A inteligência artificial é uma das tecnologias mais testadas no sector da videovigilância. Empresas e universidades têm articulado ambos os sistemas para criar soluções de valor acrescentado em que as imagens gravadas pelas câmaras tradicionais ganham outro significado com as potencialidades interpretativas da IA. Neste campo, uma das funcionalidades que está a ser desenvolvida consiste num software capaz de identificar comportamentos violentos entre multidões.

Agência de segurança procura novas ideias para a utilização de “enxame” de drones
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Em afinação entre o Reino Unido e a Índia, o sistema consiste num drone Parrot AR, que integra uma câmara na sua estrutura, e num sistema autónomo de análise de imagens, instalado num painel de controlo fixo, que recebe as imagens captadas em tempo real. O algoritmo que pauta o funcionamento deste programa consegue identificar uma variedade de poses corporais associadas a comportamentos violentos.

As equipas envolvidas no projeto indicam que o sistema está a ser desenvolvido para ajudar a garantir a segurança em eventos de grande dimensão. Amarjot Singh, investigador da Universidade de Cambridge e responsável pelo grupo britânico que está a contribuir para a concepção desta tecnologia, adianta que se sentiu especialmente motivado a trabalhar nesta ideia depois do atentado bombista de 2017, na Manchester Arena. Singh explica que numa fase mais adiantada, um sistema como este poderá ser fulcral na prevenção de ataques semelhantes ao detetar comportamentos suspeitos, como seria o caso de um indivíduo deixar uma mala no chão sem qualquer supervisão.

Por agora, o sistema tem conseguido atingir os 94% de precisão face a hipotéticos cenários de violência. Mas apesar dos valores, Singh indica que a IA não consegue manter o nível quando mais pessoas se juntam ao plano captado. Com 10 indivíduos no campo de visão, o sistema já só consegue chegar aos 79% de precisão, o que significa que ainda existe muito trabalho pela frente, antes que o sistema seja aplicado em cenários reais.

Apesar de estarem a ser testados em ambientes controlados, os drones vão ter uma prova de fogo muito em breve, em dois festivais de música indianos. O primeiro, chamado Technozion, vai acontecer dentro de um mês. Singh sublinha que em espaços onde existe muita afluência, os movimentos humanos são geralmente mal interpretados por este tipo de software, o que atesta a importância dos testes que se seguem.

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