A polarização é um atributo da luz – a direção - que a vista humana “desarmada” não consegue alcançar, ao contrário do que fazem alguns animais, como os camarões e os insectos, que usam este valioso recurso para se protegerem ou atacarem de forma mais eficiente, já que conseguem ver detalhes impercetíveis para outros.

As câmaras são o recurso à disposição de um humano para conseguir ver a polarização da luz. Existem várias, mas são dispositivos grandes e caros. Ou eram, porque uma equipa de investigadores da Harvard John A. Paulson School of Engineering and Applied Sciences encontraram maneira de alcançar o admirável mundo das imagens polarizadas, com uma pequena câmara.

Os investigadores conseguiram colocar tudo o que precisam para captar imagens polarizadas num dispositivo com o diâmetro idêntico ao de uma chávena de café. Para funcionar é preciso juntar-lhe lentes e uma capa protetora, mas tudo junto continua a ser incomparavelmente mais pequeno que outras câmaras do género.

A inovação está no recurso a estruturas em nanoescala, para criar um dispositivo que pode ser incorporado em sistemas de imagem existentes, como um smartphone, exemplificam.

Neste vídeo explica-se o projeto e as aplicações que a tecnologia pode vir a ter num futuro próximo. Entre os exemplos apontados estão a aeronáutica ou a condução autónoma. No primeiro caso acredita-se que a tecnologia pode ser uma ajuda valiosa para detetar objetos dissimulados. Em veículos autónomos uma forma de identificar objetos na estrada.

Paul Chevalier, um dos autores do projeto, dá mais alguns detalhes: “a polarização é uma característica da luz que se altera quando há o reflexo numa superfície, uma caraterística que nos pode ajudar na reconstrução 3D de um objeto, a estimar a sua profundidade, textura e forma, ou a distinguir objetos feitos pelo homem daqueles que são naturais, mesmo que tenham a mesma forma e cor”.

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