Entre 2010 e 2011, o Europeana multiplicou por cinco o número de visitantes únicos que acedem ao site, que reúne recursos (imagens, textos, som e vídeo) de museus, bibliotecas, arquivos e colecções audiovisuais dos vários Estados europeus.

A mudança de uma média de 100 mil acessos mensais, em 2010, para os cerca de 500 mil registados nos primeiros meses deste ano fica a dever-se à indexação no Google e à presença do portal nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook - onde os portugueses são dos mais activos.

Os serviços de media social têm ajudado a aproximar os internautas do Europeana, permitindo que apresentem críticas e sugestões, e criando um maior envolvimento com o projecto, explicou a Business Development Manager do portal. Na calha está também a criação do Europeana Blog.

O mais importante é "garantir que [os internautas] nos encontram", afirmou Annette Friberg.

As exposições virtuais - implementadas recentemente e no mapa de investimentos para o futuro - são um dos exemplos de novidades que procuram "responder às expectativas dos utilizadores", porque "é isso que fará com que visitem o site", acredita a responsável.

Esta experiência precede outras, mais ambiciosas e com grande enfoque na integração de serviços e contribuição dos utilizadores, que a responsável espera ver concretizadas depois de, em Setembro, ser concluído o novo acordo com os parceiros relativamente à distribuição de dados.

Uma aplicação do Europeana para telemóveis, recorrendo à geolocalização e oferecendo integração com serviços populares que já tiram partido desta (como o Foursquare ou o Google Places) é uma das novidades em preparação, que espera a "carta branca" do novo acordo para seguir em frente.

Outro dos projectos prioritários passa por dar aos utilizadores a possibilidade de contribuírem para o repositório, dados que estão já a ser recolhidos em roadshows por vários países, que permitem aos interessados levarem documentos relevantes que tenham em seu poder para digitalização e registo no arquivo (mesmo que ainda não possam ser colocados online).

Os documentos serão depois associados a informação providenciada pelos parceiros do Europeana, enriquecendo o acervo.

Esta integração e cruzamento de informação para melhorar a experiência de quem procura documentar-se, será também facilitada pela integração com a Wikipédia, que constitui outra das grandes medidas em agenda. Um utilizador que recorra ao Europeana passará a dispor de um link para mais informação sobre o tema na enciclopédia colaborativa.

Os planos foram detalhados numa conversa com o TeK durante uma passagem por Lisboa, para o Seminário Matriz, que decorreu ontem. Annette Friberg fez também um balanço sobre o desenvolvimento da iniciativa europeia, que já conta com 16 mil milhões de objectos digitais online, 67 por cento dos quais são imagens e 31 por cento texto. Uma das preocupações reside em aumentar a quantidade de conteúdos audiovisuais, referiu.

Actualmente há cerca de 34 museus e 48.000 objectos para "entrar" no portal, e até 2015 espera-se que o número de objectos online atinja os 30 mil milhões.

Portugal contribui, de acordo com uma contagem feita este mês, com 24.520 objectos, situando-se no número 24 da tabela. Embora a responsável europeia tenha classificado a prestação nacional de "bastante boa", é necessário aumentar o acesso ao património cultural português na Internet.

Portugueses também querem "integrar" sistemas de gestão de objectos digitais

Foi com o propósito de divulgação da cultura nacional online e participação no Europeana que nasceu a Cultura.pt, uma marca que agrega o Instituto dos Museus e da Conservação, a Biblioteca Nacional de Portugal, a Cinemateca e a Direcção Geral de Arquivos.

A iniciativa pretende aumentar a participação portuguesa no Europeana, mas não se quer ficar por aí. Depois de, no mês passado, ter disponibilizado online o Registo Nacional de Objectos Digitais, que reúne os registos bibliográficos de bibliotecas e outras organizações com textos, imagens, som, música, cartografia ou iconografia que queiram partilhar, aspira à integração entre este e os sistemas usados pelos museus, Cinemateca e Direcção Geral de Arquivos.

Por enquanto a ideia ainda não passa disso, realçou a subdirectora-geral da Biblioteca Nacional de Portugal, Maria Inês Cordeiro. Mas a necessidade de colocar o património cultural português no Europeana "fez com que museus, bibliotecas e cinemateca se sentassem, regularmente, à mesma mesa", contou ao TeK a responsável, que acredita agora que criar uma forma de integração entre os arquivos digitais de cada um (sem criar um novo sistema) é uma hipótese "exequível".

Joana Martins Fernandes

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