O MUDA - Movimento pela Utilização Digital Ativa arrancou há um ano com um objetivo ambicioso, mas os números hoje revelados, com a ajuda do barómetro MUDA/GfK mostram que o projeto que pretende aumentar a literacia digital e a inclusão está no bom caminho. Segundo os dados preliminares, a percentagem de pessoas que nunca utilizou a internet em Portugal baixou de 26% (número registado em 2016) para menos de 20%, revelou hoje Alexandre Fonseca num encontro com jornalistas.

“Não quero reclamar todo o crédito para o MUDA, mas isto são dados reais”, adiantou Alexandre Fonseca. Segundo o diretor executivo, a iniciativa que envolveu mais de 30 parceiros teve impactos diretos e indiretos, e teve a vantagem de envolver três dezenas de grandes empresas, com um número significativo de recursos (mais de 50 mil milhões de euros de faturação, mais de 120 mil colaboradores e mais de 5 mil pontos de contacto com o público) de que é preciso fazer um esforço significativo para comunicar digital.

93% dos portugueses sabem o que podem fazer na internet mas só 50% a usam realmente
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Entre as várias iniciativas desenvolvidas pelo MUDA Alexandre Fonseca destaca o roadshow, que levou a iniciativa a 11 cidades, durante cinco meses. “Falámos com pessoas em cidades do interior, fiz mais de 30 mil quilómetros de carro, tirámos milhares de selfies com famílias”, contabiliza o diretor executivo do MUDA. “Fomos para o terreno a sério”, justifica, defendendo que só desta forma se consegue ultrapassar as barreiras da comunicação e do acesso a informação de muitas franjas da população, e não apenas nas zonas interiores do país.

Neste contacto próximo houve muitas oportunidades para contactar com os problemas e dificuldades reais, e Elisabete Macieira admite que a maior surpresa foi o contacto com pessoas muito jovens, com idades entre os 35 e 40 anos, que não tinham sequer um endereço de email.

O MUDA quer acelerar este contacto de proximidade no próximo ano e já desenhou o plano para fazer 30 ações, desta vez em espaços comerciais, mas há outras áreas nas quais a iniciativa quer investir, como o desenvolvimento do programa de voluntariado jovem, para o qual está a preparar um programa com o Ministério da Educação cujos detalhes conta revelar em breve.

"Os jovens podem fazer ações de voluntariado efetivo, em contexto familiar, ajudando as famílias a usar a fatura eletrónica e os serviços digitais", explica. Mesmo sem nenhuma campanha, a plataforma já conta com mais de 700 voluntários, e este ano quer reforçar esse número, contando com tutoriais online para "ensinar os jovens a ensinar".

Para Alexandre Fonseca conseguir alargar o acesso e conhecimento das ferramentas digitais a toda a população é uma responsabilidade de todos e não apenas do Estado, e por isso defende que são estas iniciativas que podem fazer a diferença. “Seremos tão ágeis [no digital] quanto os mais retardatários forem”, lembra, usando o exemplo das alcateias de lobos que nas suas deslocações colocam os mais velhos à frente para que todos se movam ao ritmo dos mais fracos.

O diretor executivo garante ainda que o MUDA vai continuar a defender alguns dos princípios base que definiu como estratégicos, entre os quais que os serviços de comunicação do estado com as pessoas e as empresas têm de ser digitais by default, que devem existir sistemas de autenticação únicos para o estado e em serviços privados, e que deve ser reduzido o número de arquivos em papel.

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