Ao longo dos últimos anos muitos são os produtos e serviços que ficaram para a história do sector das telecomunicações em Portugal, pela sua inovação, relevância ou sentido de oportunidade. Pode não ser fácil elencá-los a todos, mas no dia que o mundo reservou para assinalar a importância do sector vale a pena sublinhar alguns e passar em revista novidades que mereceram destaque.



As comunicações móveis são sem dúvida um dos grandes berços da inovação nas Telecom e nos mais recentes têm-no mostrado por diversas vezes. Dos 9,6 Kbps das primeiras ofertas de Internet fixa aos 120 Mbps da fibra que já chega a um número significativo de casas, foi um pulinho.



E o mundo da mobilidade levou ainda a mais mudanças, com o 3G e o 4G a garantirem que os telemóveis se tornassem verdadeiros computadores de bolso, substituindo muitas das funções antes dispersas noutros equipamentos.



Pelo caminho não foi só a velocidade que aumentou. Foi também a forma de entregar as ofertas que ficou mais flexível, ajudando a cativar novos clientes para serviços que hoje estão disponíveis em ambiente fixo e móvel e a caminho de uma quinta geração da tecnologia celular.



A televisão também tem tido os seus momentos de evolução. Duas vezes pela mesma razão, com resultados diferentes. A interactividade chegou pela primeira vez a casa dos portugueses no pequeno ecrã em 2001 e regressou em 2007. Outra plataforma de acesso, outra oferta e outra disponibilidade do consumidor para a interacção marcam os seis anos que separam o surgimento das duas propostas, dirigidas a uma televisão que caminha a passos largos para a era digital.



Depois veio a mudança da Televisão Digital Terrestre, a TDT, e a integração das tecnologias de internet na TV, com as smartTV a dominarem já o mercado de novos televisores. A mudança da integração dos serviços fixo, móvel, Internet e TV está a ditar as novas regras no consumo, com o quadruple play, ou quintuple play se juntar banda larga móvel, e conquista cada vez mais famílias.



Mas a transformação aqui também se faz com os serviços de streaming, com os Netflix e não só, que estão a mudar definitivamente a forma como se vê TV.




Do muito que havia para dizer sobre a evolução do sector em Portugal, nas várias áreas, escolhemos algumas que partilhamos abaixo.




TV Cabo Interactiva

O primeiro serviço de TV Interactiva português foi também pioneiro a nível mundial numa rede de cabo. Suportada na plataforma Microsoft Advanced TV, juntava à TV Cabo outros parceiros, como a Octal TV. A oferta inicial propunha, à data, uma mensalidade de 1.500 escudos (7,5 euros) e outro tanto para o aluguer da caixa descodificadora, a juntar à assinatura regular do serviço cabo (17,5 euros).

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Guias TV com informação detalhada, personalização de conteúdos, uma loja, ou a possibilidade de gravar conteúdos eram os principais activos para quem subscrevesse o serviço, que também integrava acesso à Internet. Não pegou, por falta de apetência do consumidor para a interactividade, oferta limitada e limitações associadas à (falta de) largura de banda.

Lançamento: 07 de Junho de 2001

Kanguru deu o salto de partida na banda larga móvel

A marca da Sonaecom fica para a história da Internet móvel como pioneira de uma jornada que consolidou o acesso à Internet móvel (sobre a rede 3G), como alternativa a outras tecnologias de acesso. Chegou ao mercado com uma tarifa plana de 30 euros mensais para navegar a 384 Kbps com 10 GB de tráfego incluído. Um ano depois o serviço actualizou-se com tarifários para ambiente fixo, modem USB auto-instalável e introdução do HSDPA a 1,8 Mbps (anunciado em simultâneo com a oferta da Vodafone).

Lançamento: Setembro 2005

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Tmax: O triple play que vem "pelo ar"

Em 2005 a Jazztel deu lugar à Ar Telecom e nasceu uma nova oferta de serviços de Internet, telefone e TV suportada na tecnologia de rádio BFWA. Voz sobre IP, banda larga simétrica e de baixa latência e videoconferência em televisão combinaram-se para dar lugar à plataforma tecnológica Tmax.

