Na madrugada de 26 de setembro de 1993 a aventura espacial europeia começava, com o lançamento da missão que levou ao lançamento do PoSAT-1, em Kourou, na Guiana Francesa. O lançamento ocorreu por volta das 02:00h, hora de Lisboa, e foi feito a partir do foguetão europeu Ariane. Cerca de 20 minutos e 35 segundos após o lançamento, já a 807 km de altitude, o PoSAT-1 separou-se do foguetão.



Na mesma estrutura, com o satélite português, seguiram neste Voo 59 - nome da missão - outros satélites da mesma categoria, como o EyeSat, o ItamSat, o KitSat-B , o HealthSat e o Stella desenvolvidos em Itália, Coreia e França.

[caption]Estrutura do PoSAT[/caption]

Tal como o SPOT-3, um satélite francês de reconhecimento fotográfico que era um dos mais populares da missão, o PoSAT-1 ocupou uma órbita 820 quilómetros acima da superfície terrestre.

O satélite português era uma caixa de alumínio com 35 centímetros de lado e de profundidade, por 58 centímetros de comprimento. Pesava cerca de 50 quilos.



O programa espacial que permitiu criá-lo foi preparado com o objetivo de preparar a indústria nacional para os programas espaciais internacionais; treinar os engenheiros portugueses para este tipo de iniciativas e experimentar e explorar os serviços que podem ser prestados por pequenos satélites em órbita baixa.

[caption]Nome da imagem[/caption]

Do ponto de vista científico, o satélite estava equipado para recolher informação que permitisse fazer a caracterização das cinturas de radiação da Terra; o reconhecimento da distribuição dos níveis de radiação cósmica sobre a superfície terrestre; ou o estudo dos ventos solares.



Integrava 10 gavetas com placas eletrónicas, baterias e um módulo de deteção remota, para além de sensores de altitude e estabilização. Os diversos sistemas a bordo eram alimentados com energia solar, graças à energia recolhida através dos painéis solares instalados no equipamento.

[caption]Nome da imagem[/caption]

O projeto acabou por marcar a entrada de Portugal no leque de países com um programa espacial, embora a posição assumida nesta altura não tivesse feito história, já que o programa, que terá custado cerca de cinco milhões de euros, não teve continuidade.



Esta aventura pioneira reuniu entidades como o Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial, do qual fazia parte o cientista Carvalho Rodrigues, impulsionador do projeto; a Marconi; a Alcatel, a Efacec; as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA); a Cedintec; o Instituto Superior Técnico; a Universidade da Beira Interior e a Universidade de Surrey.



O satélite manteve contacto com a Terra por um período de 13 anos e deixou de emitir sinal em 2006, vários anos após o previsto, já que o tempo de vida inicialmente estimado para o equipamento era de cinco a oito anos. No entanto, a morte física do satélite, que continua em órbita, só deve ocorrer em 2043.

[caption]Sala de comando no solo[/caption]

Até deixar de comunicar com a Terra, o satélite interagia com o único terminal de controlo existente no país, localizado no Centro de Controlo Operacional de Satélites, à data da Marconi, a funcionar na zona de Sintra.



Estas comunicações eram possíveis em parte das viagens realizadas em torno da Terra a cada dia. O satélite movia-se a uma velocidade média de 7,3 km por segundo. Em média, as suas comunicações com a Terra tinham uma duração de 12 minutos.

Nota de redação: As imagens do satélite foram recolhidas do site de Fernando Carvalho Rodrigues.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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