos vídeos e fotografias, e sobretudo o sistema de estabilização eletrónica proprietária da empresa tornam esta câmara uma das referências do panorama atual do segmento. É muito compacta, robusta e com uma excelente autonomia. E o seu preço, equivalente a uma GoPro Hero 7 Black, diz muito da agressividade com que a DJI entrou neste segmento.

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