A Xiaomi está a trabalhar num smartphone equipado com uma ventoinha integrada, uma solução de arrefecimento ativa que promete resolver um dos problemas mais persistentes dos dispositivos móveis modernos. Trata-se do aquecimento, algo que tem vindo a ser cada vez mais relevante devido à crescente complexidade dos seus processadores, assim como da capacidade das baterias e da rápida velocidade de carregamento.

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Esta informação surgiu através de registos de patentes e rumores da indústria, como o popular "informador" Digital Chat Station na rede social chinesa Weibo, que apontam para um dispositivo topo de gama da série Redmi, possivelmente o K90 Ultra, como o candidato mais provável a estrear esta tecnologia inovadora. A Xiaomi não é a primeira marca a explorar sistemas de arrefecimento ativo em smartphones, mas poderá ser uma das primeiras a implementar a solução de forma comercial num dispositivo mais “mainstream”.

Redmi Fan Weibo
Redmi Fan Weibo Publicação do leaker "Digital Chat Station" na rede social chinesa Weibo.

Os smartphones atuais dependem de sistemas de arrefecimento passivos, como câmaras de vapor e placas de grafite, que dissipam o calor através de condução térmica. Embora eficazes em muitas situações, estas soluções têm limitações quando os processadores mais potentes são levados ao limite durante longas sessões de jogos ou durante a gravação de vídeo em alta resolução.

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Uma ventoinha incorporada funcionaria de forma semelhante aos sistemas de arrefecimento de computadores portáteis, movendo ativamente o ar quente para fora do dispositivo, permitindo assim que os componentes internos mantenham uma temperatura mais baixa durante períodos de utilização intensiva. Esta abordagem permite que os CPUs mantenham frequências de relógio mais elevadas por mais tempo, sem ativar os mecanismos de “throttling” térmico, que reduzem significativamente o seu desempenho.

Outra das razões que levam a considerar este tipo de solução será para o arrefecimento eficaz das baterias. Isto porque as mesmas são cada vez maiores e mais densas, e porque as mesmas dispõem de sistemas de carregamento cada vez mais rápido. Estima-se que o Redmi K90 Ultra venha a utilizar uma bateria de carbono-silício de 8.000 mAh ou superior, e um sistema de carregamento em torno dos 100W.

Existem questões técnicas relevantes, como garantir a incorporação de uma solução destas, com elementos móveis, garantindo a sua robustez e a estanquidade do equipamento, uma vez que este deverá ter certificação IP68 (à prova de água e poeiras), sem esquecer o consumo energético da ventoinha, e o ruído gerado. Tudo indica que o circuito irá utilizar uma conduta junto ao módulo das câmaras traseiras, o que permitirá tornar a solução mais discreta, similar ao que a Honor aplicou nos seus Honor Win e Win RT.

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Apesar dos desafios, a ideia tem mérito e já tem provas dadas, como temos assistido ao longo dos últimos anos em dispositivos de gaming, com as soluções internas dos dispositivos da RedMagic, ou soluções externas como as utilizadas pelos Asus ROG Phone, o Lenovo Legion e até os Black Shark, que pertencem à Xiaomi. Falta ver se esta solução será aplicada somente em modelos de nicho, como os modelos de gaming, ou se será algo que será generalizado para outras gamas de produtos.

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