Dois anos depois do início do Programa e-iniciativas (que abrange o e-escola, e-professor e e-oportunidades), uma avaliação do impacto directo da distribuição de mais de 850 mil de computadores portáteis com acesso Internet mostra um efeito positivo na utilização dos recursos, mas não transformador.

A grande maioria dos alunos e professores que aderiram ao programa e-escola já possuíam computadores pessoais, embora de secretária, e também acesso à Internet pelo que o programa teve um impacto mais forte na garantia da mobilidade, indica um estudo realizado pela KPMG para a Anacom, publicado esta semana.

Na verdade, só 8,9% dos aderentes ao e-escola não tinham ainda um computador e apenas 17,6% ganharam com o programa um acesso à Internet.

Os números apresentados no estudo, que já tinha sido noticiado no TeK como site do dia, aplicam-se aos três públicos alvo do programa - alunos, professores e formandos do Novas Oportunidades, sendo que mais de 90% dos aderentes já tinha em casa um computador - na maioria dos casos um desktop.

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Dos computadores presentes nos agregados familiares dos aderentes, o número de portáteis é baixo, embora estes equipamentos fizessem parte dos planos de aquisição de muitas famílias até final de 2010 - sobretudo entre alunos e professores.

Também em relação à utilização da Internet não foi sentida com o e-escola uma grande transformação. A maioria dos aderentes já tinha Internet em casa, numa percentagem mais elevada entre alunos e professores (respectivamente 82,4% e 85,9%), mas mais baixa nos formandos do e-escola (62,3%).

Tal como nos computadores, a maioria dos acessos era fixo e não móvel, o que garante uma mais-valia teórica na mobilidade.

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Esta diferenciação não parece, porém, ser utilizada de forma activa pelos alunos e professores. Quando questionados sobre os locais de utilização da Internet não se verificaram mudanças significativas com a adesão ao programa, continuando a casa a ser o local de eleição dos alunos. No caso dos professores há uma alteração de hábitos mais directo, com um crescimento do número dos que acedem à Internet a partir da escola a subir para 31%.

Uso mais regular

Sem grande impacto na posse das ferramentas que sustentam o interesse do programa, é na utilização que o estudo encontra mais-valias. Até Outubro tinham sido abrangidos no programa 851,7 mil indivíduos, sendo que a maioria (59,7% nos alunos, 59,8% nos professores e 72,9% nos formandos do Novas Oportunidades) admite que a iniciativa potenciou uma utilização mais regular do computador.

"As e.iniciativas demonstram impactos directos sobre os aderentes (nomeadamente no que diz respeito à maior regularidade de utilização de computador e internet), mas também impactos externalizados nos agregados familiares, nos quais também se observa maior regularidade na utilização do computador e da internet", resume o estudo publicado no site da Anacom.

O relatório final mostra mesmo que a utilização da Internet e do computador se estendeu a outros membros do agregado familiar, potenciando o tão desejado "efeito de contágio".

Operadores escolhidos e melhorias apontadas

A avaliação realizada pela KPMG traça ainda uma evolução da adesão dos beneficiários às ofertas dos três operadores móveis que sustentam a iniciativa, mostrando que a TMN continua a dominar com 73,2% do total de aderentes, enquanto a Optimus conta com 23,6%.

De notar porém uma alteração em meados do ano passado na captação de novos utilizadores, sendo que a TMN recebia pelo menos 60% das novas proposta até Junho, invertendo-se a situação em Agosto, onde a Optimus ganhou especial relevo, o que já tinha sido apurado pelo TeK em notícias publicadas anteriormente.

Embora reconhecendo a satisfação geral dos aderentes em relação ao e-escola, o estudo aponta algumas áreas onde devem ser feitas melhorias, nomeadamente no serviço pós-venda e nas condições de acesso à Internet (sinal e cobertura de rede).

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