Os programas de software que permitem aos pais filtrarem ou bloquearem o acesso a certos sites aos seus filhos podem ser menos eficientes quando aplicados aos chamados conteúdos Web 2.0, onde se incluem as redes sociais e os blogs.

As conclusões constam de um estudo da Comissão Europeia que analisou 26 ferramentas de controlo parental para PC, três para consolas de jogos e dois para telemóveis.

O relatório constatou que 84 por cento dos programas de software testados permitem aos pais bloquear o acesso a certos sites. Tais recursos são essencialmente bons a filtrar os conteúdos online para adultos, "mas continua a haver, pelo menos, 20 por cento de hipóteses de os sítios com materiais impróprios para crianças e, em especial, os que incentivam os jovens a causarem danos a si próprios (sítios que promovem a anorexia, o suicídio ou a auto-mutilação) escaparem aos seus filtros", refere a Comissão.

Apenas algumas ferramentas são capazes de filtrar sites de redes sociais, fóruns e blogs, bloquear programas de mensagens instantâneas ou protocolos de conversa ou filtrar listas de contactos.

Além disso, apenas um número reduzido de produtos disponíveis no mercado consegue filtrar os conteúdos Web acessíveis através de telemóveis ou consolas de jogos, numa altura em que uma criança em cada quatro na Europa acede à Internet desta forma.

Paralelamente, um outro estudo mostra que apenas aproximadamente um quarto dos portugueses utiliza ferramentas de controlo parental para bloquear ou filtrar o acesso dos seus filhos à Internet.

Os dados constam do estudo EU Kids Online, cujos primeiros resultados já haviam sido divulgados em Outubro de 2010, e surgem na mesma altura em que o Parlamento Europeu prepara um relatório com vista ao bloqueio de sites de pornografia infantil.

A informação agora revelada indica que, em média, apenas 28 por cento dos pais na Europa utilizam as ferramentas de controlo, estando Portugal ainda abaixo desse valor (22 por cento), de acordo com as respostas dadas pelas crianças que utilizam Internet.

Os valores são ligeiramente mais elevados, quando são os pais a responder, com 33 por cento dos pais europeus e 29 por cento dos pais portugueses a afirmarem utilizar tais ferramentas, refere a Lusa.

Os resultados do estudo divulgados em Outubro passado indicavam que quase 60 por cento das crianças e jovens portugueses têm um perfil numa rede social e, destes, 25 por cento não têm qualquer restrição de acesso.

Este é um dos dados relativos a Portugal revelados pelo inquérito realizado em 25 países europeus e que envolveu 23 mil jovens dos nove aos 16 anos.

Este estudo visou determinar factores de risco, como pornografia, bullying, mensagens de cariz sexual, contacto com desconhecidos, encontros offline com contactos online, conteúdo potencialmente nocivo gerado por utilizadores e abuso de dados pessoais.

A análise mostrava que Portugal é um dos países com menor incidência de riscos online para crianças e jovens, situando-se abaixo da média europeia (12 por cento), com apenas sete por cento a declararem já se terem deparado com os riscos referenciados pelo inquérito.


PE prepara bloqueio a sites pedófilos


Está a ser preparado no Parlamento Europeu uma proposta para o bloqueio de sites com conteúdos de pornografia infantil. O documento é da responsabilidade da eurodeputada italiana Roberta Angelilli, que defende que "os Estados-Membros devem tomar as medidas necessárias para que os sites que contenham e que distribuam pornografia infantil sejam removidos".

Adicionalmente, como forma de protecção dos interesses das crianças, os países da União Europeia devem criar mecanismos para bloquear, no seu território, o acesso dos internautas a essas páginas, "mas respeitando a legislação nacional", sugere a mesma deputada.

A proposta deve estar concluída a 20 de Janeiro, estando agendada a sua votação final para o dia 3 de Fevereiro.

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