Até agora limitada ao campo da ficção, a invisibilidade pode, em breve, vir a ser transportada para o mundo real. A promessa é feita pela Comissão Europeia numa alusão ao PHOME, um projecto no domínio da nanotecnologia que, ao estilo do "manto da invisibilidade" de Harry Potter, quer "ocultar" objectos.

Iniciada em 2008, a investigação reúne cientistas da Alemanha, da Grécia, da Turquia e do Reino Unido, que conceberam e criaram "metamateriais fotónicos" que influenciam o comportamento dos raios de luz. Este feito baseia-se no princípio da óptica de transformação, área em que a equipa ligada ao projecto foi pioneira.

O "manto da invisibilidade" é, ele próprio, formado por pequeníssimas varetas com apenas algumas centenas de nanómetros dispostas numa estrutura que se assemelha a uma pilha de troncos de madeira. As varetas são cuidadosamente dispostas de forma a poderem encurvar parcialmente as ondas de luz.

Alterando a velocidade e a direcção em que se desloca a luz, os cientistas conseguem guiar as ondas de luz em torno de um obstáculo com uma dimensão da ordem do micrómetro de modo a torná-lo invisível em três dimensões e em comprimentos de onda de luz próximos dos visíveis para os seres humanos. Estão em curso trabalhos destinados a alargar este efeito para a gama das ondas visíveis, esperando-se resultados em Janeiro.

Até agora, estes "mantos da invisibilidade" funcionavam apenas em duas dimensões, ou seja, o objecto escondido era invisível quando o observador tentava vê-lo de frente, mas tornava-se visível quando visto de lado. Este estudo é o primeiro que conduz à criação de um dispositivo que torna um objecto invisível nas três dimensões.

Actualmente a esconder objectos de dimensões inferiores a 1mm, o PHOME acabou por fornecer uma prova fundamental do princípio para trabalhos de engenharia sobre as propriedades ópticas dos materiais em moldes até agora considerados impossíveis.

O projecto faz parte da iniciativa da CE destinada a impulsionar a investigação de vanguarda no domínio das TIC, um objectivo da Agenda Digital para a Europa, e deverá estar concluído durante o próximo ano.

"Estou espantada com a engenhosidade dos investigadores europeus. Este projecto conseguiu fazer no mundo real o que só víamos no cinema graças aos efeitos especiais", refere Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pela Agenda Digital, destacando a importância da investigação na "criação de alicerces de novas tecnologias essenciais para a competitividade da Europa".

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