Portugal é uma plataforma piloto para a Critical Software na estratégia de exportar soluções e tecnologias para parceiros fora do país. E o segundo workshop da empresa, que teve lugar ontem em Coimbra e tem continuação hoje, é um espelho da realidade da empresa: a génese está no mercado nacional mas os grandes clientes estão no estrangeiro.



A NASA e a Agência Espacial Europeia, chinesa e japonesa são alguns dos parceiros da Critical, e isto só no mercado aeroespacial. No seminário estiveram presentes representantes destes organismos, além de vários alunos e investigadores de universidades, sobretudo italianas.
Confiabilidade e certificação foi o tema discutido por vários oradores e a robustez dos sistemas críticos esteve no centro das discussões.



Uma das tendências mais atuais partiu de Roberto Baldoni, investigador da Universidade La Sapienza de Roma, que explicou a forma como as redes sociais podem aumentar os riscos de exposição da informação e dos sistemas de uma determinada empresa. Apesar de haver uma estrutura laboral hierárquica, o que de certa forma dificultaria o acesso aos dados pelas camadas de proteção que estão definidas, com as redes sociais estabelece-se uma linha vertical entre as pessoas, o que aumenta os riscos online.



Além disso, existem também diferentes níveis de utilização de trabalhador para trabalhador. O CEO de uma empresa pode ser amigo do porteiro da companhia numa determinada plataforma, que pode ser usada para explorar vulnerabilidades, bastando para isso os computadores partilharem informação num mesmo servidor infetado com malware.



Os atacantes e as ameaças também estão mais precisos nas ações danosas que executam. A complexidade crescente dos vírus, como o Stuxnet, o Gauss e o Zeus, provam que por vezes não basta identificar a ameaça quando depois a sua remoção se torna difícil pela falta de dados que existe sobre os propósitos do malware.



O futuro não traz perspetivas mais animadoras no que diz respeito à complexidade e raio de ação das ameaças. A computação de mobilidade, que é uma das áreas onde a Critical Software tem investido nos últimos meses, é uma realidade crescente e cada vez existem mais códigos de software nos automóveis e transportes púbicos, pelo que no futuro também serão vítimas de ataques.

O desenvolvimento dos drones aéreos de baixo custo e que podem roubar dados das redes Wi-Fi de uma determinada zona residencial apenas com um voo, foi outra das áreas apontadas por Roberto Baldoni como futuramente críticas em termos de segurança e confiabilidade.


As atividades de engenharia baseadas em RAMS - Reliability, Availability, Maintainability e Safety - também foram debatidas com profundidade. A importância dos programas informáticos no reconhecimento de falhas e na análise dos componentes suscetíveis é cada vez maior, sob pena de uma determinada ameaça apenas ser descoberta num estado avançado de evolução com consequências económicas e de branding para uma empresa.



Afinar a estratégia portuguesa



Em 2012 o negócio da Critical cresceu em Portugal, mas o mercado nacional está a perder expressão na estratégia da empresa, muito por causa dos mais de 80% que representam a exportação na faturação da tecnológica. Em áreas como as soluções aeroespaciais, os valores chegam mesmo a ultrapassar os 90%.



Por este motivo é que o investimento da empresa no mercado português passa por consolidar as parcerias e os clientes atuais, através da otimização de recursos e diminuição de custos. Como revelaram os gestores da área aeroespacial, mobilidade e qualidade da tecnológica, os trabalhos desenvolvidos com as Forças Armadas e com a EDP por exemplo, servem ao mesmo tempo como montra e trampolim das soluções para outras geografias, como os PALOP.



Como consequência, segue-se o reconhecimento internacional. A realidade é espelhada pelo sucesso conseguido e pelos investimentos que têm sido feitos além-fronteiras, e também pelos convites e pedidos que a Critical Software tem recebido nos últimos meses para novos projetos.



Por fim e como revelou Rui Cordeiro, diretor de vendas da Critical, a ideia é passar cada vez mais do ambiente académico para o mercado real e experienciado. Neste sentido, as parcerias com as universidades portuguesas acabam apenas por acontecer quando existe um novo projeto a ser trabalhado e que precisa de uma nova solução.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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