A partida da missão aconteceu hoje às 02:45 (hora de Lisboa) da base de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguetão Ariane 5, e foi bem sucedida, depois de muitos meses de preparação do projecto que junta a agência espacial europeia ESA e a congénere japonesa, a JAXA, e que leva a bordo tecnologia portuguesa.

Esta é a primeira missão europeia a Mercúrio, o planeta mais pequeno do sistema solar e o mais próximo do Sol, e o objectivo é chegar à órbita e estudar vários aspectos do ambiente, a origem e evolução do planeta, a sua estrutura e composição, as características do seu campo magnético e a dinâmica da exosfera, entre outros aspectos.

Até agora só duas missões visitaram Mercúrio: a Mariner-10 e a Messenger (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) da NASA. A primeira foi uma missão de aproximação que enviou fotografias captadas nas aproximações em 1074 e 1975, enquanto a Messenger fez três aproximações, em 2008 e 2009, antes de estudar o planeta a partir da sua órbita entre março de 2011 e abril de 2015.

A missão conjunta entre a ESA e a JAXA recebeu o nome de BepiColombo em homenagem ao matemático e engenheiro italiano Giuseppe (Bepi) Colombo, que viveu entre 1920 e 1984 e que dedicou a sua investigação ao planeta Mercúrio. A bordo seguem duas sondas, com propósitos diferentes. Uma preparada pela ESA vai estudar a superfície, o interior e a camada externa da atmosfera de Mercúrio, a exosfera, enquanto a outra, da JAXA, vai analisar a magnetosfera, a região a maior altitude que envolve o planeta.

Em vídeo a ESA mostra os pontos principais da preparação da missão e também o momento de partida a bordo do foguetão Ariane 5.

A viagem vai durar sete anos, usando uma combinação da força de gravidade dos planetas em conjunto com os propulsores para atingir o objectivo, e por isso a BepiColombo vai passar mais uma vez pela Terra, depois por Vénus e finalmente aproximando-se de Mercúrio. Com o planeta mais próximo do Sol terá contacto seis vezes antes de conseguir fixar a órbita, o que acontece só em Dezembro de 2025, como se pode ver nesta simulação em vídeo.

Depois disso é que começa a verdadeira missão de observação dos mistérios do planeta, o que deverá durar um ano, um prazo que poderá ser estendido por mais 12 meses.

A missão conta com a participação de vários países e cientistas, entre os quais a astrofísica Joana S. Oliveira. A Efacec também integra a equipa de desenvolvimento e construiu um equipamento eletrónico que irá monitorizar a radiação espacial durante a viagem e a operação de um dos satélites.

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