Montam-se pistas para as provas de busca e salvamento. Treinam-se coreografias para a prova de dança, afina-se a programação que permitirá fazer o percurso sem sair das linhas, penalizando tempos de prova. Ainda não está tudo pronto no Instituto Superior Técnico para a décima primeira edição do Festival Nacional de Robótica, mas quase.



A escola recebe este ano o evento que, nas diversas provas, deve juntar cerca de 600 participantes com uma clara prevalência das equipas juniores, que chegam de escolas secundárias de norte a sul do país.



No auditório há ensaios para uma coreografia de robôs escondidos em animais de peluche. A equipa de quatro membros (com idades a partir dos 9 anos) é coordenada no treino pelo olhar atento do professor, que tenta perceber os ajustes ainda a fazer para que o coelho, o cão ou as flores do cenário se animem ou movam no tempo certo.



Logo ali ao lado há estruturas de metal que ganham braços e cabelo, para assegurar um aspecto mais apelativo quando entrarem em prova e tentarem ser os mais perfeitos na coordenação dos ritmos da música, com os movimentos da coreografia definida pela equipa.



Uma e outra equipa preparam-se para a prova de Dança Júnior, uma das que habitualmente cativa mais interesse de quem passa pelo festival, mas que não é a única a consegui-lo. O futebol robótico tem o mesmo mérito, mas nas várias provas a concurso nesta edição 2011 do festival todas as categorias estão bem recheadas de equipas.



Luís Sousa, professor do IST e membro da comissão organizadora do evento, não esconde o entusiasmo com todo o movimento nas zonas que acolhem a iniciativa e sublinha a importância dos professores, que no ensino secundário se esforçam para plantar o bichinho da robótica nos alunos que lhes passam pelas mãos.



E se uns ainda estão a descobrir o que podem fazer nesta área e como fazê-lo, como é o caso de Patrícia Livramento, aluna da EB2,3 de São Gonçalo em Torres Vedras, uma estreante no Festival de Robótica - onde as meninas não são uma raridade, mas claramente também não são a maioria. Outros fazem questão de deixar claro a experiência na participação e os bons resultados que têm obtido, como o colega de equipa Rodrigo Monteiro.

[caption]Zona de provas - condução autónoma[/caption]

Nas edições anteriores do Festival a sua equipa conseguiu sempre ficar nos primeiros lugares das provas em que participou e internacionalmente também já participou no Robocup, garantindo lugares no top 10.



Menos movimentado que o departamento de engenharia civil, o edifício central da escola também recebe provas. A condução autónoma de robôs domina o piso 0, logo a seguir ao átrio de entrada onde também há provas a decorrer, como a Robot@factory, uma competição que mostra o trabalho desenvolvido pelos participantes, tendo em mente os desafios que podem colocar-se num ambiente de fábrica (seleccionar, recolher e arrumar produtos, por exemplo).



Na zona da condução autónoma (mostrada nas imagens) treinam-se "concorrentes" e tenta garantir-se que todas as configurações estão à medida de uma prova rápida e sem sair do percurso. Há que ler sinais, passar um túnel, parar na passadeira e perceber as diferenças entre traços contínuos e descontínuos. Tudo num percurso que é partilhado por equipas juniores e seniores e que, como explica Luís Sousa, é idêntico àquele que os participantes têm nas suas escolas para treinar os robôs que vão construindo.

[caption]Zona de provas - condução autónoma[/caption]

Mas há sempre ajustes a fazer e as próprias regras da competição asseguram isso, barrando a utilização de tecnologia muito sofisticada e mantendo a competição potencialmente aberta, tanto a quem concorre com um protótipo de 100 euros, como a quem já acumula alguns anos de trabalho nestas provas e se apresenta com "concorrentes" claramente mais apetrechados e caros.

No piso de cima o verde do piso denuncia a competição sénior de futebol robótico em preparação. As provas ainda não começaram, mas os robôs exibem alguns truques para as câmaras de TV que estão no local a fazer a cobertura do evento.


A rapidez de movimentos e os remates altos à baliza prometem espectáculo e animação prolongada, ou não estivessem inscritas na prova 14 equipas, que comandarão os seus robôs através de uma rede sem fios a funcionar em duas gamas distintas para não haver trocas de informação indesejadas.


Aqui como nas restantes provas, as participações são quase exclusivamente nacionais. O evento é divulgado internacionalmente, mas é o networking entre equipas de investigação de zonas diferentes do país o grande motor do Festival. Ainda que uma equipa do Irão tenha chegado hoje ao IST para participar numa das provas. Já estavam na Europa e sabendo da iniciativa decidiram rumar a Portugal.

Nota de redacção: Notícia actualizada com imagens

Cristina A. Ferreira

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