Ninguém pode garantir que a segunda geração do Surface vai cumprir as expectativas de vendas definidas pela Microsoft e pelos analistas, superando aquilo que foi assumido como uma deceção na primeira investida da empresa neste mercado, com marca própria. Mas como já tinha acontecido nas análises feitas aos primeiros modelos, o Surface 2 mostra estar à altura das exigências colocadas a um tablet neste segmento, trazendo a melhoria em alguns dos pontos fracos apontados à primeira geração, embora não em todos.

[caption]surface 2[/caption]

Desta vez a Microsoft colocou ao mesmo tempo no mercado português as duas versões do Surface, o modelo orientado para o consumo - o Surface 2 - e o modelo profissional - o Surface 2 Pro - e os dois chegaram também ao mesmo tempo à redação do TeK, pelo que foi preciso dar prioridade a uma das análises.

[caption]surface 2[/caption]

Para começar escolhemos o Surface 2 um modelo mais leve e atraente para quem procura no tablet um companheiro em algumas situações mas que ainda não está disposto a substituir completamente o computador pessoal. Mas quase…

Para quem estava habituado ao primeiro Surface esta nova geração traz uma sensação e familiaridade, contrabalançada com um aspecto mais refinado, ligeiramente mais fino e leve, mas também com melhorias na qualidade do ecrã. Como se vê na imagem a baixo é preciso perspicácia para descobrir as diferenças

[caption]descubra as diferenças[/caption]

(se não percebeu à primeira, o Surface 2 é o que está à esquerda)

[caption]logo Windows traseira[/caption]
A cor cinzenta e o metal usado no chassi fazem a diferença para este aspecto mais leve, mesmo que seja só em alguns gramas (mais precisamente 5 gramas a menos e uma redução de 0,3 mm na espessura e 1 mm na largura). E na parte traseira deixa de estar apenas o logo do Windows para aparecer gravada a palavra Surface.

A nível da ergonomia há também uma mudança valiosa para quem usa o tablet sobre a secretária: o suporte traseiro (Kickstand) tem agora mais uma posição, que permite uma inclinação a 45 graus, facilitando a visualização do ecrã sem obrigar a que o utilizador se curve, sobretudo quando está a usar o teclado…

[caption]suporte[/caption]

Usabilidade e rapidez
Quando se liga o tablet as diferenças começam porém a sobressair. Primeiro no próprio sistema operativo, que continua a ser o Windows RT mas na versão 8.1. Sim, a mesma que deu problemas nas atualizações, mas que já foram corrigidos…

Na versão pré-instalada no Surface que testámos não houve qualquer problema a registar, mas apenas vantagens que já foram identificadas numa montra que o TeK publicou no final da semana passada.

A maior facilidade no acesso e descoberta das aplicações é uma das mais valias, mesmo que o botão Iniciar esteja longe de manter as mesmas funções a que nos habituou até ao Windows 7…

Mas há também as limitações já muito salientadas deste sistema operativo para processadores ARM, nomeadamente a falta de compatibilidade com grande parte das aplicações Windows e a dificuldade de contornar as exigências de instalar as aplicações a partir da loja de apps do Windows, que ainda tem uma oferta limitada…

Numa altura em que outros estão a abandonar o Windows RT é sintomático que a Microsoft mantenha o apoio ao sistema operativo, também no Nokia 2520, oprimeiro tablet lançado pela Nokia, que complementa a oferta dos Surface.

O processador Nvidia Tegra 4, em substituição do Tegra 3 que integrava a primeira geração, faz com que todo o acesso às aplicações e o processamento de imagens seja mais rápido, mas também garante uma melhoria na autonomia de bateria, que é agora de 10 horas face às 8 horas disponíveis anteriormente.

A qualidade do ecrã torna-se também mais visível quando este se ilumina, ganhando em resolução com 1920x1080 pixéis, embora todas as outras características de sensibilidade a cinco pontos de toque e de resistência se mantenham idênticas.

As câmaras fotográficas foram também melhoradas, quer a frontal - ideal para videoconferência - que tem agora um sensor de 3,5 MP, quer na traseira, que já traz uns simpáticos 5 MP. Mesmo que continue a achar estranho fazer fotografias com o tablet, parece haver cada vez mais utilizadores a aderir a esta modalidade e a Microsoft decidiu (e bem) adaptar a oferta.

Na disponibilidade de portas de ligação o Surface continua a ganhar a muitos tablets da concorrência, especialmente ao iPad, integrando uma porta USB 3.0 de tamanho normal e um leitor de micro SD, escondido atrás do suporte.

