As impressoras 3D já não serão um artigo desconhecido para muitos, mas algumas das suas potencialidades podem passar ao lado mesmo dos mais atentos. Serão exemplo disso os modelos capazes de "criar" comida, chocolates personalizados ou a aplicação dos mais tradicionais à conceção de objetos cuja construção está tradicionalmente reservada às fábricas.

A ideia que subjaz ao conceito da impressão 3D é simples: através de equipamentos dedicados (as impressoras 3D) os utilizadores conseguem transformar em objetivos físicos, tridimensionais e palpáveis, os ficheiros digitais que encontram online contendo as diretrizes do objeto a criar (modelos).

A impressão do objeto pela impressora dá-se por via de um processo aditivo, em que são sobrepostas camadas de um material - habitualmente plástico - para criar uma réplica do modelo. As peças impressas podem ser usadas individualmente ou ser acopladas a outras para criar objetos maiores ou funcionais.

O interesse neste tipo de equipamentos tem vindo a crescer nos últimos anos. A par do da diminuição do preço destes dispositivos, que já tivemos oportunidade de ilustrar num artigo do TeK - e que se espera que seja capaz de ampliar o universo de utilizadores-, têm surgido também diferentes abordagens e aplicações do conceito. Hoje damos conta de algumas.

Alguns exemplos curiosos são os protagonizados pelas impressoras de comida. Está a lembrar-se daquela vez em que estava em frente ao computador e foi assolado por uma vontade incontrolável de comer um burrito mas não havia nada aberto? É possível que tal nunca lhe tenha acontecido, mas se estivermos a falar de um estudante da Universidade de Nova Iorque (EUA) as probabilidades de um evento do género aumentam.

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Motivado ou não pela vontade de ter acesso aos seus burritos perfeitos, feitos na hora, por uma impressora, a verdade é que é a um estudante da universidade norte-americana que é atribuía a autoria do equipamento que apresentamos de seguida.

Segundo explicou ao SlashGear Marko Manriquez, esta "impressora 3D capaz de fazer burritos" é comandada através do iPhone e sabe como juntar a quantidade certa de ingredientes e condimentos necessários à preparação da iguaria mexicana. O site alerta porém para o facto de, embora o dispositivo seja apelidado de impressora, não estarmos perante um processo de conceção que possa propriamente ser classificado de impressão.

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O mesmo não se pode dizer desta impressora de chocolates personalizados, que, efetivamente, faz aparecer os produtos recorrendo a sucessivas camadas de chocolate depositadas umas sobre as outras.

Desenvolvida por investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, não passa ainda de um protótipo, mas já suscitou o interesse de várias empresas, que se mostraram interessadas em comercializar o produto, contaram à BBC os responsáveis, este verão.

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A impressão em chocolate é como qualquer outra técnica de impressão 3D, começa com uma imagem plana e transforma-se, camada a camada, numa forma tridimensional. Uma vez completa uma camada, a máquina deixa-a solidificar e passa à próxima camada, descreveu o chefe da equipa de cientistas, Liang Hao.

O objetivo dos responsáveis pelo projeto passa também por criar um site orientado para a cultura do chocolate. "Agora temos a oportunidade de combinar o chocolate com a tecnologia digital, incluindo o design, fabrico e envolvimento da comunidade. O chocolate tem muitas aplicações sociais, a nossa intenção é desenvolver uma comunidade que partilhe moldes, ideias e experiências", defendem.

Mas os cientistas da universidade britânica não serão os únicos a trabalhar para dar aos utilizadores a possibilidade de imprimirem em casa os seus chocolates. A Essential Dynamics apresentou no início do ano uma impressora 3D que classificou como revolucionária pelas potencialidades que encerra, a segunda geração da Imagine.

Ao contrário de outros modelos, as seringas desta impressora - que custa 1.995 dólares - tanto podem ser carregadas com o tradicional silicone, como com cimento… ou materiais comestíveis, como chocolate e queijo. Qualquer material que possa ser colocado nos seus cartuxos é elegível, afirma a marca.

Outra das aplicações da impressão 3D a merecer referência hoje é a levada a cabo por Olaf Diegel, um professor da Universidade de Massey, em Auckland (Nova Zelândia), que constrói guitarras recorrendo apenas a componentes "impressos". E é inquebrável.

"Podem atirar uma à parede sem terem de se preocupar com a possibilidade de se partir", garantiu ao Guardian o autor, que começou este verão a vender online as suas ODD Guitars.

[caption]ODD Guitars[/caption]

São criadas à medida das necessidades daquele que será o seu utilizador, explica no site, pelo que os preços também variam consoante o modelo criado, mas há dois exemplares em stock no site. Ambas custam 3.500 dólares (mais despesas de envio).

Mais ambiciosos serão os planos da Airbus, que em julho deu que falar quando um dos seus engenheiros de design veio a público afirmar que, segundo por volta do ano 2050 os aviões comerciais fabricados pela empresa poderão ser construídos em grande parte com peças criadas em impressoras 3D.

A opção permitiria criar aeronaves mais baratas e 65% menos pesadas que as que atualmente cruzam os céus, prevê Bastian Schafer, que há dois anos integra um grupo de trabalho na Airbus encarregue de desenvolver um projeto de construção baseado em impressoras 3D.

Para os que preferem manter os pés em terra firma também ainda há esperança… de que a impressão 3D se reflita de maneira radical na maneira como é abordada a construção de edifícios.

Uma impressora 3D em tamanho XXL será capaz de criar uma casa em 24 horas, escrevia o Daily Mail em meados de agosto. De acordo com o jornal inglês, que cita o professor da Universidade da Califórnia (EUA), Behrokh Khoshnevis, a impressora em desenvolvimento pode criar todas as infraestruturas e divisões de uma habitação, camada a camada, com recurso a uma tecnologia conhecida como Contour Crafting.

A técnica de construção por camadas recorre a um pórtico móvel gigante para construir uma casa de forma semelhante à aplicada por uma impressora 3D que vai sobrepondo camadas de plástico para criar um objeto. As características desta tecnologia fazem com que passe também a ser possível criar facilmente casas com paredes curvas e outros elementos arquitetónicos mais "exóticos".

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Joana M. Fernandes

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