No final de setembro a Samsung apresentou dois novos dispositivos: a terceira versão do Galaxy Note e o Galaxy Gear, o relógio inteligente da empresa para a era dos equipamentos vestíveis. Comercialmente a tecnológica sul-coreana criou uma ligação entre os dois dispositivos - no lançamento o Gear apenas era suportado pelo Note 3 -, mas a realidade mostra que apesar de funcionarem bem juntos, são dois produtos em estados de maturação muito diferentes.

No caso do Galaxy Note 3 a Samsung fez o que lhe competia, isto é, conseguiu melhorar o telemóvel relativamente à geração anterior. A missão foi cumprida e possivelmente superou as expectativas. O Note 3 além de ser possivelmente o melhor smartphone Android do mercado tem consigo toda uma paleta de características próprias que fazem os utilizadores equacionarem este segmento de equipamentos.

A Samsung diz que vendeu mais de 38 milhões de telemóveis Note em todo o mundo desde 2011. É um conceito vencedor e que obrigou outras fabricantes do Android a explorarem os equipamentos com ecrãs acima das cinco polegadas.

O que mais impressiona no Note 3 é o tamanho do ecrã e a sua qualidade. São 5,7 polegadas que assustam de início, mas que acabam por fazer com que os olhos se habituem. Um par de semanas com o Note e a maioria dos restantes smartphones começam a parecer pequenos.

O tamanho também não é indiferente às restantes pessoas: "trouxeste a televisão contigo hoje" foi um comentário recorrentemente ouvido. Mas rapidamente o descrédito é substituído por elogios ao telemóvel.

[caption]Galaxy Note e Galaxy Gear[/caption]

Relativamente à versão anterior o novo topo de gama da tecnológica sul-coreana evoluiu para um ecrã de resolução Full HD. A tecnologia continua a ser Super AMOLED, o que garante boas cores, ainda que por vezes possam parecer demasiado artificiais.

Jogar, navegar na Internet, ver séries - e sem grandes dificuldades - são tarefas que qualquer um vai querer experienciar no Note. O ecrã maior também é justificado pelo facto de este smartphone ter uma componente criativa, logo, é necessário mais espaço para a produção de conteúdos. Ainda assim o telemóvel consegue ser mais fino e ligeiramente mais estreito que o Note 2.

Ainda que os olhos gostem da experiência, manusear o Note 3 já é outra conversa. Segurar o telemóvel com uma mão e executar algumas tarefas é simples, mas muitas vezes o utilizador vai precisar das duas mãos para o controlar. Para colmatar esta não-falha, a Samsung disponibiliza um modo de funcionamento desenhado para controlar o telemóvel apenas com uma mão. Ainda assim, e sobretudo junto do segmento feminino, é uma característica que pode condicionar a sua escolha.

Depois do ecrã é a S Pen, a caneta digital, que volta a fazer toda a diferença. É um extra que os outros telemóveis não têm ou pelo menos não conseguem ter com tanta qualidade e precisão. Além da precisão a caneta da Samsung é o motor de um conjunto de ações de acesso rápido que ajudam a explorar as suas capacidades.

Carregar no botão da caneta abre uma lista de atalhos que podem ser navegados apenas sobrevoando o periférico no ecrã, sem necessidade de contacto. Carregar no botão e pressionar a caneta no ecrã durante algum tempo permite captar um screenshot que fica de imediato disponível para edição de imagem. Carregar nesse mesmo botão e selecionar determinada área no ecrã permite copiar esse pedaço de conteúdo para partilha. Tarefas simples e com algum valor de produtividade.

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De origem vêm algumas aplicações que permitem tirar proveito da S Pen, como é o caso do Sketchbook e dos software de anotações próprios da Samsung, mas também já há um conjunto de aplicações que dão mais razão de ser a este segmento de equipamentos. O FlipaClip e Como Tirar Lições de Arte foram duas apps que o TeK gostou de experimentar.

Também existem algumas novas funcionalidades e que mostram realmente como as tecnologias são smart: se escrever um número de telemóvel à mão nas anotações de ação e selecionar com a caneta, o Note 3 transporta o utilizador para a aplicação de telefone e permite adicionar o contacto ou ligar diretamente para aquela pessoa.

Apesar de ser um smartphone para todos, o TeK considera que existe um perfil de utilizadores em que o Note 3 se justifica mais: empresários, designers, produtores de conteúdo, gestores de informação. Mas se é um utilizador comum que procura um smartphone topo de gama também é obrigatório considerar esta solução da Samsung: quando der por si vai estar a rabiscar desenhos no telemóvel como se fosse uma criança que está no meio de uma aula menos atrativa.

