Antes de começar o piloto com a EasyBits os portáteis Magalhães ficavam em casa e o recurso aos computadores estava limitado à sala TIC, a funcionar com aulas de informática há três anos no Colégio de Alfragide. José Romão, director pedagógico, explica que os alunos que tinham o Magalhães não o podiam levar para a escola porque não era possível controlar o seu uso no recreio e não estava a ser usado na sala de aula.

Mas, desde que o responsável pedagógico por este colégio de Alfragide descobriu o software educativo da EasyBits, o cenário mudou e hoje a escola está integrada num projecto piloto que envolve alunos, professores e pais e que se estende aos portáteis distribuídos no âmbito da iniciativa e-escolinha mas também à sala TIC, onde os alunos têm aulas de informática, e a outras salas de aula, até ao pré-escolar.

O projecto piloto que está a decorrer desde Maio começou por uma turma mas rapidamente envolveu toda a escola, com os professores e alunos a revelarem um grande interesse em participar. O software Inspirus foi instalado em 60 Magalhães dos alunos, mais algumas máquinas de pais que optaram por não adquiri este modelo, e computadores de professores e da sala de informática, onde há também um quadro interactivo. A estes a J.P. Sá Couto, que se associou ao projecto, juntou 24 Magalhães 2, que fazem parte da experiência que deverá ter continuidade no próximo ano lectivo.

O software Inspirus desenvolvido pela EasyBits, e de que o TeK já falou, já está em pré-lançamento mas ainda é uma beta, devendo estar disponível em versão final em Setembro, confirmou ao TeK Tiago Resende, responsável pela empresa em Portugal.

O objectivo é que esta aplicação que permite às escolas e professores uma vertente de controle e segurança, oferecendo ao mesmo tempo um ambiente mais fácil de usar pelas crianças, seja adoptado no Magalhães2, que será distribuídos aos alunos na nova fase do e-escolinha.

Tiago Resende acredita que esta integração está garantida através da parceria com a J.P. Sá Couto, fornecedora dos equipamentos, até porque apesar do Ministério da Educação ter a palavra final na imagem de software a instalar nos portáteis – que ainda está a ser trabalhada – a experiência mostra que “as soluções são adjudicadas de acordo com as propostas dos fornecedores”

Ao fim de poucos meses os resultados deste projecto já se fazem notar nas crianças, que “este ano aprenderam mais do que em anos anteriores”, como nota João Oliveira, professor de TIC, salientando a facilidade do interface que simplifica a utilização das ferramentas mesmo pelos alunos que ainda têm dificuldade em ler. Ao mesmo tempo o controle do professor sobre as actividades dos alunos nos computadores é muito maior, sendo possível definir as ferramentas que podem utilizar, o que pode ser feito em tempo real.

[caption]inspirus usado por alunos[/caption]

“Com o Inspirus podemos criar três ambientes de utilização diferentes nos computadores Magalhães, de escola, sala de aula e de família, definindo-se as ferramentas a utilizar em cada um dos ambientes”, salienta José Brandão, director pedagógico do Colégio que destaca a importância das TIC na educação, uma aposta que já era feita há alguns anos na escola mas que agora é reforçada e ganha flexibilidade com o uso do Inspirus.

[caption]inspirus[/caption]

Para além de criar um ambiente protegido e de interface fácil de utilizar o Inspirus integra uma série de ferramentas, entre as quais o pacote de criatividade Creative Studio que integra um processador de texto, folha de cálculo, apresentações, desenho e edição de imagem.

As várias ferramentas são potenciadas por ecrãs de toque, que embora ainda não estejam disseminados na realidade de computadores portáteis em Portugal fazem parte das rotas de evolução futuras. Por isso neste projecto está também a ser testado o Touch Screen Games, uma aplicação desenvolvida para netbooks que inclui 21 jogos multi-player e single player, que podem ser jogados individualmente ou em grupo, também nos ecrãs interactivos das escolas.

O vídeo abaixo demonstra as funcionalidades destes jogos.

Os jogos são uma das áreas que mais atrai os alunos, mas com um pouco de criatividade dos professores e educadores o Colégio de Alfragide tem também projectos de referência que ligam estas ferramentas à literacia.

Um dos bons exemplos é o que a Educadora Ana Dominguez trabalha com a sala do pré-escolar, onde meninos com quatro anos começaram a publicar no Twitter as suas histórias do dia no ano passado, uma experiência que este ano evoluiu para o Blog e lhes permitiu contactos com diversas pessoas que acabaram por contribuir para o reforço de vivências, entre os quais aulas de filosofia para crianças e até o contacto com o autor de um livro que passou a fazer parte da Casa das Histórias Mágicas.

Estas experiências são reforçadas todos os dias com novas ideias e histórias que acabam por transformar a realidade crua de quem só vê hadware e software na análise das ferramentas informáticas em ambiente de escola e de sala de aula. E a educadora garante que não roubam tempo para pintar, recortar e criar com os materiais tradicionais.

A experiência do Colégio de Alfragide é para continuar, como garante José Brandão. Para já com o reforço da infra-estrutura de rede sem fios – que teve de acomodar as mais de seis dezenas de Magalhães – mas também com uma integração mais profunda com o dia-a-dia da escola e mesmo com as novas aplicações que a EasyBits está a preparar.

Fátima Caçador

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