Em seis meses os portugueses gastaram mais de 1.630 milhões de euros em compras online, um número apurado pelo estudo Mediascope que a ACEPI - Associação do Comércio Electrónico e Publicidade Interactiva - hoje divulgou e que revela uma confiança crescente no comércio eletrónico.

Segundo os dados da análise realizada entre Setembro de 2011 e Fevereiro de 2012, 78% dos internautas portugueses realizaram compras online, numa média de 8 aquisições por cada utilizador e com um gasto médio de 427 euros, um número que pode parecer à partida elevado mas que Alexandre Fonseca, presidente da Associação, contextualiza: "se pensarmos que entre os produtos mais populares online estão as viagens e os bilhetes é fácil chegar a este valor".

O Mediascope é um dos estudos europeus mais relevantes sobre os hábitos de utilização e compra na Internet e abrange 28 países, envolvendo mais de 50 mil entrevistas telefónicas, presenciais e na Internet. Em Portugal foram inquiridos entre mil e 1.500 utilizadores, numa amostragem com uma margem de confiança de 95%.

O estudo indica que no período analisado 5,3 milhões de portugueses estavam online, o que se traduz numa taxa de penetração de 59% e um aumento de 14% face a 2010, quando tinha sido realizada a última amostragem. Embora ainda abaixo dos números médios da Europa (65%) e sobretudo da Europa do norte, que rondam os 81%, esta taxa de utilização revela a entrada de um público novo no mundo online, constituído em muitos casos por idosos e crianças, explica Alexandre Fonseca.

Em termos de consumo de media a Internet assume um papel cada vez mais relevante, sendo usada em paralelo com a televisão em horas de prime time, mas é a influência nas decisões dos consumidores sobre as marcas e produtos preferidos que toma maior relevância. O inquérito mostra que 54% dos utilizadores consideram importante a forma como as marcas comunicam online, e 51% declaram especificamente que a Internet os ajuda a escolher melhor os produtos e serviços que pretendem adquirir, mesmo que depois essa aquisição não se concretize online.

"A Internet tem cada vez mais importância na escolha e recomendação de produtos, num espírito de comunidade. E as categorias de produtos e serviços com maior influência de comentários de outros utilizadores são as férias e viagens, e bilhetes de avião", explica Alexandre Fonseca, defendendo que é muito importante que a oferta turística portuguesa esteja online e que esta é uma forma de atrair turistas de outros países, sobretudo do norte da Europa que já estão muito habituados a comprar na Internet.

Apesar de reconhecer o crescimento da confiança dos portugueses nas compras online, o presidente da ACEPI nota porém que a maioria das aquisições ainda é canalizada para site fora do país e defende que é preciso maior investimento das empresas portuguesas para aumentar a sua presença no e-commerce e absorver uma fatia maior deste valor.

"É importante que as empresas portuguesas captem uma maior fatia deste bolo de 1.630 milhões de euros e consigam também vender mais para o estrangeiro", afirmou durante a conferência de apresentação do estudo.

Ainda ontem um estudo do Eurobarómetro mostrava que os portugueses têm ainda receio de usar os serviços dos bancos na Internet e de fazer compras online, como o TeK escreveU hoje.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fátima Caçador

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