As trotinetas elétricas já fazem parte da paisagem citadina lisboeta. Embora sejam para muitos uma forma rápida e eficaz de chegar ao destino pretendido, é frequente assistir-se a más práticas de utilização: desde o estacionamento na via pública a “proezas” ilegais de condução nos passeios. Além de darem direito a multa, os comportamentos podem pôr em risco a vida dos condutores e de quem os rodeia.

Para promover práticas mais conscientes, a Lime, o Automóvel Clube de Portugal (ACP) e a Câmara Municipal de Lisboa aliaram-se na iniciativa First Ride Academy e o SAPO TEK acompanhou a experiência. Por um dia, o parque Santos-Rio da EMEL foi transformado num circuito de provas onde os participantes puderam testar os seus conhecimentos e aptidões, acompanhados de princípio ao fim por um instrutor do ACP.

O First Ride Academy foi também um espaço de experimentação para quem nunca conduziu “a sério” uma trotineta elétrica, como Irene e Ana. As duas jovens estudantes foram logo as primeiras participantes a chegar e a expetativa  era tão grande quanto a vontade de aprender mais.

Para Ana, ver más práticas de utilização de trotinetas é tão comum que até “passou a ser quase «natural»”, indicou ao SAPO TEK, apontando para o caricato cenário de um equipamento ali mesmo perdido à beira do rio Tejo. Na sua opinião, este tipo de iniciativas é importante, uma vez que “existem muitas pessoas que começam a andar de trotineta, mesmo quando não têm conhecimento das regras que devem seguir”.

Já para David e Diogo, o mau estacionamento das trotinetas é mesmo das práticas mais flagrantes na cidade de Lisboa. Este tipo de veículo não costuma estar com frequência no seu leque de opções de transporte, no entanto, os irmãos ainda o usam mais para “motivos lúdicos e para passear com os amigos”. Mesmo assim, decidiram apostar na segurança e participar na First Ride Academy para aprender mais.

Aos poucos, o cenário à beira Tejo começou a compor-se com vários participantes alinhados para a aula de condução. Mas ainda antes de partirem para a “estrada” e começarem a treinar acelerações e travagens, houve uma primeira parte mais teórica. “Além de ganhar a prática em termos de domínio do veículo, a qual é fundamental para podermos interagir com os outros intervenientes no meio rodoviário e urbano, é também necessário conhecer e respeitar as regras de circulação”, elucidou João Paulo Justino, instrutor do ACP, ao SAPO TEK.

Antes da prática, o “bê-á-bá” da segurança rodoviária

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Não é necessária uma formação obrigatória para começar a conduzir uma trotineta, no entanto, os condutores dos veículos têm de seguir os regulamentos da estrada. No artigo 112 do Código da Estrada, as trotinetas são equiparáveis a velocípedes e estão sujeitas a penalizações por infrações, sendo que os utilizadores podem arriscar-se a multas caso não cumpram as regras.

“O valor das coimas é elevado: começa nos 60 e chega aos 300 euros. Já quem tem carta de condução não se deve esquecer de um «pequeno» pormenor: todas as infrações ao código da estrada revertem diretamente para a carta de condução”, relembrou João Paulo Justino aos participantes.

A circulação fora dos passeios é provavelmente, uma das normas mais “desrespeitadas”. O instrutor do ACP elucida aos participantes que se deve sempre conduzir numa ciclovia, ou na falta desta, na estrada, seguindo todas as precauções necessárias. Já nos casos em que se torna inevitável ter de passar por um passeio, os utilizadores precisam de “desmontar” da trotineta.

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A utilização do capacete é outro aspeto fundamental, se bem que frequentemente esquecido. Sem ele, o utilizador está a pôr a sua vida em risco, indicou o instrutor, lembrando que basta apenas uma pequena falha no pavimento para provocar uma queda e causar ferimentos sérios. Além disso, o capacete deve ser devidamente apertado, de forma a que não se solte.

À semelhança de quem conduz um automóvel, os condutores das trotinetas devem também manter os “olhos na estrada” e prestar atenção ao tráfego, a outros utilizadores e transeuntes para evitar possíveis acidentes, não esquecendo o uso da campainha. Os utilizadores devem estar preparados para travagens de emergência, pois os “obstáculos” podem surgir quando menos esperam. Nesses casos, o instrutor do ACP elucida se deve contrariar a tendência de forçar o corpo sobre o guiador, “puxando-o” para trás.

De principiantes a “mestres da estrada"

Uma vez aprendida a teoria, os participantes puderam passar à prática, aprendendo não só a ganhar o balanço inicial, mas também a acelerar corretamente e a contornar obstáculos. Mas nem sempre tudo é assim tão fácil, especialmente quando a experiência anterior não era muita. “Ao início, foi tudo muito complicado”, contou Irene ao SAPO TEK, indicando que ganhar equilíbrio foi uma das tarefas mais complexas. “Mas, agora acho que já está tudo bem mais fácil: desde as travagens à aceleração”.

Para Ana, o treino revelou-se surpreendentemente mais fácil do que estava à espera. “É uma questão de conjugar o equilíbrio do corpo com a trotineta em si”. Já Daniel revelou ao SAPO TEK que está mais habituado ao equipamento e costuma usá-lo quase todos os dias, não se esquecendo do capacete. O jovem estudante indicou que embora tenha sido fácil percorrer o percurso de treinos, a sua experiência de aprendizagem centrou-se mais nas normas que desconhecia, como, por exemplo, "a questão de não andar nos passeios”.

A quem quer começar a aventurar-se no mundo da condução de trotinetas elétricas, João Paulo Justino recomenda muito treino, além do conhecimento das regras de circulação. “Há que treinar primeiro: ir para um local seguro, sem trânsito, e perceber primeiro como é que o veículo funciona”, esclareceu o formador do ACP.

“A segurança e as boas práticas são dois dos nossos pilares”, indicou Nuno Inácio, diretor de expansão da Lime em Portugal, ao SAPO TEK. De acordo com o responsável, por enquanto, ainda não estão agendadas mais formações, no entanto, deixou “no ar” a promessa de que 2020 terá muito espaço para mais iniciativas como a First Ride Academy.

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