Se dúvidas há que em Portugal existe falta de mão de obra qualificada na área da informática, o número de projetos de requalificação profissional que têm surgido deverá servir como prova disso mesmo. Academia de Código e Alphappl são dois exemplos, aos quais também se junta a iniciativa Creators School.

Este projeto “transforma” pessoas de diferentes áreas de atividade em profissionais com capacidade para desempenharem as funções de programador júnior. Dos 10 alunos que fizeram parte da terceira edição do programa, alguns vieram de Marketing, História, Saúde Ambiental e até Engenharia Geológica.

E se para algumas pessoas pode ser estranho ver profissionais a abandonarem a sua área de conforto para apostar em algo totalmente diferente, para a responsável pelas operações da Creators School, Laura Esteves, este é um cenário fácil de explicar. “Não é estranho, são pessoas de áreas onde o desemprego é mais elevado”, explicou em conversa com o TeK.

E mesmo para o segmento das novas tecnologias estas reconversões são positivas pois “trazem uma visão diferente para a área, achamos ótimos”, acrescentou.

O projeto da Creators School começou através da empresa-mãe, a bracarense Subvisual, pois foi notória a necessidade de mão de obra qualificada e a falta de profissionais para responder às necessidades dos clientes - e até da própria empresa.

Laura Esteves explicou que por vezes as entidades procuram profissionais já com experiência e especialização numa determinada área, mas que em muitos outros casos o que procuram é apenas alguém com conhecimentos base e que mostre uma grande capacidade de aprendizagem rápida.

“O que nós garantimos é que as pessoas têm competências técnicas para entrar no mercado de trabalho”, salienta a responsável da Creators School.

Bloomidea, Bitreserve, Stuk.io, Wiremaze, Blip, Scytale, Porto i/o e Marzee Labs são algumas das empresas interessadas no recrutamento destes novos profissionais.

Programar, programar, programar
Quem acede ao site da Creators School vai deparar-se com a seguinte frase: “Aprende a programar e torna-te um super-herói em 9 semanas”.

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Esta é uma referência ao caráter intensivo, prático e colaborativo do curso lecionado através do programa de requalificação. E é também preciso garantir algum trabalho e esforço antes de poder ingressar no programa.

Laura Esteves explicou que a Creators School elabora primeiro um processo de seleção através de entrevistas e através de duas semanas de e-learning, nas quais os interessados terão de mostrar realmente vontade de aprender programação. Desta forma garante-se que quem chega ao fim do curso, está de facto focado em integrar um posto de trabalho como programador.

Durante as 9 semanas são dadas oito horas de formação por dia, maioritariamente através de uma componente prática. E os alunos ainda levam “TPC” - por exemplo, explorar uma linguagem de programação diferente da que estão a aprender no curso.

HTML, CSS, JavaScript, Ruby e Ruby on Rails são as temáticas mais abordadas, sobretudo as duas últimas por a Creators School considerar que neste momento são as mais relevantes para o mercado de trabalho.

Durante o curso também são organizadas visitas a empresas, assim como aulas com presença de programadores já “estabelecidos”, para que os formandos possam ir tomando o pulso ao mercado que estão prestes a enfrentar

“Também trabalham muito em equipa para perceberem como é o ambiente de colaboração nas empresas”, destacou Laura Esteves.

Após o término do curso é a própria Creators School quem contacta as empresas, com base no perfil e nas vontades do candidato, para tentar arranjar a melhor colocação.

“Destes 10 estudantes acreditamos que vão ficar todos”, perspetivou a responsável.

Rui da Rocha Ferreira

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