Tartarugas Ninja Heróis Mutantes: O Romper Das Sombras, O Dia da Independência: Nova Ameaça, As Caça-Fantasmas e Os Sete Magníficos são alguns dos filmes que estão “em cena” em Portugal e que contaram na sua produção áudio com o apoio do Sound Particles, um software criado por Nuno Fonseca, docente no Instituto Politécnico de Leiria.

Esta é uma nova tecnologia que permite simular por computador milhares de sons em simultâneo e “foi pensada essencialmente para grandes produções de Hollywood, aquelas que incluem cenas épicas com milhares de coisas a acontecer ao mesmo tempo”, explica Nuno Fonseca.

O programa substitui o tradicional processo manual e que consiste em ir adicionando som após som, tarefa que pode sobrepor mais de 100 sons em simultâneo. “Com esta tecnologia, o software consegue criar milhares e milhares de sons, poupando tempo e obtendo resultados mais realistas”, refere o criador do software.

Com recurso a este software, o utilizador pode rapidamente “pedir” 10 mil partículas (sons), espalhadas por 1 km2, ir à biblioteca de sons buscar 200 sons de guerra, por exemplo, e obter o som final baseado na norma Dolby Atmos 9.1. “O resultado obtido é um som mais realista, em muito menos tempo”, garante Nuno.

Em entrevista ao TeK, o também responsável pela licenciatura em Jogos Digitais e Multimédia da já referida instituição conta como surgiu a ideia de criar o Sound Particles. “Há cerca de dez anos reparei que os efeitos especiais mais interessantes em cinema usavam sistemas de partículas – milhares ou milhões de pequenos pontos que juntos criam a ilusão de fogo, chuva, fumo, pó. E na altura pensei que seria fantástico usar a mesma tecnologia para o som, gerando milhares de sons em simultâneo”, diz Nuno Fonseca.

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Quatro anos mais tarde, ao terminar o seu doutoramento, o professor do departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria reparou que ainda “ninguém tinha começado a usar sistemas de partículas para som” e resolveu criar o seu próprio simulador do género aplicado ao som.

Reconhecimento vindo de Hollywood

A oportunidade de “vender” a tecnologia ao mercado das grandes produções nos Estados Unidos apareceu quando menos esperava. “No final de 2014 fui a uma conferência de áudio em Los Angeles e, antes da viagem, enviei alguns emails a estúdios de Hollywood a apresentar o software”, conta Nuno. No seguimento desses contactos, o estúdio Skywalker Sound, criado por George Lucas aquando da produção do filme Guerra das Estrelas, foi o primeiro a responder, com um convite para dar uma palestra em território norte-americano. Foi assim que o software Sound Particles entrou em Hollywood.

“Neste momento não há nenhum software similar, já que praticamente todos os programas áudio usam o mesmo conceito de misturar sons ‘em cima’ de outros sons. Este é o primeiro software nativamente 3D para áudio”, explica o responsável. E é este o segredo do sucesso do Sound Particles.

Mas o futuro promete novos desenvolvimentos do projeto… “Uma área a explorar em breve é a integração de informação CGI em filmes com efeitos especiais 3D ou em filmes de animação por computador, em que já existe informação 3D sobre o movimento dos objetos e da câmara, aproveitando essa informação para ser usada diretamente no som”, explica Nuno, revelando que “neste momento já existe uma reunião agendada com a Disney”.

Bons resultados

Nuno Fonseca revela que “o software foi colocado à venda há seis meses, tendo já gerado cerca de 40 mil euros em vendas”. Outros filmes em que a tecnologia foi já utilizada são Poltergeist, The Walk, The Forest, Steve Jobs e Batman vs. Superman, por exemplo. Jason W. Jennings atesta a qualidade do software afirmando que nunca usou nada como o Sound Particles antes: “estou completamente fascinado com o programa”, exclama o editor e supervisor de som do novo filme da série Tartarugas Ninja.

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