Atualmente não é difícil comprar um smartphone. Difícil é escolher o telemóvel que se quer. Isto porque há equipamentos para todos os preços, de diferentes marcas e com características variadas. Mas também há muita repetição e por este mesmo motivo os consumidores acabam por ficar confusos: porque há uma discrepância tão grande de valores?



Esta situação é ainda mais acentuada no universo Android onde a experiência de utilização do sistema operativo é na sua grande maioria igual. Porque é que existem telemóveis como o Samsung Galaxy S5 que custam 650 euros na hora de lançamento e outros equipamentos mais poderosos, como o OnePlus One, conseguem chegar com um preço quase três vezes inferior?



A resposta pode ser dada de muitas formas e seria preciso cada empresa responder por si para perceber o que move cada uma na estratégia de comercialização de equipamentos.



A bq é uma das empresas que tem tentado garantir um equilibrio daquilo que seria ideal para o consumidor: um preço muito próximo ao real valor que o telemóvel garante – e sim, estou a assumir que um smartphone mesmo sendo topo de gama, dificilmente vale os 700 euros pedidos. Não é a única marca que o faz – basta lembrar por exemplo a Wiko -, mas é talvez aquela que o faz há mais tempo no mercado português.



A tecnológica espanhola esteve recentemente em Portugal para apresentar os seus dois novos dispositivos – o smartphone Aquaris E5 4G e o tablet Aquaris E10 – e o CEO da empresa defendeu na altura que o objetivo primário é “entregar os melhores equipamentos ao preço mais justo e com a melhor experiência de utilização”.

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O TeK experimentou ao longo das últimas semanas estes dois equipamentos e no final fica a sensação de que a empresa está de facto a cumprir com a missão a que se propôs. Ou seja, os telemóveis da bq entregam aquilo que a maioria dos utilizadores procura num equipamento e por um preço mais simpático do que as grandes marcas de smartphones como a Samsung, Sony, LG e Asus costumam praticar.



Estes são os pontos positivos e negativos da nova dupla da bq para o mercado português.


bq Aquaris E5 4G

O smartphone é em tudo semelhante ao bq Aquaris E5 que já está no mercado há algum tempo. O grande diferencial está no suporte para redes móveis de última geração, o 4G, que coloca o telemóvel melhor posicionado para responder a algumas das novas necessidades dos utilizadores.



Neste ponto a velocidade de navegação na Internet foi sempre boa e dentro da cidade de Lisboa foram raras as vezes em que a rede 4G não esteve ligada. Este bq Aquaris não apresenta a mesma capacidade de débito de outros equipamentos que estão no mercado, mas é notória a diferença que existe por exemplo para smartphones limitados a redes 3G.



Claro que o utilizador precisa de ter um tarifário de telecomunicações que permita tirar partido desta vantagem. Mas mesmo que o 4G não seja para já uma necessidade, mas antes uma perspetiva de investimento, o Aquaris E5 4G apresenta-se como um telemóvel com uma boa relação qualidade preço.



O ecrã é de cinco polegadas e tem uma resolução HD, mas conseguindo apresentar uma boa definição e tendo a seu favor o facto de apresentar cores brilhantes e vivas. O processador de quatro núcleos garante um desempenho limpo e sem engasgos – e assim devia ser a experiência de todos os Android -, muito por causa da escolha de usar uma versão “pura” do sistema operativo móvel da Google.



Aplicações de redes sociais, de jogos e outras de entretenimento – como o Twitch – não apresentaram qualquer problema ao nível do desempenho, o que indica que também no aspeto gráfico o smartphone da bq está talhado para responder às exigências das aplicações atuais.

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Mas como telemóvel o Aquaris E5 4G acaba por desiludir em alguns pontos como ao nível do design – é um equipamento demasiado grosso para os dias atuais – e ao nível do sensor fotográfico. Apesar de apresentar uns respeitosos 13 megapíxeis na câmara principal, a verdade é que a qualidade das fotografias deixa um pouco a desejar e mesmo em condições de boa luminosidade existe demasiado “grão” nas composições.



Quando as condições de luminosidade são más é ainda mais notória a pouca capacidade do sensor escolhido para o smartphone.



Lamenta-se ainda o facto de apenas ter disponível 1GB de RAM pois apesar de o Android ter ficado mais “leve”, com o tempo algumas aplicações, sobretudo os jogos, tendem a ser mais exigentes o que pode comprometer a experiência a médio e longo prazo.



Resumindo, um smartphone muito equilibrado, com as características técnicas que permitem ter uma utilização saudável do telemóvel e tudo por um preço acessível de 209,90 euros – para a variante com 8GB de armazenamento interno. O facto de ter suporte para dois cartões SIM ajuda a aliciar ainda mais quem é muito dado às comunicações móveis.


bq Aquaris E10

A espanhola bq tinha até aqui vindo a praticar duas estratégias diferentes dentro da área mobile. Mas talvez com base no sucesso que tem tido nos smartphones, decidiu aplicar a fórmula Aquaris a um tablet e o resultado final é um equipamento muito interessante para quem procura uma ferramenta de entretenimento e também para a área profissional.



A rapidez com que é possível executar tarefas e aplicações no tablet colocam-no bem posicionado para a consulta de informação de forma rápida – pode por exemplo usar o equipamento como um ecrã de apoio para ler e enviar informação para os colaboradores da empresa.

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Usar o tablet como ferramenta de trabalho esporádica também não foi um problema e por exemplo, foi com a ajuda do Aquaris E10 que o TeK acompanhou o adiamento da votação da lei da cópia privada.