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A performance é potente - processador de quatro núcleos e 3GB de memória RAM - e o sensor fotográfico de 13 megapíxeis consegue fotografias de boa qualidade. Fica a faltar é um estabilizador de imagem.

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A Samsung voltou a esmerar-se foi na bateria. O tamanho do Note 3 permite que a empresa trabalhe bem neste campo, sendo que o telemóvel aguenta dois dias longe de carga com uma utilização sistemática. Nem o facto de estar ligado por Bluetooth ao Samsung Galaxy Gear durante quase todo o dia condiciona o desempenho.

O pecado continua a ser a construção do equipamento. O aro metálico em redor do equipamento dá um aspeto mais premium, a parte frontal em plástico "envidraçado" também é de qualidade, mas a capa traseira como imitação de pele volta a desiludir. Está melhor do que no Galaxy S4 por exemplo, mas um telemóvel que custa cerca de 700 euros e apresenta como acabamento principal o plástico, é algo que vai continuar a meter confusão na cabeça de muitas pessoas - e com razão.

"Está lá? Que horas são?"

O Galaxy Note 3 foi durante algumas semanas o único companheiro do Galaxy Gear, o relógio inteligente da Samsung. Entretanto a tecnológica já disponibilizou atualizações de software que fazem com que modelos como o S4 também suportem o gadget de pulso.

Tal como o TeK já tinha apontado, o Galaxy Gear tem realmente um conjunto de inconvenientes. Mas o equipamento é bastante funcional e corresponde aquilo que é prometido pela marca - ainda que possa não corresponder ao que era esperado pelos consumidores.

É uma pena que o relógio dependa de um smartphone para a grande maioria das suas atividades. Só este facto tira algum propósito à definição de relógio inteligente. Os factos de não ser resistente à água e de a bateria ser limitada também desanimam. Ainda assim o Gear aguenta bem com dois dias de utilização estando sempre ligado ao Bluetooth do Note.

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Ler mensagens no pulso é um conceito que faz sentido e que acaba por ser prático. Se a pessoa vai na rua é menos distrativo olhar para um ecrã de 1,6 polegadas do que olhar para um de 5,7 polegadas como o do Note 3. Receber chamadas é que já não é tão discreto. A comunicação funciona sem problemas, mas trabalha à base da alta voz - ou seja, se atender uma chamada com o pulso todos à sua volta vão ouvir o que está a ser dito. Será necessário um periférico para resolver este problema, mas assim a Samsung estaria a hipotecar o sucesso do Gear.

Existem aplicações nativas que funcionam muito bem, como é caso do podómetro. É bastante preciso, permite definir um perfil de utilizador e traçar objetivos, além de disponibilizar o número de calorias queimadas. Na loja de aplicações também já existe um número considerável de software próprios e com características interessantes. Há uma aplicação por exemplo que permite que seja o utilizador a criar o seu próprio mostrador do relógio, além de existirem nomes de peso como o Snapchat ou Path.

[caption]Galaxy Note e Galaxy Gear[/caption]

O Gear é controlado acima de tudo através de gestos no ecrã. Só há um botão que é o de energia. Este conceito simplista está de acordo com as mais recentes tendências e é uma aposta que a Samsung deve manter.

O processo de configuração está bem conseguido, bastando aproximar o telemóvel ao relógio com a doca de carregamento – o NFC faz o resto. O utilizador deve depois descarregar a aplicação Gear Manager e começar a explorar o gadget de pulso.

Apesar de ter capacidades de vídeo e fotografia, o conceito multimédia no Gear é limitado sobretudo na qualidade. No entanto é preciso lembrar isto como um extra e não como um campo onde o relógio deveria se destacar.

Um aspeto que precisa de ser melhorado é relativamente às notificações. Quando o utilizador recebe uma mensagem por exemplo, toca o telemóvel e toca o relógio com um intervalo de alguns centésimos de segundo. Mas visto que o relógio é feito para estar sempre no pulso e o telemóvel pode até estar pousado numa mesa, a notificação principal quando estão os dois equipamentos conectados devia ser dada no relógio.

Têm chovido algumas críticas ao Galaxy Gear e muitos apontam o produto da Samsung como inacabado. O TeK concorda com esta perspetiva, mas é um facto inegável que o relógio inteligente é um produto de primeira geração. Ainda assim bem conseguido e funcional. Há muito para evoluir, sobretudo no formato - demasiado masculino para as "utilizadoras" -, na independência relativamente a outros dispositivos e no preço. A Samsung pede 300 euros pelo relógio. A Sony pede cerca de 200 para um equipamento com capacidades semelhantes, por exemplo.

A autonomia precisa de ser melhorada e a questão do "à prova de água" também. A parte do inteligente não está em questão, agora o Gear precisa é de ficar mais relógio.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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