Por Miguel Fonseca (*)

No cenário digital atual, as organizações enfrentam uma pressão constante para entregar soluções rápidas, flexíveis e de qualidade, enquanto lidam com complexidade dos sistemas legados e fortes exigências de integrações. Embora o desenvolvimento tradicional continue relevante, nem sempre acompanha o ritmo do mercado. As plataformas low-code ganham destaque ao oferecerem soluções ágeis, acessíveis e colaborativas para a criação de soluções digitais.

De acordo com previsões do mercado, até 2026 mais de 75% das aplicações empresariais serão desenvolvidas com plataformas low-code (LCAPs) ou no-code. Este crescimento, de 50% face a 2020, evidencia uma mudança estrutural na forma como construímos tecnologia.

Atualmente, já se desmistificou a ideia de que o low-code serve apenas para necessidades pontuais. As suas capacidades, da criação de protótipos à automação de processos internos, expandem o ecossistema aplicacional das organizações e ajudam à escalabilidade dos negócios. Além disso, estas plataformas são adequadas para desenvolver grandes aplicações empresariais, que exigem arquitetura robusta, alta disponibilidade e conformidade regulatória

O valor do low-code é exponenciado quando usado de forma estratégica, e especialmente comprovado quando experienciado em contextos de grande escala (large systems) e operações críticas. Ao acelerar a fase de conceção e prototipagem, o low-code permite que equipas técnicas e de negócio colaborem mais proximamente, encurtando o ciclo entre a conceção de uma ideia e a sua validação junto ao cliente.

A acessibilidade é outro ponto de destaque. Enquanto linguagens tradicionais como Java ou .NET exigem anos de experiência e a introdução de equipas dedicadas, as plataformas low-code tornam possível que profissionais sem formação técnica avançada, participem no processo de criação de aplicações.

Várias plataformas de low-code estão ativamente a trabalhar para que as suas interfaces cumpram as boas práticas de acessibilidade by default, permitindo que as equipas mantenham o foco no valor de negócio e reduzam a dependência de competências técnicas específicas no desenvolvimento da experiência do utilizador (UX).

A democratização do desenvolvimento traz mais diversidade na resolução de problemas e reduz a dependência de equipas altamente técnicas. Os programadores podem focar-se em desafios complexos, enquanto tarefas repetitivas são aceleradas com low-code. Além disso, a redução de horas de programação aumenta a eficiência, a segurança e o governo das iniciativas, otimizando recursos.

Um outro ponto positivo é o impacto direto que as tecnologias low-code estão a ter na resposta a projetos de clientes. Ao permitir ciclos de desenvolvimento mais curtos, estas soluções aumentam a velocidade de entrega e possibilitam chegar ao mercado com maior rapidez.

Por outro lado, ao manter a intervenção humana no processo – o chamado human in the loop – é possível adaptar e melhorar continuamente as soluções em tempo real, potenciando o investimento feito e acelerando o ciclo de inovação.

As novas gerações de plataformas já integram funcionalidades de inteligência artificial, capazes de sugerir melhorias, detetar potenciais erros, de transformar descrições em linguagem natural em protótipos funcionais e têm arquiteturas nativas de Agentic AI. Esta combinação cria um ambiente mais colaborativo, intuitivo e produtivo, onde a barreira de entrada é menor e a inovação acontece mais rapidamente.

O low-code não é apenas uma tendência passageira, mas sim uma peça estratégica que promove a colaboração entre as equipas técnicas e de negócio e acelera a entrega de valor ao cliente.

A expressão “You can fail faster or, more importantly, succeed faster” serve como uma luva ao low-code. Ao integrarem esta abordagem de forma inteligente, as empresas conseguem não apenas responder às exigências atuais do mercado, mas também preparar-se para um futuro em que a agilidade, segurança e a colaboração serão os principais diferenciais competitivos.

(*) Director Consulting - Emerging Technologies na CGI