Na recente apresentação da Samsung dos modelos da família Galaxy S10, certamente ouviu a referência a suporte a Wi-Fi 6, a próxima geração de rede wireless que vai chegar com o 5G. Mas este não será o único dispositivo a chegar ao mercado, pois com o Mobile World Congress à porta, muitas outras fabricantes preparam-se para apresentar os seus equipamentos para as novas tecnologias. Mas do que se trata o Wi-Fi 6? Confira as perguntas mais frequentes da tecnologia de ligação sem fio.

Wi-Fi 6? Onde estão as anteriores?

A nova geração de Wi-Fi adota pela primeira vez uma numeração para ser distinguida mais facilmente. Anteriormente, nas especificações dos routers de internet as versões eram designadas por letras, como por exemplo 802.11n, 802.11g, 802.11a, 802.11b e 802.11ac. Como era demasiado confuso, a instituição Wi-Fi Alliance, encarregue da implementação, decidiu mudar para uma numeração direta. Assim, o 5G (quinta geração móvel) vai introduzir o Wi-Fi 6 (sexta geração Wi-Fi). A Wi-Fi Aliance pretende mesmo "renomear" as anteriores gerações com números, sendo o 802.11ac o Wi-Fi 5, e o 802.11n o Wi-Fi 4, e assim sucessivamente.

Qual é a velocidade do Wi-Fi 6?

Apesar de ser uma questão um pouco relativa, entre a velocidade realmente máxima que a rede suporta e aquelas que se obtêm na prática na “vida real”, no “rótulo” conseguirá suportar até 9,6 Gbps, ou seja, mais 3,5 Gbps do que a anterior geração. Para o uso normal doméstico, a velocidade parece bem exagerada para os padrões atuais. Imagine fazer o download de um Blu-Ray de 25 GB em menos de três segundos. Parece astronómico, concorda? Obviamente que a velocidade pode ser dividida entre os (cada vez mais) dispositivos wireless espalhados pela casa, e obviamente, a geração de tecnologia IoT está ao virar da esquina.

Mais velocidade ou maior estabilidade?

Mais que velocidades rápidas, as ligações vão ser mais estáveis e consistentes, e essa talvez seja a característica mais importante do Wi-Fi 6. Estudos indicam que média de dispositivos ligados por Wi-fi em casa subiram de cinco para o dobro, onde reinam smartphones, tablets, portáteis, smartwatchs, televisões, assistentes virtuais, entre outros dispositivos, muitos deles multiplicados pelos membros da família.

Como aceder às redes Wi-Fi 6?

As más notícias é que para beneficiar da próxima geração de rede Wi-Fi necessita de novos equipamentos, isto porque a transformação é física, de hardware, e não apenas uma atualização de software ou firmware. Os smartphones (como os já anunciados modelos da Samsung), tablets, portáteis, entre outros, devem referir que suportam Wi-Fi 6, para ter a garantia de que vai conseguir beneficiar das redes mais rápidas. O novo processador da Qualcomm, o Snapdragon 855 inclui o suporte para Wi-Fi 6, mas não dá a garantia que os smartphones com o chip estejam preparados para a rede.

Porque razão a rede Wi-Fi 6 vai ser mais rápida?

Esta é uma pergunta mais técnica e tem a ver com a utilização de duas tecnologias: a MU-MIMO (multi-user, multiple imput, multiple outuput) e OFDMA (orthogonal frequency division multiple access). Resumidamente, a primeira tecnologia, que já é utilizada, mas melhorada na próxima geração, permite o router comunicar com múltiplos dispositivos em simultâneo, invés de transmitir para um, e depois para outro, e assim adiante. Na geração atual a tecnologia apenas permite a comunicação com até quatro equipamentos ao mesmo tempo, mas o Wi-Fi 6 vai duplicar a quantidade.

Já a tecnologia OFDMA permite que uma transmissão seja entregue a múltiplos dispositivos em simultâneo. Ou seja, uma transmissão não será direcionada a apenas um smartphone, o excedente da banda será alocado aos seguintes pelo caminho. Combinando as duas tecnologias, gera-se mais canais de comunicação, e cada canal transmite para ainda mais dispositivos em simultâneo.

É verdade que o Wi-Fi 6 vai melhorar a vida da bateria?

Sim. Uma das razões pelo qual os dispositivos drenam rapidamente a bateria é exatamente a ligação Wi-Fi. Experimente desconectar um smartphone por um dia e note a diferença na autonomia. Isso acontece porque atualmente os smartphones estão constantemente em ligação com os transmissores e isso requer energia para alimentar as antenas. Através de uma funcionalidade chamada Target Wake Time, os routers são agendados para fazer o check up com os dispositivos.

Obviamente que esta funcionalidade e poupança não diz respeito a um acesso ativo à internet, porque é necessário estar em constante ligação online, mas para os dispositivos que só precisam ser “consultados” de tempos a tempos. Ou seja, equipamentos mais focados no IoT que na maior parte do dia não são utilizados.

O Wi-Fi 6 vai ser mais seguro?

A nova geração não vai introduzir nenhum novo protocolo de segurança, mas vai recorrer ao WPA3, que já é utilizado há quase 10 anos. No entanto, atualmente, apesar dos dispositivos suportarem o sistema WPA3, este é opcional. Para o Wi-Fi 6 é um requisito obrigatório, por isso, indiretamente a nova geração será mais segura.

Para quando Wi-Fi 6?

Como referido, os dispositivos que suportam Wi-Fi 6 começam a surgir com os novos equipamentos e também estão para ser lançados routers da Netgear e TP-Link durante este ano. Mas não se preocupe em fazer a atualização a correr, pois a tecnologia terá o seu tempo de maturação, e quando eventualmente trocar de equipamento, as características dos dispositivos naturalmente irão acompanhar. Da mesma forma, irá necessitará de um novo router, pelos mesmos motivos de compatibilidade com Wi-Fi 6. Muito provavelmente as operadoras vão “chegar-se à frente” e oferecer pacotes de fidelização com acesso à tecnologia Wi-Fi 6.

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