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Foi a primeira oferta triple play do género (diferente da combinação que desde 2000 a Cabovisão oferecia), suportada em tecnologia desenvolvida pela I&D da empresa. Os preços de arranque variavam entre 10 e 55 euros e as larguras de banda entre os 2 e os 10 Mbps.

Lançamento: Setembro 2005

Mimo: Pronto a falar com custos controlados

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Pronto a Falar era o slogan associado ao MIMO, o conceito inventado pela TMN que democratizou o acesso ao telemóvel. A principal inibição à compra de um equipamento e adesão ao serviço móvel eram, pela aquela altura, o receio de um encargo mensal pouco fácil de controlar. O primeiro pré-pago - sem assinatura mensal - introduzido com o produto e lançado com uma forte campanha de comunicação revelou-se à medida das necessidades de muitos consumidores, que ainda hoje, na maioria, preferem esta modalidade de subscrição de serviços móveis. O primeiro pré-pago da América Latina (Baby) foi a exportação do conceito.

Lançamento: Setembro de 1995




Devagar devagarinho chegou a Internet

A Telepac, a Esotérica e a IP foram as empresas responsáveis pelas primeiras ofertas de acesso à Internet dirigidas ao consumidor final em Portugal. A máquina comercial que promoveu o NetPac colocou-o na história como o primeiro produto comercial com alguma escala. Em 1994 a Telepac apresentou uma oferta de acesso à Internet em modo terminal com débitos máximos de 9.600 bps. Um ano depois surge o acesso com www, já as velocidades de acesso se estendiam aos 14.400 bps. Em dois meses a empresa angariou 2 mil clientes.

Lançamento: Setembro de 1994 e Fevereiro de 2005 (cada um dos momentos)

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A linha é móvel, a chamada é fixa



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Hoje não teria o mesmo efeito, mas em 2004, quando a oferta foi lançada, o Optimus Home deu nas vistas, ao criar uma alternativa às opções convencionais para ter telefone fixo em casa, sem uma assinatura associada. O produto é o resultado de um esforço de convergência cuja componente de acesso é suportada na rede GSM Optimus e a de interligação na rede fixa comutada Novis, que também assegurava o encaminhamento das chamadas efectuadas/recebidas.

Lançamento: Novembro de 2004

IPTV on demand

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Não foi o primeiro serviço a levar a TV por suscrição a casa do cliente em cima da linha de cobre, mas foi o primeiro a fazer da gravação de programas e da paragem da emissão (video on demand) um trunfo diferenciador. A concorrência reagiu de imediato e esta espécie de segunda vaga da televisão interactiva ganhou um folêgo que noutros tempos não conseguiu angariar.

Mérito para a Meo, que reagia à primeira oferta triple play do mercado sobre VDSL - lançada pelo Clix (com a SmarTV) - e à concorrência da Zon, que entretanto tinha deixado de ser PT Multimédia. Hoje as funcionalidades de gravação, pausa e interação com programas de TV é (mais ou menos) explorada por todos os prestadores de serviços.


Lançamento: Junho de 2007

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Internet de carregar

A Vodafone foi a primeira operadora móvel a disponibilizar comercialmente um tarifário recarregável de banda larga móvel.

A oferta não impunha fidelização à rede e tinha carregamentos de 10 euros de 4 em 4 meses, para uma navegação a 512 kbps.

Na mesma linha, um ano depois, lançou um novo Vita Net, desta vez Light, que foi o primeiro tarifário com taxação por tempo de acesso à Internet, sem limite de tráfego.

Lançamento: Agosto 2008

Estas são inovações que ficam para a história das empresas e permanecem certamente na memória dos utilizadores. Haverá muitas outras, mas como sempre convidamos os leitores a partilhar as suas escolhas no habitual espaço de comentários ….

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