O conceito já tinha sido mostrado há dois anos por Christian Teismann, vice presidente e general manager da área de PCs empresariais da Lenovo, que ontem recordou o facto, explicando que desde essa altura, e face à receptividade que os clientes e parceiros mostraram, a Lenovo acelerou o desenvolvimento de um formato diferenciador, e revolucionário na forma como interagimos com o computador, trabalhando a tecnologia de ecrãs dobráveis.

Ontem o protótipo foi mostrado no evento Lenovo Accelerate 2019, que decorre em Orlando, nos Estados Unidos, e os responsáveis garantiram que chega ao mercado em 2020, embora ainda sem se comprometerem com uma data nem revelarem um patamar de preços.

A Lenovo também está a dobrar os portáteis (mesmo) e vai lançar o primeiro modelo em 2020
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Em palco o novo ThinkPad X1 foldable foi mostrado à luz e distância exigidas pela ocasião, mas os jornalistas já tinham tido oportunidade de saber mais sobre o produto, e fotografar mais de perto, como o SAPO TEK ontem partilhou.

Mesmo assim havia muitos detalhes sobre a estratégia e posicionamento que queríamos explorar e em entrevista David Rabin, Vice Presidente da área de Global Comercial Marketing explicou ao SAPO TEK as opções e certezas da Lenovo com este produto.

“Tínhamos uma série de ‘milestones’ que tínhamos de atingir para passar de conceito a realidade. Ainda não estamos em produção mas chegámos a uma meta em que estamos 100% confortáveis sobre o lançamento do produto”, explicou David Rabin.

Questionado sobre se a Lenovo acelerou o anúncio por causa dos lançamentos dos smartphones dobráveis da Samsung e Huawei, o responsável de marketing comercial admite que “foi uma coincidência termos outros fabricantes na área da mobilidade a entrarem no jogo dos dobráveis, mas o que se torna evidente é que esta tecnologia terá uma robusta oferta de produtos no futuro e estamos muito excitados de seremos pioneiros no espaço dos dobráveis”.

“Quando decidimos que pomos a marca Think num produto, tem de significar o melhor para o negócio. Não é bom marketing para um produto lançar algo que não vai ser o melhor da sua classe, antes de estar pronto, mas estamos prontos para avançar”, justifica.

A visão da Lenovo é que este portátil será dirigido sobretudo aos profissionais altamente sofisticados, que querem ter as novas tecnologias. Atualmente há equipamentos focados no consumo de conteúdos e outros na produção, mas o novo ThinkPad X1 foldable junta as duas facetas, e pode facilmente ser transformado em livro para ler à noite ou para acompanhar um vídeo de uma série, mas também para trabalhar como se fosse um portátil, com um teclado especialmente desenhado para funcionar no ecrã, mas que também pode ser levado para o trabalho e ligado a uma docking station.

“É um equipamento com todas as funcionalidades de um ThinkPad e com a mesma robustez e fiabilidade que vai apelar a todos os que veem vantagens num dispositivo multifuncional”, garante David Rabin, explicando que esta é a razão porque a empresa decidiu que será integrado nesta categoria, e na linha de topos de gama da marca.

A Lenovo já “partilhou” o conceito com vários clientes e a receptividade foi boa, e está a trabalhar com parceiros de software e hardware para garantir a melhor experiência, desde a LG que está a desenvolver os ecrãs à Microsoft que tem o sistema operativo.

Sobre o potencial de massificação de portáteis de ecrã dobrável, o executivo da Lenovo admite que entre levará algum tempo, e dá o exemplo dos tablets que tiveram inicialmente uma curva de adopção lenta mas depois escalaram rapidamente. “Estamos a ver muitos cenários de utilização nas empresas, mas em última análise achamos que este conceito adaptativo vai ganhar […] se conseguir ter mais funcionalidades de um único device é uma boa solução”, detalha.

Por isso David Rabin não tem dúvida de que a prazo os portáteis de ecrã dobrável serão uma tendência marcante na indústria de portáteis e a evolução da tecnologia prova que a adopção pode ser rápida. “O mercado de PCS vai vender 270 milhões de unidades este ano, alguns dos quais são ‘commodities’, computadores simples que as pessoas usam para tarefas básicas, mas vai sempre haver mercado para quem investe em inovação que é diferenciadora e os foldable são uma das 3 inovações que vemos que pode transformar a indústria de PCs. As outras são o 5G e as capacidades “semelhantes a um smartphone”, com a possibilidade de receber notificações mesmo quando estão em modo de suspensão, bateria que dura o dia todo e a possibilidade de ‘acordar’ com reconhecimento de voz. Hoje muitos PCs quando estão fechados são um peso morto”, adianta. “A nossa visão é de um mundo onde este PC funciona de forma idêntica a um smartphone”, detalha David Rabin.

E o preço? A Lenovo não colocou nenhuma “etiqueta” de preço, nem sequer um teto máximo” para o seu foldable, mas David Rabin admitiu que a comparação com os 2 mil euros a que vão ser vendidos os Galaxy Fold da Samsung e os Huawei Mate X faz sentido. “Esse valor não é ilógico”, admitiu, embora a empresa esteja ainda a trabalhar nessa área.

Quanto aos problemas técnicos que a Samsung teve no Galaxy Fold, David Rabin não comenta, mas afirma que a Lenovo está a olhar atentamente par o que a indústria faz e está a desenvolver o ThinkPad X1 Foldable com outro fornecedor de ecrãs (a LG), mas que tem muita confiança na sua capacidade de desenvolvimento e engenharia. E como prova disso mesmo, durante a entrevista atirou várias vezes o seu ThinkPad ao chão e chegou mesmo a pôr-se em pé em cima do portátil. “É este o nível de robustez que pomos nos nossos produtos”, afirmou.

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