A resolução do ecrã de 10 polegadas é apenas HD e esse é de facto um ponto negativo pois nota-se claramente que o ecrã não é um dos pontos fortes do equipamento – e num tablet o ecrã deve ser responsável por 50% da decisão de compra. E mesmo ao nível de cores não existe um brilho tão apelativo como no smartphone 4G.



Já o aspeto robusto que não gostamos no Aquaris E5 4G está outra vez replicado no Aquaris E10, mas no tablet a fórmula ajuda a que o resultado final seja muito mais positivo. Num tablet de grande dimensão é bom ter grossura por onde agarrar e dar estabilidade ao equipamento – pois escrever num dispositivo muito fino sem a ajuda de uma capa torna-se uma tarefa “tremida”.



Este não é um tablet para segurar durante uma hora a fio sem o pousar pois o tamanho e a robustez sentem-se no peso. Mas o Aquaris E10 não deixa de ser bastante portátil e ergonómico, cabendo em qualquer mochila ou pasta de executivo.



Quanto à área dos jogos não é fácil colocar o Aquaris E10 como um dispositivo indicado para a tarefa. Pois apesar de aguentar bem o grafismo de vários títulos, o grande tamanho do ecrã e o facto de a maior parte das aplicações para Android serem “esticadas” na versão tablet dão origem a uma experiência que não é a mais apelativa.



E apesar de vir com uma câmara fotográfica traseira, a mesma é de baixa qualidade e seria preferível ver a bq a fazer uma única aposta e mais robusta na câmara frontal em vez de gastar “cartuchos” com uma câmara que nem sequer consegue justificar-se.



A versão que o TeK testou tinha suporte para cartão SIM, o que coloca o equipamento nos 299,90 euros. Pelo desempenho, características e qualidade que apresenta, só peca mesmo pelo ecrã pouco ambicioso. Façam-no Full HD e será difícil resistir-lhe.



Há uma versão mais barata, na casa dos 259,90 euros, e talvez essa seja a proposta mais “justa” e mais apelativa sabendo que poucos darão um uso pleno às capacidades de comunicação móvel num tablet.

O temor das marcas low cost



Mas qual a razão para muitos consumidores não comprarem equipamentos equilibrados como os da bq, Wiko ou Yezz? A justificação está justamente no nome: não são tão conhecidos, não têm um passado tecnológico forte e de relevo e ainda têm de conquistar a confiança dos utilizadores.



Neste caso em particular, o da bq, gostava de explicar que percebo a preocupação que alguns consumidores podem ter e, ironia ou não, fui vítima de falhas que ajudam a criar uma opinião desfavorável relativamente a estes dispositivos móveis mais baratos.



A análise feita ao Aquaris E5 4G tem por base um segundo modelo do smartphone recebido na redação do TeK, isto porque o primeiro equipamento simplesmente não funcionava. Ligava, aguentava-se uns minutos ligados, mas depois congelava e acabava por ficar com o ecrã todo preto. Era necessário desligar o equipamento “à bruta”, mas nem depois da reinicialização o smartphone ia ao sítio.



Fiz alguns resets de fábrica e tudo continuou na mesma. Só com a troca do equipamento a questão ficou resolvida.



Pensei "talvez fui vítima do “azar”, que fiquei com a ovelha negra da linha de produção. Isto até ver que o tablet que tinha comigo também em três ocasiões reiniciou sozinho, sem motivo aparente e sem que nada o justificasse. Sempre que aconteceu não estava a meio de nada importante, mas podia ter causado a perda de algum trabalho. E isso é algo que ninguém quer, nem a própria bq.

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Quer isto dizer que a bq é uma marca a evitar? Longe disso. Quer dizer que estou na obrigação de transmitir todas as experiências que tive com estes dois equipamentos da empresa.



E a bq é uma marca que tem ainda muito para aprender no que diz respeito ao desenvolvimento e fabrico de telemóveis. A empresa tem compensado esta parte com um apoio ao cliente que está disponível de várias formas e é desta maneira que tem conquistado a confiança de muitos portugueses.



E na minha opinião o facto de a bq estar a preparar a atualização de uma boa parte dos seus dispositivos para o Android Lollipop ajuda mais uma vez a justificar a questão do "justo preço" do equipamento – quando se compra um telemóvel não é só para um mês, é para vários anos – e o compromisso que a empresa está a assumir no campo da satisfação do cliente.


Considerações finais

A bq tem conquistado espaço no mercado português sem recorrer a nenhum fórmula mágica. Recorre sim ao entendimento correto dos desejos do utilizador: quer smartphones com ecrãs grandes, com processadores que garantam uma jogabilidade limpa e o acesso rápido à Internet, além de conseguir manter um preço acessível.



E que fique aqui saliente, a questão das falhas é transversal a uma grande variedade de equipamentos que existem no mercado, não é só um problema da bq. Podem ser outro tipo de falhas, mas não deixam de condicionar o pacote todo.



Mas mesmo tendo estas experiências negativas, os equipamentos da bq acabaram por convencer. Talvez mais o tablet do que o smartphone - a linha Aquaris E5 já não apresenta surpresas -, mas o desempenho foi sempre fluído, vão garantir acesso à próxima versão do Android e lá está, têm o tal "preço justo".



O mais importante num dispositivo móvel é a experiência de utilização - e foi por isso que durante muito tempo o Android como sistema operativo foi criticado - e a bq entrega isso, em dispositivos com valor e que devem constar na lista de qualquer pessoa que tenciona comprar um tablet ou smartphone no segmento de média gama.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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