Esta terça-feira os membros do Global Internet Forum to Counter Terrorism (GIFCT, na sigla em inglês) estão reunidos com líderes governamentais liderados pela Primeira-Ministra da Nova Zelândia Jacinta Arden e o Presidente francês Emmanuel Macron, na Assembleia Geral das Nações Unidas que está a decorrer em Nova Iorque. O organismo foi criado em 2017 pelo Twitter, Facebook, Google e Microsoft, mas agora vai tornar-se um organismo independente.

Liderado por um diretor executivo a definir, o GIFCT vai ser apoiado por equipas especialistas em tecnologia, antiterrorismo e operações. De acordo com a atualização do site do consórcio, a evolução e a institucionalização da estrutura do GIFCT será feita através de um consórcio de membros de empresas que “aproveitam” as primeiras conquistas das primeiras instituições e que irão apostar numa colaboração mais estreita com a indústria, especialistas, parceiros e partes interessadas dos governos.

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O objetivo é apostar num esforço conjunto para impedir as estratégias cada vez mais sofisticadas dos terroristas e extremistas violentos nas plataformas digitais. Para isso o novo organismo vai desenvolver políticas corporativas e patrocinar investigações para cumprir com os compromissos do plano de ação com nove pontos lançados depois do plano “Christchurch Call to Action”. O acordo não-vinculativo foi lançado em março deste ano depois de um massacre na Nova Zelândia ter sido transmitido em direto no Facebook. O objetivo é eliminar conteúdos terroristas e de extrema violência da Internet.

Para além disso, o consórcio vai institucionalizar o espírito de partilha proposto que esse plano representa. De acordo com o Facebook, o ataque em Christchurch e o vídeo viral que foi partilhado mostraram que é preciso fazer ainda mais. A rede social acredita agora que as próximas etapas vão ser mais bem executadas dentro de uma estrutura liderada pelo próprio sector, com uma contribuição da sociedade civil e dos governos.

Desde que assumiu como alguns dos compromissos as propostas do plano de ação de Christchurch, o grupo tomou várias medidas. O lançamento do Protocolo de Incidentes de Conteúdos da Indústria para orientar uma resposta colaborada entre os membros do GIFCT a ataques terroristas, o combate à disseminação de conteúdos terroristas em plataformas e o seu primeiro relatório de transparência foram algumas delas.

Quatro objetivos e três pilares com um propósito único

Enquanto organismo independente o GIFCT vai adotar uma nova frase que define a sua missão: "Impedir que terroristas e extremistas violentos explorem as plataformas digitais", assente em quatro objetivos. A partir de agora o grupo pretende capacitar uma ampla gama de empresas tecnológicas com processos e ferramentas para prevenir e responder ao abuso das suas plataformas por terroristas e extremistas violentos. Permitir o envolvimento das várias partes interessadas e incentivá-las a cumprir com os compromissos do GIFCT, promover o diálogo civil online e desenvolver os conhecimentos sobre as operações terroristas são os restantes objetivos.

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Os três pilares passam agora por prevenir ataques terroristas, responder a esses mesmos ataques e fazer com que investigadores investiguem o terrorismo e que proponham as melhores estratégias para o combater. Para isso, o GIFCT vai apostar em grupos de trabalho.

A liderança do consórcio vai residir num conselho operacional liderado pela indústria, que trabalhará num comité consultivo independente e num fórum. O comité consultivo independente vai ser presidido por um representante que não faz parte de nenhum governo e vai incluir membros da sociedade civil, governo e entidades intergovernamentais. Até agora, os Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Nova Zelândia, Japão, o Comité de Combate ao Terrorismo das Nações Unidas e a Comissão Europeia já assinaram o Comité Consultivo.

Desde que foi criado, o consórcio cresceu e agora é a vez da Amazon, do LinkedIn e do WhatsApp se juntarem. Também recentemente o GIFCT alcançou a meta de 2019 de contribuir com mais de 200.000 impressões digitais de pessoas envolvidos em conteúdo terrorista, permitindo uma identificação mais rápida nesta área.

O consórcio espera agora poder contar com membros adicionais, incluindo grupos de defesa especialistas em direitos humanos, fundações, investigadores e especialistas técnicos.

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