Na data em que se assinala o dia internacional da mulher são frequentes as contas e as estatísticas que dão conta das semelhanças e diferenças do papel da mulher no mercado de trabalho, face ao homem. Elas dominam no ensino superior. Em cargos de gestão mantém-se o domínio dos homens.



Estas são duas das conclusões mais comuns nas várias pesquisas que todos os anos se divulgam, muitas vezes antes do debate sobre a necessidade - ou não - de assegurar a presença (representativa) de mulheres em determinadas funções através de sistemas de quotas.



Contudo, é por mérito próprio e em ambientes onde não houve necessidade de compor um cenário de homens com mulheres que fazem um equilíbrio nem sempre natural, que algumas das portuguesas mais influentes em áreas ligadas à tecnologia fizeram carreira e influenciaram (ou influenciam) os meios onde se movimentam. E se ainda há mundo de homens ele é certamente o da tecnologia (e da engenharia), áreas onde a presença das mulheres é menos habitual. Um estudo divulgado no ano passado pela Comissão Europeia mostrava que só um em cada cinco trabalhadores da área é mulher.



No panorama nacional - de berço e não necessariamente de evolução profissional - algumas mulheres portuguesas dão nas vistas num mundo de homens ao assegurar a gestão de projectos ou empresas emblemáticas.



Elvira Fortunato

Elvira Fortunato não poderia deixar de ser o nosso primeiro exemplo. Depois do transístor de papel que colocou esta matéria-prima no lugar do tradicional silício, tornou-se provavelmente uma das investigadoras portuguesas mais conhecidas de sempre e garantiu a atenção de um leque de público que normalmente não é tocado pelos avanços científicos e tecnológicos, por falta de interesse ou conhecimento.

[caption]Elvira[/caption]

A docente do Departamento de Engenharia dos Materiais e coordenadora do CENIMAT (Centro de Investigação de Materiais) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa está a fazer avançar o projecto com a bolsa de 2,2 milhões de euros que ganhou do European Research Council (ERC).

Com base na descoberta que tornou o seu nome internacionalmente conhecido também já fez outras descobertas que geraram mais patentes e mais matéria para trabalhar.



Cláudia Goya

Chegou à liderança da Microsoft no ano passado. Com 37 anos, mãe de três filhos e adepta de desporto, Cláudia Goya é a actual directora-geral da sucursal portuguesa. A sua escolha para o cargo - pelo menos no universo do TeK - deu que falar.



É a primeira mulher a liderar a divisão local (e premiada) da empresa e assegura que a sua gestão vai "continuar num nível de excelência".

[caption]Cláudia Goya[/caption]
Licenciada em engenharia física tecnológica pelo Instituto Superior Técnico, trouxe na bagagem 15 anos de experiência na área de gestão de negócio em empresas como a Proctor & Gamble ou a Galp Energia. Na Microsoft estava há um ano e meio quando foi escolhida para suceder a Nuno Duarte, que assumiu funções no Japão.



É hoje um dos poucos rostos femininos à frente de uma tecnológica com peso relevante no mercado português.





Ana Maria Fernandes

A CEO da EDP Renováveis, bem como a empresa que dirige, têm assegurado algum mediatismo desde o arranque do projecto, com reconhecidos bons resultados. Ana Maria Fernandes tem 46 anos e tem mostrado pulso para liderar a mais recente aposta estratégica da EDP, numa área que mistura energia, tecnologia e engenharia e onde as mulheres não chegam com frequência à gestão de topo.



A prová-lo estão dados revelados hoje num discurso de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, que lembrava que as mulheres representam no final de 2008 apenas 20 por cento dos cargos seniores de gestão na UE, um número baixo mas que representa um crescimento de 12% face aos 10 anos anteriores.

[caption]Nome da imagem[/caption]

Ana Maria Fernandes está nessa lista escassa e foi no final do ano passado distinguida no âmbito dos EWMD Female Leadership Awards. O prémio distinguiu a gestora que mais se destacou nas 25 analisadas no livro: "O Homem Certo para Gerir uma Empresa é uma Mulher", editado pela Prime Books.



Foi distinguida por ser considerada uma agente de mudança e um modelo a seguir. A formação de base de Ana Fernandes é economia. Antes de chegar à EDP passou pela Galpenergia e pela banca. Na EDP já era responsável pelas áreas do gás e renováveis.



Maria Manuel Leitão Marques

É no Governo o rosto da modernização administrativa, que se faz com e sem TIC no produto final ao cidadão, mas que implica uma significativa reengenharia de processos e informatização de serviços que tem sido possível - em alguns melhor que noutros - graças à articulação de esforços de vários ministérios e estruturas na sua dependência.



[caption]M. Manuel Leitão Marques[/caption]

Maria Manuel Leitão Marques é o rosto do Simplex, desde a primeira legislatura do Governo liderado por José Sócrates. O programa que criou os serviços Na Hora, simplificou o sistema de informação ao Estado das empresas ou a actualização de documentos por mudança de morada, por exemplo.

Nasceu em Moçambique em 1952. É licenciada em direito e doutorada em economia. Está na liderança da secretaria de Estado para modernização administrativa desde 2007, altura em que António Costa saiu do Governo e com isso foi levada a cabo uma mini-reestruturação no executivo. Nessa altura deixou a Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa, que dirigia desde 2005.



Anabela Pedroso


Outra mulher de políticas, mais discreta mas com relevo inegável na modernização de vários serviços do Estado, é Anabela Pedroso, cujo nome ficará ligado a projectos como as Lojas de Cidadão. Foi ela que entre 2000 e 2001, na direcção (como vogal) do Instituto de Gestão das Lojas do Cidadão concebeu e implementou o modelo tecnológico de suporte ao funcionamento daquelas estruturas.

[caption]Anabela Pedroso[/caption]

Esteve ainda em lugares de destaque noutros projectos públicos emblemáticos, como o Cartão do Cidadão, Portal do Cidadão, Portal da Empresa ou a Plataforma de Interoperabilidade para a Administração Pública.



Entre 2001 e 2003 foi secretária-geral adjunta do Ministério das Finanças, com o pelouro das Tecnologias da Informação. Em 2003 entrou na UMIC e esteve na primeira vaga de vários projectos liderados pela unidade de missão. Seguiu para a liderança da AMA - Agência para Modernização Administrativa em Dezembro de 2006, cargo que já não ocupa.

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