Na conetividade de rede continua a faltar a integração de suporte a redes móveis. O hábito de utilização do tablet fora de portas está a crescer e o Wi-Fi (ainda) não chega a todo o lado, sendo mais notória a falta nos momentos em que precisava de consultar o email ou ver uma informação importante na Web. E como já tínhamos apontado anteriormente, a questão torna-se mais grave quando nem sequer é possível usar a porta USB para ligar a todas as Pen móveis disponíveis no mercado, já que não se pode instalar o software sem ser a partir da loja do Windows, uma limitação que se mantém.

Uma nota mais para o espaço de armazenamento: o Surface 2 está disponível na versão de 32 ou 64 GB, mas como já acontecia na versão anterior, o espaço verdadeiramente disponível é bastante mais reduzido, resumindo-se no modelo de 32 GB a 12 B - com meia dúzia de aplicações instaladas. É verdade que a cloud e os armazenamentos de massa locais podem completar as necessidades de guardar fotos, vídeos, músicas ou outros documentos, mas não deixa de ser uma limitação...

Teclados Capa ou Capa Teclado?
Os acessórios continuam a ser um dos pontos fortes do Surface. Tudo o que foi comprado para a geração anterior é compatível com o novo Surface, desde os carregadores às capas teclado, mas a Microsoft investiu também na melhoria destes complementos.

A simplicidade de ligação entre o tablet e o teclado continuam a surpreender os mais desprevenidos, mas também a robustez. O TeK comprova que é possível suportar o tablet segurando o teclado. Sem rede!

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Os teclados de encaixar têm agora mais cores, e as capas Type Cover são agora mais silenciosas, enquanto a Capa tátil tem mais pontos de pressão que tornam ainda mais fácil escrever, mesmo para quem tecla rápido… Há ainda uma capa teclado com retroiluminação das teclas que pode ser útil para quem gosta de trabalhar na semiobscuridade…

Aplicações para todos os gostos (ou quase)
Não é preciso fazer grandes contas para perceber que o ecossistema de aplicações para Windows ainda tem de reforçar a oferta para chegar perto da que existe na loja do Android e da Apple, ambas acima de um milhão. Os números são mais pequenos em aplicações criadas especificamente para tablets, mas ainda assim a loja do Windows fica para trás, com os mais modestos 100 mil.

Não é que a Microsoft não se esforce. E a Nokia também, tendo sido anunciado esta semana um reforço da oferta de aplicações … para Windows Phone 8, com nomes como o instagram a entrar no ranking da disponibilidade. A falta de compatibilidade entre os dois mundos nas aplicações - mesmo que seja fácil portar aplicações entre um e outro - pode continuar a ser um entrave a um maior crescimento nesta área.

Mesmo assim há muito com que se divertir a fazer downloads de aplicações, desde a área de produtividade ao entretenimento, notícias e ferramentas de referência, ou simplesmente aplicações que ajudam a descobrir novas receitas para o jantar.

Uma das grandes vantagens do Surface 2 é trazer já pré-instalado o Office, com todas as ferramentas incluindo o Outlook. Algo de que nem todos se podem gabar…

[caption]office[/caption]

E vale ainda a pena explorar as funcionalidades do Xbox Music, que oferece música gratuita e tem uma funcionalidade de pesquisa bastante mais simples. Para dar mais "beat" a esta área a Microsoft podia era melhorar as saídas de som do Surface…

[caption]xbox[/caption]

E vale a pena?

Em avaliação final, o Surface 2 continua a ser uma excelente máquina para quem quer usufruir de todo o mundo do multimédia e navegação Web, combinando o lazer com alguma produtividade, mesmo que ainda limitada pela falta de acesso a algumas ferramentas de que alguns profissionais sentem mais falta fora do mundo Office.

É suficientemente leve para acompanhar o dia-a-dia, a capa teclado conjuga duas funções úteis e a bateria é suficiente para se manter afastado da tomada elétrica quase um dia de trabalho, desde que não "puxe" demasiado pelos vídeos.

O preço de 439 euros para a versão de 32 GB faz com que o novo Surface se posicione de forma competitiva face a outros tablets da concorrência, embora quem quiser "subir" para os 64 GB tenha de pagar mais 100 euros. O novo iPad Air custa 489 para 16 GB de espaço, na versão só Wi-Fi, e o Galaxy Tab 10,1 custa 499 euros, também para os 16 GB e só com ligação Wi-Fi.

Quem estiver interessado em experimentar mas não quiser gastar tanto do orçamento pode sempre optar pela primeira versão do Surface RT, que continua à venda. É mais lento e a bateria dura menos, mas são menos 110 euros no preço final - custa 329 euros -, e a atualização para o Windows 8.1 é gratuita pelo que terá acesso à mesma usabilidade e às aplicações que teria no Surface 2.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Nota da redação: Foi corrigida uma gralha.

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