A Comissão Europeia decidiu adoptar o eEurope Benchmarking Report para 2002. Trata-se de um relatório que fornece uma visão sobre o processo de desenvolvimento da Sociedade da Informação na Europa desde a Cimeira da Lisboa – que se realizou em Março de 2000 – e que chamou a atenção para a necessidade da UE ser mais inovadora, de se transformar numa economia baseada no conhecimento até 2010 e que conduziu ao eEurope Action Plan 2002.



Neste momento, as expectativas não são as melhores e para os Estados Membros conseguirem alcançar os objectivos traçados neste plano – ou seja, ter 100 por cento dos serviços básicos online – terão de se esforçar consideravelmente mais, já que existem ainda países como o Luxemburgo, com uma média de apenas 20 por cento dos serviços disponíveis na Net – sendo o mais avançado a Irlanda com quase 70 por cento.



Este relatório analisa dados de toda a Europa comparando-os com indicadores chave, que vão desde o preço das ligações à Internet até ao número de escolas ligadas à Rede. Segundo as suas conclusões, o Plano de Acção eEurope ajudou de facto a ligar casas, escolas e empresas à Net, mas a um ritmo muito lento. Quanto à disponibilização de banda larga a situação é semelhante – com a agravante de continuar cara e limitada a duas plataformas, ADSL ou cabo. O mesmo acontece com o ecommerce e o crescente número de problemas de segurança.



O eEurope Benchmarking Report 2002 é já considerado um importante instrumento de trabalho para o Conselho Europeu, que realizará de 15 a 16 de Março em Barcelona, e onde se avaliarão os progressos da UE em direcção aos objectivos estabelecidos em Lisboa e se definirão novas prioridades.



Entre as conclusões apresentadas no relatório – onde se nota uma distância a nível tecnológico entre o Norte e o Sul da Europa – destaca-se a taxa de penetração da Internet nos lares que aumentou de 18 por cento em Março de 2000 para 28 por cento em Outubro de 2000, 36 por cento em Junho de 2001 e 38 por cento no final do ano passado. Quanto às percentagens de cada Estado Membro, a Grécia tem apenas 10 por cento da população online, enquanto que a região da Escandinávia e a Holanda alcançam os 60 por cento. Estes valores poderão ser explicados pela saturação nos países com maior taxa de penetração e com o facto do número de computadores em casa limitar o desenvolvimento da Internet na ausência de outras formas de ligação como através da televisão ou de equipamentos móveis.



Embora os custos das ligações à Net tenham vindo a decair gradualmente, através do incentivo à concorrência, o custo das chamadas telefónicas continua a aumentar. A tecnologia de banda larga permanece demasiado cara para os europeus pelo que a sua penetração é de apenas 6 por cento, um valor que fica muito atrás da Coreia, Canadá e Estados Unidos.



Segundo o Comissário Europeu para a Sociedade de Informação, Erkki Liikanen, o regulamento aprovado em Dezembro passado para estimular a competitividade nesta área não é suficiente já que, na sua opinião, a banda larga é crucial para alcançar os objectivos definidos em 2000 e que os Estados Membros não estão a conseguir.



O ecommerce não foi esquecido e de acordo com o relatório de benchmarking o seu crescimento está a revelar-se mais moroso que o esperado com apenas 4 por cento dos utilizadores a classificarem-se como consumidores online frequentes, embora se comece a notar um crescimento no comércio electrónico peer-to-peer.



Outra das conclusões apresentadas é que as PMEs continuam a manifestar-se pouco na Internet, sendo ultrapassadas por empresas maiores que vendem e compram online e que representam quase a totalidade dos 20 por cento das empresas europeias presentes na Net. Quanto à segurança, as novas redes de banda larga always on criaram necessidades de segurança cada vez maiores, e embora o número de vírus aumente a quantidade de servidores de segurança per capita para o ecommerce é ainda 50 por cento da média norte americana.



Um dos aspecto mais importantes na Sociedade de Informação é o eGovernment e apesar do interesse nesta área estar a aumentar com aproximadamente metade dos cibernautas europeus a aceder a sites governamentais, apenas 10 por cento utiliza as suas funcionalidades, que na maior parte dos casos se resume ao download de documentos.



Para 2005 e perante o atraso em relação aos objectivos do plano estabelecido em Lisboa, Erkki Liikanen propõe que se incentive o acesso em banda larga à Net, a criação de mais conteúdos, o desenvolvimento da administração pública electrónica, maior segurança nas redes e a integração no eEurope de todos os países candidatos à entrada na comunidade europeia.



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