Um programa capaz de identificar o grau de manipulação a que uma fotografia foi sujeita com recurso ao Photoshop, é a proposta de um professor da universidade de Darmouth, nos Estados Unidos, que decidiu colocar o plano em marcha com a ajuda de um estudante de doutoramento.

O objetivo dos responsáveis pelo projeto é que a classificação atribuída às imagens analisadas, com base numa escala de 1 a 5, acompanhe as fotografias publicitárias e as que aparecem nas revistas de moda.

Hany Farid defende que "os publicitários têm razões legítimas para alterar as fotografias de forma a apelar à fantasia e vender produtos, mas estão a ir um bocadinho longe demais", alertando para as consequências negativas para quem se depara todos os dias com estas imagens de corpos perfeitos sem consciência de que tal se pode dever ao trabalho de especialistas na manipulação das imagens.

O trabalho teve início depois de o Governo britânico ter anunciado que pretendia criar legislação que obrigasse a aposição de uma etiqueta avisando os leitores de que aquela fotografia tinha sido manipulada.

Mas o tipo de alterações feitas a uma imagem pode variar de forma relevante, indo desde o mero disfarce de imperfeições na pele a um emagrecimento chocante como o que colocou nas bocas (e olhos) do mundo a imagem de Filippa Hamilton para a campanha da Ralph Lauren.

Uma das críticas apontadas por Hany Farid e Eric Kee à proposta britânica é o facto de propor uma classificação única para as imagens, quando "toda a gente sabe que estas são de diferentes tipos", sendo essa uma questão importante. "Quando é que é que é demais? Isso levou-nos a pensar se seria possível fazer essa quantificação", explica o professor citado pela revista Wired.

Os resultados do trabalho foram publicados ontem, num estudo que recorreu a um modelo computacional capaz de analisar fotografias originais e retocadas e descobrir o nível de alterações a que foram sujeitas, numa escala em que 1 é uma imagem que sofreu apenas alguns retoques e 5 corresponde a uma bastante adulterada.

A classificação do computador foi depois comparada com a perceção de um grupo de pessoas escolhidas ao acaso a quem foi pedido que avaliassem as mesmas fotos, com o mesmo objetivo. As "pontuações" foram coincidentes, o que leva os especialistas a afirmarem que o que têm agora é um modelo capaz de prever o que o "observador médio" seria capaz de perceber - quando colocado perante a imagem original e a manipulada.

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Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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