A Internet das Coisas já é considerada por muitos analistas como a terceira onda da Internet e uma enorme oportunidade de negócio para as organizações, sobretudo pela mudança que pode trazer na forma como gerimos dispositivos e serviços aos mais diversos níveis, e nas áreas mais diversificadas.

Os números divulgados pela Cisco no Internet of Things World Forum indicam que existem já mais de 10 mil milhões de dispositivos ligados, com endereço IP, e que esse número vai crescer de forma exponencial, excedendo os 50 mil milhões de sensores e de outras “coisas” até ao ano 2020. E a revolução está apenas no início.

O impacto de ligar todas estas coisas à Internet já está a transformar a forma como algumas cidades gerem a iluminação, o trânsito e o estacionamento, tirando partido da informação de sensores para analisar os dados e fazer uma gestão mais inteligente dos recursos, como o espaço e a energia.

Os projetos que estão a nascer nas Cidades Inteligentes tocam áreas surpreendentes, como o controle das pragas de ratos feito pela cidade de Chicago, ou a monitorização de toda a operação mineira da Rio Tinto, e a manipulação dos preços e espaço de estacionamento em São Francisco de acordo com os níveis de ocupação do espaço.

A nível das casas as mudanças estão também a acontecer, mas não tão depressa. Ainda recentemente na IFA foi evidente a forma como as apps e os smartphones estão a tomar conta do controle dos eletrodomésticos, mas há muito mais, com o acesso aos termóstatos, luzes, portas de garagem, sensores de movimento para vigiar pessoas ou mesmo os animais domésticos.

O potencial parece quase infinito, desde que exista a possibilidade de instalar sensores, ligá-los em rede (à Internet, à Cloud ou no subsistema de Fog Computing como propõe a Cisco), e extrair e analisar os dados. Os sectores da energia, transportes, serviços públicos e saúde estão entre os mais avançados na exploração do potencial da Internet das Coisas, mas também a indústria está a avançar rapidamente.

Para além das gigantes da tecnologia, como a Cisco, a IBM ou a Intel, que têm estado envolvidas em muitos destes projetos, há todo um mundo de pequenas ideias e aplicações que estão a ser criadas por startups que tiram partido da infraestrutura existente e dos dados gerados em muitos destes sistemas para descobrir novas formas criativas de usar a informação e colocá-la à disposição dos cidadãos. Muitas estão a conseguir financiamento através de crowdfundig, ou apoios em concursos de inovação.

A Cisco é uma das empresas que tem vindo a financiar várias iniciativas para apoiar o desenvolvimento de startups, promovendo fundos de investimento e concursos de ideias, e no IoT World Forum os vencedores mostraram os seus projetos, onde os brinquedos de criança e as plataformas de desenvolvimento de aplicações estiveram a par de sensores de monitorização submarina e robots industriais.

Barras de chocolate ou sensores ?

O projeto da Relayr, desenvolvido na Alemanha, foi um dos vencedores do prémio de inovação da Cisco, garantindo um financiamento de 150 mil dólares para a ideia que “oferece” barras de sensores semelhantes a barras de chocolate, as WunderBars. A startup quer disponibilizar uma plataforma de desenvolvimento de aplicações barata e acessível a outras startups, juntando ainda os sensores físicos que cobrem necessidades como os sensores de temperatura, humidade ou som.

O modelo de negócio está ainda em desenvolvimento mas já começaram a aparecer aplicações baseadas na plataforma, como uma ideia que usa o sensor para se tornar num “anjo” das pessoas com diabetes, avisando para o aumento de temperatura da insulina.

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A ideia da Waygum.io, originária da Califórnia, está completamente focada na área de aplicações industriais e quer desenvolver uma solução que permita a utilização de dispositivos móveis e a criação rápida de novas aplicações. O prémio de 75 mil dólares vai ser aplicado na industrialização da ideia.

O terceiro lugar do concurso de inovação foi conquistado pela Toymail, uma startup de Michigan que desenvolveu brinquedos interativos que tiram partido de sensores para aumentar a comunicação entre as crianças e as suas famílias. O design é apelativo e os pequenos brinquedos podem receber mensagens de voz ou música, registando também a comunicação das crianças e enviando a informação via rede Wi-Fi.

A startup já está em conversações com alguns fabricantes de brinquedos para vender a tecnologia que pode ser integrada nos mais diversos jogos e equipamentos.

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A Neurio esteve perto de conquistar um prémio mas acabou por não conseguir o terceiro lugar. A empresa desenvolveu uma plataforma integrada de gestão de dispositivos domésticos que é combinada com uma aplicação e permite monitorizar o desempenho e a utilização dos eletrodomésticos, como o fogão, a máquina de café ou a máquina de lavar louça.

Para além de informação sobre o funcionamento destes dispositivos, a empresa quer desenvolver sistemas inteligentes com base nos padrões de utilização e vê aplicações em várias áreas, nomeadamente no acompanhamento de pessoas idosas que vivem sozinhas em casa.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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