Não existem dúvidas que a divulgação de imagens e conteúdos falsos, mas com um aspeto muito realista, está a aumentar com a proliferação de vídeos de deepfake. Agora a técnica chegou à Índia, com dois vídeos do presidente do partido Bharatiya Janata a, supostamente, criticar o governo de Arvind Kejriwal, um dia antes de uma eleição.

Os vídeos, com Manoj Tiwari a falar em inglês e indiano em separado, tornaram-se viral no WhatsApp um dia antes das eleições da Assembleia Legislativa de Deli, a 7 de fevereiro. Num canal no YouTube é possível aceder aos três conteúdos, nas duas línguas, mas também é possível comparar com aquele que dizem ser o original. Veja o vídeo manipulado, em inglês.

"Kejriwal traiu-nos em relação às suas promessas, mas agora Deli tem uma oportunidade de mudar. Por isso basta votar na opção certa no dia 8 de fevereiro para se formar um governo liderado por Modi". Estas foram algumas das frases que a técnica conseguiu fazer parecer, à partida realmente verdadeiras, e ditas pelo presidente do partido. No entanto, no alegado vídeo original é possível verificar que tudo não passou de uma manipulação.

Twitter declara "guerra" ao conteúdo manipulado e anuncia a chegada de novas regras
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Ao the Vice, o coresponsável das redes sociais e tecnologias de informação do partido de Manoj Tiwari, explica que os vídeos de Haryanvi parecem ser convincentes, sendo pouco provável o leitor colocar em causa a sua autenticidade. Mas quantas pessoas poderão ter visto este conteúdo? De acordo com Neelkant Bakshi, os vídeos foram partilhados por 5.800 grupos do WhatsApp, tendo alcançado cerca de 15 milhões de pessoas. O objetivo passava por dissuadir sobretudo os trabalhadores emigrados a votar no partido político rival.

Com esta técnica a crescer, nomeadamente na área da política, mas também da pornografia, os Estados Unidos da América foram dos primeiros a avançar com medidas legais para impedir a proliferação destes vídeos manipulados, em 2019. Uma das leis torna ilegal a distribuição de vídeos manipulados que pretendam desacreditar um candidato político e enganar os eleitores, mas só nos 60 dias que antecedem uma eleição.

Mais recentemente, foi a vez do Twitter declarar "guerra" ao conteúdo manipulado, anunciando novas regras que entram em vigor a 5 de março. Todos os tweets que contenham algum tipo de conteúdo manipulado passarão a ter um aviso de forma a alertar o público e evitar a disseminação de informação falsa.

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